Ndombele, Rúben Neves ou de Jong: City parece fechar o cerco aos nomes do meio

É curioso lembrar como, no início da era Pep Guardiola, se imagina uma total reformulação no meio-campo do Manchester City. Jogadores da estirpe de Thiago Alcântara e Isco foram especulados ao monte, principalmente por aqueles que ainda não enxergam Guardiola como o treinador heterodoxo que é. No fim das contas, já são três temporadas com Fernandinho, David Silva e De Bruyne formando a trinca de meio-campistas, sendo que todos já estavam no elenco antes da chegada do técnico catalão.


Com Gündogan fazendo frequentes visitas ao departamento médico e Yaya Touré vivendo claro declínio físico, volantes não deixaram de ser pauta em nenhuma janela de transferências do City, mas Guardiola sempre acabou dando preferência a outras posições que pareciam mais urgentes, além de certa escassez e dificuldade para nomes certos no mercado. Dito isso, apenas no último verão, vivemos uma grande saga por um volante, com Touré deixando o clube e Fernandinho virando a única opção – hoje, Fabian Delph é a alternativa nos olhos de Guardiola quando não puder contar com o brasileiro.


Jorginho foi perseguido ferozmente por Txiki Begiristain (diretor responsável por negociações) durante praticamente toda a janela, mas acabou fechando com o Chelsea. Algo a ser profundamente lamentado, mas já está no momento de seguir em frente e começar a analisar as opções que o mercado oferece no momento. Dificilmente o City fará algum movimento em janeiro, pois é difícil algum jogador de qualidade alta estar acessível nessa janela de inverno, mas as especulações já começam a ganhar forma, pensando na próxima temporada.


Pensando de forma simplista, parece ser fácil adivinhar qual tipo de meio-campista Pep Guardiola quer. Por outro lado, também de um modo um pouco simplista, essas características não batem de modo satisfatório com o perfil de meio-campista que a Premier League parece exigir. Como mesclar um meio-campista com grande intuição para controlar o jogo e coordenar os movimentos de saída de bola, contando também com passes verticais, sem perder a capacidade de marcação e forte e de vencer duelos aéreos, além de velocidade para cobertura aos laterais caso necessário? Nem o Fernandinho domina todos esses fundamentos com maestria, mas é o cara que mais se aproxima disso.


Também não estou querendo dizer que as exigências da Premier League passam por cima da qualidade de jogadores... muita gente acha que Sergio Busquets não jogaria na Premier League, mas o que há de especial nesses jogadores é justamente sua capacidade de leitura e adaptação.


Enfim, hora de falar sobre quais nomes o City parece estar vigiando mais de perto, pensando em investidas na próxima janela de transferências no verão. Após perder Jorginho, foram meses de notícias vagas sobre o tema, mas agora existem três nomes que despontaram e dificilmente deve fugir disso.


Começando pelo menos cotado dos três, temos Tanguy Ndombele (21). O volante do Lyon teve boa atuação na vitória dos franceses contra a gente no Etihad pela Liga dos Campeões (e Guardiola tem histórico de ir atrás de jogadores que vão bem contra o time dele, rs). Ndombele não é um “5” puro, mas pode ser chamado de um meio-campista defensivo, mesmo com suas chegadas a frente. Por perfil, pode ser considerado o mais semelhante a Fernandinho: jogador físico (altura parecida também, importante nos duelos pelo alto), mas também associativo. Guardiola teria que fazer trabalho semelhante ao que fez com o próprio Fernandinho, que também era um interior/meia na Ucrânia. Além disso, possui controles orientados de corpo bem legais para sair de pressão adversária.


Continuando, agora é hora de falar de um português que muita gente pediu na Copa do Mundo 2018: Rúben Neves (21) vem sendo destaque do Wolverhampton desde a bela campanha na Championship temporada passada. Extremamente técnico e com qualidade notável nos passes longos (além de finalizar bem de fora da área), a dúvida que Neves desperta é na fase defensiva: joga ao lado de João Moutinho no Wolves e não tem experiência em tomar conta de determinada faixa de campo por si só. No entanto, não chega a ser uma debilidade – contra o próprio City, nessa temporada, fez grande trabalho ao lado de Moutinho ao fechar linhas de passes dos nossos meias.


Por fim, o nome que parece ser o favorito no momento – o que não quer dizer muita coisa, ao observar nosso histórico de grandes contratações: Frenkie de Jong (21) é a nova sensação do futebol mundial e está no topo da lista do City. A competição do Barcelona deve ser feroz e os considero favoritos, por todo o simbolismo em volta do clube, além da figura de Messi. Enfim, é complicado analisar jogadores da Eredivisie, por ser um pouco distante da gente e um nível competitivo também abaixo para os atletas, mas é reconhecidamente um celeiro de promessas.


Getty
Getty

Frenkie de Jong encabeça a lista de pretendentes


Frenkie de Jong oferece algumas coisas com bola que Fernandinho não possui: o brasileiro precisa quase sempre receber a bola de frente, enquanto o holandês pode receber de outros ângulos e ainda assim dará sequência à jogada com velocidade, pois possui um giro de corpo eficiente. Tem uma técnica afinada para tocar a bola em curtas, médias e longas distâncias, de forma vertical ou invertendo a jogada. Na marcação, tem consciência tática destacável para atleta da sua idade e também mostra buscar o combate.


Muitas das análises em volta de de Jong passam por seu potencial, que parece ser imenso. No entanto, é sempre preciso ter calma com a hype criada nesse tipo de jogador. Qual o seu preferido? City está deixando passar batido algum nome acessível? Comente!