Nem tudo acerca de Gabriel Jesus é sobre confiança

Após um período conturbado em dezembro, o City voltou aos trilhos em 2019 e com uma grande ajuda do centroavante brasileiro Gabriel Jesus. Nas quatro partidas jogadas até aqui, Gabriel foi titular em três delas e marcou sete gols. Independente dos adversários, com esses números, Gabriel agora é o artilheiro do City na temporada ao lado de Agüero, ambos com 14 gols.


A última vítima foi o Wolverhampton, em duelo que era importantíssimo para o City seguir forte na busca pelo líder da Premier League – Gabriel marcou duas vezes e teve uma boa atuação, aparecendo fora da área principalmente para dar sequência às jogadas com passes rápidos para quem chega de trás.


Antes de tudo: não quero fazer esse texto para colocar asteriscos na atual forma de Gabriel Jesus. Com ele fazendo tantos gols e participando ativamente dos jogos, vai ser um argumento e tanto para o restante da temporada. O que quero discutir é a maneira como se é debatida os assuntos em volta do jogador nas redes sociais e na mídia esportiva.


Para falar desse assunto, é importante ignorar os haters, que deixam a lógica de lado para tratar de tudo que envolve esse tema complicado. Gabriel Jesus estourou cedo demais, fazia gols em todas as partidas pela Seleção, até que chegou se lesionou duas vezes no City e foi queimado por Tite na Copa do Mundo. Tudo isso fez com que tudo que se relacionasse ao jogador fosse tratado de uma forma mais psicológica, esquecendo o que ele faz em campo, ignorando cenários importantes e, por vezes, buscando desculpas.


Tenho certeza que você sempre fala (ou escuta) “Gabriel Jesus precisa de gols para retomar a confiança” ou qualquer coisa do tipo que relacione o rendimento do atacante brasileiro quase que exclusivamente à sua condição emocional. Isso virou um senso comum tão grande que o próprio jogador replica isso com frequência nas entrevistas ao ser questionado.


Não estou querendo ignorar o fator emocional na análise esportiva, sei muito bem como isso é importante, mas precisa de um limite também. Gabriel Jesus, desde que “está precisando marcar para retomar a confiança”, já marcou 10 gols na temporada. Precisa ainda de mais? Gabriel não joga bem ou mal apenas por estar com ou sem confiança... precisamos compreender melhor seu estilo como jogador, pontos fortes e fracos, além de considerar contra quem ele está jogando e fatores desse tipo.


Gabriel Jesus está bem nas últimas partidas porque ele oferece uma coisa que o Aguero tem falhado na maioria dos jogos recentes: chegar inteiro na pequena área para mostrar oportunismo. O argentino tem se concentrado tanto em atuar fora da área que perdeu um pouco de faro de gol; Gabriel, além de seus tradicionais gols com apenas um toque na bola, ainda tem aproveitado sobras na pequena área e feito até gols de cabeça.


Gabriel não tem a qualidade de Agüero para receber de costas, fazer um giro e ajudar o time a ganhar metros no campo, mas pode acelerar o jogo com passes rápidos e deixar uma transição ainda mais rápida com Sterling e Sané. Gabriel tem sérios problemas sobre se mostrar precipitado demais quando está com a bola no pé, e isso acaba sendo cobrado em alguns jogos – em outros, isso se transforma em belos dribles na redondeza na área, típico de atacantes brasileiros.


Não vamos fazer apenas análises simplistas sobre o garoto, esquecendo tudo que ele trabalha dentro de campo para melhorar e tudo mais. O fator emocional é fundamental, mas virou apenas uma muleta para pessoas fingirem que sabem o que estão falando quando o assunto é Gabriel Jesus. Ele tem méritos e deméritos dentro de campo que devem ser analisados e tratados como prioridade hoje.


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