O City fez por merecer seu próprio destino

Estava tudo indo muito bem no mês de janeiro. Apenas um gol sofrido, em uma partida bastante difícil que vencemos, contra o Liverpool, seguida por diferentes goleadas, principalmente pelas copas nacionais da Inglaterra. Apesar do mês de fevereiro oferecer um calendário apertado e adversários difíceis, a expectativa era diminuir a diferença para a liderança nas próximas semanas... até que apareceu um Newcastle no meio do caminho.


Tudo que o City fez durante as últimas semanas para superar aquele período conturbado de dezembro foi por água abaixo. A diferença é que nas derrotas para Crystal Palace e Leicester, as lesões serviam de muleta, mas agora temos o time completo – Fernandinho, De Bruyne e David Silva iniciaram uma partida juntos pela primeira vez na temporada. Agora, a procura por justificativas é mais abrangente e todos parecem perdidos na busca por explicações.


Segundo Guardiola, foi “uma noite que não era para ser”. Mas seria mesmo algo do tipo sendo que já é a terceira vez que acontece em cerca de 50 dias? O City fez por merecer o seu próprio destino: deixou nove pontos bestas pelo caminho, vê o Liverpool com caminho livre para a taça e vai precisar se contentar em disputar até o fim as copas nacionais – títulos bem ameaçados tendo em vista a mentalidade tão fraca para grandes momentos demonstrada por esse elenco. Nem vou entrar no assunto Champions League... claro, a vitória contra o Liverpool mostrou o potencial desse grupo, mas não vai ser todo dia assim.


Eu tenho toda uma lista de problemas que ajudam a explicar porque o City chegou nessa situação, mas nenhum é definitivamente uma explicação para o que aconteceu. Nesta thread (clique aqui) do excelente jornalista Sam Lee, do Goal, temos um compilado de questionamentos que o City enfrenta a cada tropeço, mas também a prova de que todos são extremamente relativos e simplórios.


Então afinal, o que acontece com o City? Primeiramente, é importante entender que a quantidade de pontos para ser campeão aumentou. Em 2011/12 perdemos cinco partidas e ainda assim ganhamos. Agora, ao que parece, você é obrigado a fazer mais do que 90 pontos.


Em segundo lugar, em todos os anos que vence um título, o City faz uma janela de transferências pífia em seguida. Em 2012 e 2014 apenas contratações fracas, para agora em 2018 contratar apenas Mahrez e deixar outras carências do elenco expostas. Não aprender com os erros tem se tornado uma característica forte de Txiki e sua trupe.


Ainda sobre contratações, a ausência das mesmas ainda contribui para outros fatores, como a falta de motivação, em vista que não tem alguém ameaçando seu posto, além de promover o vício de mecanismos, principalmente em um sistema de Guardiola. O que quero dizer com “vício de mecanismos” é que nenhum time joga da mesma maneira para sempre, é preciso se renovar com frequência até para manter os jogadores atentos e focados. Obviamente Guardiola tem diferentes formas de abordar as partidas, vimos isso principalmente no início da temporada, mas na hora que aperta voltamos para o sistema tradicional e ele pode ser bem previsível por vezes.


Além do mais, Guardiola ganhou um jogador para quebrar essa escrita, mas não o usa dessa maneira. Mahrez claramente é um atacante que precisa de liberdade, se aproximar da bola dialogando com companheiros, mas Pep geralmente o mantém aberto no campo, o limitando a fazer cruzamentos. E diante do Newcastle, Mahrez nem entrou! É mole? Não sou ninguém para ensinar Guardiola a como usar seus atacantes, mas não pode ser 100% apenas de fé em seu sistema. Os jogadores precisam resolver por si às vezes.


O que me leva ao último ponto que quero discutir hoje: a falta de jogadores com mais independentes e com mais personalidade. Construímos esse elenco por meio de jogadores de clubes médios da Europa, o que parecia interessante, levamos todos para um degrau acima em suas carreiras, mas nem todos estão preparados para a cobrança da elite. Não me entendam mal, são ótimos jogadores, mas faltam aqueles caras com hierarquia. De Bruyne se adaptou a esse perfil, mas é um meio-campista, não vai conseguir resolver todos os jogos.


No ataque, Sané ainda pode chegar nesse patamar, mas precisa ser mais regular. Aguero perdeu seu instinto assassino. É difícil competir na elite sem atacantes que resolvam jogos por si só.
Enfim, vida que segue. Tem que reagir de novo, ou fevereiro vai ser um desastre e tudo vai se complicar mais ainda – a distância para os outros do G4 vai diminuir. Come on, City.


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