Kun Agüero recoloca o City na briga pela Premier League

No meu último texto por aqui, tentei expor de alguma maneira alguns problemas estruturais que considero importante no projeto do City. Foi um artigo de cabeça quente, após derrota para o Newcastle que parecia selar as chances de título da Premier League. Bom, somente alguns dias depois e cá estamos nós na liderança do Campeonato Inglês novamente. Quem diria?! Não retiro o que disse naquele texto, pois como dito, são problemas estruturais, mas novamente os jogadores mostram caráter e determinação para superar uma adversidade.


Esperei passar os três jogos da semana para escrever, pois qualquer tropeço seria novamente fatal para nossas pretensões. Mas agora, mesmo com a tentativa da FA de nos prejudicar, colocando o jogo diante do Everton no meio de uma semana que já seria dura, o City mostra que nessa temporada é o time dos grandes jogos e que ainda há muita Premier League pela frente.


O grande nome da semana é Sergio Kun Agüero. O atacante argentino vai se consolidando cada vez mais como um dos maiores nomes da história da Premier League, se juntando a Alan Shearer como atleta com mais hat-tricks na competição (11) e ao lado de Salah na artilharia da edição atual. Foram seis gols nos três jogos da semana, mas não qualquer gol: são dois hat-tricks contra Arsenal e Chelsea no momento que o City mais precisava.


Como eu disse no Twitter de notícias que administro, “cada momento como esse de Agüero deve ser celebrado. Só nós daremos a valor a ele. Um craque tão selvagem que seu teto é o seu talento, mas ao mesmo tempo de uma personalidade inocente, tímida, que simplesmente ama jogar bola.”. O mesmo Aguero que estufa a rede de Alisson e sai comemorando como um animal chutando a bandeira de escanteio, é o mesmo que faz três gols naturalmente no Arsenal, sorrindo... assim como é o mesmo que responde um gol perdido na pequena área com um chute incrível de longe. Jogador de carisma invejável.


Outros dois jogadores merecem destaque especial após essa sequência de vitórias: Bernardo Silva e Raheem Sterling. O português é simplesmente um jogador que todo clube gostaria de ter. O que ele pode entregar em campo está acima de sua capacidade técnica, que é acima da média, mas sim ligada a todo o seu esforço. É o jogador do City que mais cobre terreno dentro de campo, se entrega na marcação na frente e atrás, além de possuir uma habilidade de dar inveja. 


Já Raheem Sterling... ah... orgulho é a palavra certa. Estava mal em janeiro e voltou com tudo em jogos de grande calibre. Duas assistências contra o Arsenal, dois gols e pênalti sofrido contra o Chelsea, além de importunar Azpilicueta durante toda a partida. Está mais do que adaptado à faixa esquerda do campo e diria eu que é sua melhor posição atualmente. 


O mais curioso da atual fase do City é que o time vem “se escalando” mesmo com todos os contextos táticos que Guardiola precisa. Por exemplo, Gundogan e Bernardo Silva não podem sair do time. De Bruyne também não. Sané vinha em grande fase, mas caiu e agora vê Sterling em um momento top. Claro que ninguém é descartável... não dou três semanas para David Silva e Sané se destacarem novamente, mas, hoje, o meio para frente é o que estava escalado ontem.


O Liverpool claramente se encontra pressionado e se incomoda com isso. Não podemos dar trégua, eles têm um jogo a menos e podem voltar ao topo, mas o City novamente nos ensinou que desistir não deve ser uma opção. São onze partidas restantes, onze finais, em meio a outras competições... vai ser difícil, mas se alguém consegue, somos nós.


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