Guardiola e jogos fora de casa em Champions não combinam

Uma sequência de 14 vitórias chegou ao fim para o Manchester City. Os mais otimistas podem dizer que a derrota veio no único jogo do mês que um tropeço é aceitável, outros podem dizer que novamente em um momento de maior exigência, Guardiola e seus comandados não conseguiram entregar um futebol mais competitivo e um resultado favorável.


Alguns dias atrás, quando o Tottenham perdeu para o Liverpool em Anfield, apesar do deboche pelo gol no final, foi uma boa partida (principalmente 2º tempo) da equipe londrina. Quando vi aquilo, percebi que não teríamos moleza nesse duelo pelas quartas de final da Champions League.


Bom, então: o adversário é complicado, a competição tem todo um glamour especial e foram apenas dois dias de descanso... já são mais empecilhos que o necessário, certo? Pep Guardiola responde: errado! O técnico espanhol decidiu dar mais emoção para o confronto e escalou um time mais fraco do que o que foi em campo diante do Brighton, no sábado.


Começando pela escalação inicial em si, duas escolhas de Guardiola são inexplicáveis. John Stones obviamente deveria ser titular, não há o que discutir. Fabian Delph só fez uma partida em 2019 e foi muito mal nela – certo que não acompanhamos os treinos, mas tudo indicava que seu ciclo para grandes partidas estava encerrado. Qualquer outra opção seria melhor: Mendy, Laporte ou até Danilo.


Leroy Sané também parecia uma opção mais sensata do que Mahrez, até por seus números na atual edição da Champions, mas o trabalho defensivo do atacante argelino parece ter pesado a seu favor. Perder Bernardo Silva (com pequena lesão) foi um baque imenso, mas isso não lhe dá permissão para escalar um meio tão fraco fisicamente como Gündogan e David Silva, contra Sissoko, Winks e Alli. De Bruyne tornava-se ainda mais uma necessidade.


Agora, sobre o jogo e, posteriormente, a passividade de Guardiola. City começou em seu tradicional 4-3-3, mas aos poucos foi passando para algo próximo a um 4-2-3-1, com Silva centralizado e falta de conexão entre todos os setores. Mesmo sendo uma partida entre dois times ingleses, teve características típicas de Champions: muito espaço, correria demais após perder a bola e falta de controle.


Agüero está de sacanagem em perder mais um pênalti em mata-mata de Champions. Sério, passou do limite. Gündogan deve ser o cobrador.
Agora, os méritos do Tottenham também foram fortes. Pochettino espalhou seus jogadores em campo para marcar quase que individualmente as linhas de passe para Laporte e Fernandinho. Dessa forma, apenas Otamendi e Delph saíam jogando pelo City. Aí fica muito complicado mesmo. Isso foi bem feito demais, proporcionou superioridade do Spurs na primeira etapa. Ederson, apesar de só uma defesa difícil, era o melhor jogador do City, passando uma segurança incrível.


Na segunda etapa, já vi o City fazer uma partida bem digna, o que piora as coisas para Guardiola. Controlamos mais, sofremos menos, Mahrez cresceu no jogo também ofensivamente, chegamos a “pressionar” ao rodear a área do Tottenham por certo período de tempo... o que faltava? Mais qualidade, aquele jogador que ficou conhecido por chamar a responsabilidade... Kevin De Bruyne! Era óbvio, bicho. Um golzinho fora de casa estava ótimo e dava para ter buscado.


O gol de Son saiu em uma perseguição falha de Delph, Otamendi não soube reagir à marcação do Tottenham e a configuração do meio-campo não funcionou. Tudo que Pep tentou de diferente não funcionou, de modo que nem tenho coragem de falar algo dos jogadores. Como eu disse, fizeram bom segundo tempo dentro das condições.


Enfim, derrota dura, mas que nos abre a possibilidade de uma nova experiência. Reverter no Etihad é um boom de ânimo que pode fazer muito bem para esse elenco e é algo que a torcida merece. As lições estão tiradas e o respeito ao Tottenham está em dia (pensando inclusive em Premier League), agora é buscar forças e mostrar caráter para fazer história – são mais noventa minutos!


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