O que Malcom pode oferecer ao United?

O problema do United com meias ofensivos se tornou visível. Por muito tempo a preocupação foi com os meias centrais, culminando em atos como o retorno de Scholes (2012) e a ida ao mercado atrás de Herrera (2014), Pogba (2016) e Matic (2017). Só fomos ter um setor mais funcional e povoado por peças consistentes na atual temporada - mesmo assim com asteriscos e a necessidade de outro reforço. Mourinho e companhia não podem arriscar anos de incertezas na posição responsável por criação, gols e produtividade como um todo.


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Mata dá sua contribuição de forma bem respeitável e conta com o apreço de todos no elenco, mas não é titular para um clube que ambiciona a elite. O argumento com Lingard pode ser parecido, apesar de esse ter vivido uma crescente e não estagnação. Mkhitaryan teve uma boa Europa League em 16/17, quatro bons jogos em 17/18 e só; no geral, é sofrível e só a vinda de Thomas Tuchel (ex-treinador do Dortmund) poderia salvá-lo. Ibrahimovic chegou a ser utilizado por ali e o resultado foi óbvio: não dá.



Temos Martial como o cara de talento, rendimento e perspectivas empolgantes para o futuro, mas mas ele é mais de chegada e menos de articulação. Em dois textos falei sobre como Özil se encaixaria perfeitamente na equipe, uma análise técnica e uma especulação da transação. O alemão poderia funcionar como meia central, armador ou 'falso ponta' e sem dúvidas agregaria bastante. De qualquer forma, as fichas não podem ir all-in em apenas um jogador. Precisamos de opções e aqui está uma dela, plausível e presente no radar dos olheiros.


Malcom, de 20 anos, é um velho/novo conhecido do público brasileiro. Durante a campanha que despontou, no título nacional do Corinthians em 2015, foi titular absoluto do exigente Tite (um treinador semelhante ao nosso em vários aspectos) e mostrou poder de adaptação em diversas funções e cenários. No ano seguinte, foi vendido ao Bordeaux e começou sua caminhada europeia de uma maneira mais contundente. Se em São Paulo cumpria papel tático e era um facilitador para os companheiros decisivos (Jádson e Vágner Love), na França se soltou em campo.


A reta final de 15/16 foi tímida, por ter pegado o barco andando e ainda se adaptar ao continente. Em sua primeira temporada completa, porém, já mostrou o que era capaz de fazer. Se apoiando em muita técnica, visão, velocidade e movimentação, ofereceu dinâmica ao ataque de Jocelyn Gourvennec. Completando, é claro, com seu desempenho direto no placar: foram 9 gols e 7 assistências, perdendo na artilharia somente para os centroavantes Rolan e Laborde. O time terminou em 6º na Ligue 1 e deu sinais de evolução para 17/18.


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Considerando que suas finalizações de longa distância são como cobranças de falta, esse também é um ponto forte do brasileiro


Sinais que se transformaram em realidade até certo ponto. Os girondins começaram com tudo, registrando uma derrota em 10 partidas e apresentando um futebol bonito. A forma do coletivo foi despencando e a sequência atual é de uma vitória em 14 jogos, resultando na 16ª posição no campeonato. O desempenho de Malcom, por sua vez, continuou em alto nível. Certas alterações táticas deram mais liberdade ao camisa 7, que se tornou o foco de praticamente todas as jogadas. Em 16/17, suas atuações eram produtivas, mas o cérebro era o argentino Vada.


Esse foi para o banco e jogou a liberdade - e consequente responsabilidade - nos pés do garoto. O brasileiro não sucumbiu à pressão elevada, pelo contrário. Além de usar seu vasto repertório com mais constância, registra médias melhores e adicionou um elemento valioso: o poder de decisão. Já são 7 gols e 4 assistências (estatística que alcançou em toda a campanha passada), momentos carregados de beleza e/ou importância. Deem uma olhada nessas finalizações contra Dijon, Saint-Etienne, Toulouse e Nancy. Agora, um empate buscado aos 91 minutos, fora de casa, contra o Lyon.



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Ele é visto com bons olhos por todos que dividiu vestiário e atraiu interessados ao redor do mundo. Uma stat que gosto de verificar é a de key passes, bom indicador do real poder de criação de um atleta. Muitos possuem a visão e a qualidade, mas não refletem nas atuações. A situação aqui é positiva: são 2.4 passes chave por jogo. No United, ninguém faz acima de 2; o maior é Pogba, com 1.9. Articulação, habilidade no 1v1 e finalização destacável. Malcom fez a base como um '10', foi ponta esquerda no Corinthians e é ponta direita no Bordeaux. Tudo isso fez com que expandisse seu jogo, abrindo o leque de possibilidades para quem capturar um dos prospectos mais brilhantes da atualidade. 



Por algo entre 30 e 40 milhões de libras, o United pode fazer um bom negócio - em janeiro ou na próxima janela. O que acham?