Contratação de Alexis Sánchez é impactante no United e na Premier League

O difícil aconteceu. Não que o United seja escasso de dinheiro, história ou atrativos para alvos de qualquer canto do mundo, mas a chegada de uma estrela em janeiro era inesperada. Na tarde desta segunda-feira (22), o clube oficializou a contratação de Alexis Sánchez, nosso novo 7. Vestindo uma camisa iconizada por Best, Cantona, Beckham e Cristiano Ronaldo, a pressão no chileno será forte. Felizmente, ele tem o futebol e a mentalidade para tirar de letra essa responsabilidade - ao contrário de Di María e Depay, que por uma série de razões fracassaram por aqui. 


ESPN.com.br | Manchester United e Arsenal oficializam troca de Alexis e Mkhitaryan


Não costumo dar (tanta) atenção ao aspecto financeiro, que deve ficar pra trás a partir do momento em que o reforço é apresentado. Para dar um panorama geral, porém, é bom colocar alguns pingos nos is. Como é de amplo conhecimento e tema já discutido no blog, a intenção há alguns tempos era sair do Arsenal. Pelo interesse mútuo, sucesso atual e iminente, faria sentido assinar com o City de Guardiola. O próprio espanhol, porém, sempre deixou claro que não faria de tudo para contar com ele. Foram atrás, fizeram proposta, mas sem a garantia de esticar as cifras para um nível desesperado.



Os £20 milhões oferecidos pelos azuis não agradaram os gunners, que ainda representam parte chave da negociação pelos 6 meses restantes no contrato. Se aproveitando desse cenário, Woodward chegou a colocar milhões de libras na mesa, mas acabou conseguindo algo ainda melhor: a troca direta por Mkhitaryan. Cerca de £25M serão gastos diretamente com o empresário Fernando Felicevich e seu cliente. A pedida salarial, ponto que acabou com a possibilidade de renovação em Londres, foi atendida e gira em torno de £350 mil/semana. A partir de junho, a transação seria totalmente agremiação-atleta, sem intermédio e dependendo somente da vontade pessoal.


Por isso a incógnita sobre a preferência de Sánchez entre os rivais de Manchester: ele acabou no lado que desejava ou, pelas circunstâncias, aceitou a ida para Old Trafford? Qualquer seja a resposta, não fará diferença alguma a não ser matar certa curiosidade natural. Falamos de uma figura conhecida por sua determinação, atributo que não é distinto, mas sim complementa a habilidade técnica diferenciada. Considerando que chegou em um time maior, melhor nos tempos atuais e com status superior em relação ao ambiente no Emirates, é impossível duvidar da sua motivação para render dentro de campo.


Dentro das quatro linhas, o que realmente importa, capturamos um dos jogadores mais brilhantes e decisivos da Inglaterra. A parte do encaixe é fundamental e o foco a ser discutido, mas antes vamos apreciar os números. Desde que chegou na Premier League, em 2014/15, o chileno fez 122 aparições e registrou média de 119 minutos a cada gol/assist. Os 60 gols e 25 assistências de produtividade são acompanhados pelo trabalho secundário, com média de 2.2 chances criadas e 3.0 dribles/jogo.


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Sánchez foi um dos melhores jogadores do país em todas as suas temporadas completas no Arsenal


Pela perspectiva da montagem da equipe, os rumores sempre levantaram incertezas. As posições dominadas por Alexis são ocupadas por Martial e Lukaku, além de ambas terem Rashford como backup. É visível que o lado direito do ataque necessita mais de um reparo - e isso deve ser feito na próxima janela. As fantasias com os canhotos Ozil e Malcom, porém, por enquanto serão esquecidas e José terá que encontrar um jeito de organizar o setor. Se a interrogação existe, a resolução também chega no repertório diversificado do 7.


Isso porque, apesar da sua especialidade como ponta esquerda, Sánchez teve várias campanhas em uma série de funções diferentes. Felizmente, rendeu em todas - guardadas as devidas proporções em cada uma, é claro. Na Udinese, foi um centroavante móvel em um 3-1-4-2, se movimentando bastante e gerando oportunidades para o matador Di Natale. A situação pode se repetir tranquilamente, com sua qualidade desestabilizando marcadores por ali e facilitando o papel artilheiro de Romelu. Algo que, ainda se baseando na movimentação, pode ocorrer - em nível menor - se utilizado como armador, atrás do belga.



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Essa pra mim é a opção mais plausível no momento, mantendo Anthony no seu lugar e mesmo assim encaixando o novo reforço próximo do gol. Com isso, Lingard perderia sua vaga como '10' e teria que esquentar o banco ou tentar alargar o campo pela direita. Flanco que pode, também, ser preenchido pelo chileno - assim como fez no Barcelona. Sob o comando de três treinadores (Pep Guardiola, Tito Vilanova, Tata Martino), ele foi um ponta direita no Camp Nou e conseguiu aplicar as mesmas ações que veio a fazer na esquerda.


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Na Catalunha, o chileno foi ponta direita na maior parte do tempo e conseguiu produzir bastante


Partindo da lateral, frequentemente centralizava e buscava a infiltração na área ou o passe decisivo. Dessa forma, em 3 edições na La Liga, registrou 17, 17 e 29 gols+assistências. A produtividade, portanto, não sofre queda em termos puros - mas sim quando o assunto é visão e criatividade no geral. Seu jogo de drible e articulação evoluiu bastante com Wenger, partindo da esquerda com seu pé forte trazendo efeitos no placar e na plástica de suas atuações. Eu não tiraria minutos valiosos de Martial, consequentemente questionando a eventual utilização de Alexis em sua posição.


Mas isso é algo para acompanharmos nas próximas semanas, deixando de lado qualquer opinião conclusiva. A realidade indiscutível é que, tendo outra garantia de retorno no ataque, ficaremos bem mais letais. Seus 29 anos e a experiência em 3 países europeus certamente vão ajudar, também, na evolução mais "silenciosa" dos conhecidos talentos do United. Será a referência técnica lá na frente, algo que Ibrahimovic não conseguiu fazer pela idade e o estado físico. O título dessa PL é missão impossível, mas o momento vale relembrar nossa última aquisição junto ao Arsenal.



Rooney vinha de uma campanha de 27 gols em 34 partidas em 2011/12 e a intenção de Ferguson era se desprender do 4-4-2, a princípio tornando o 4-2-3-1 como formação base e tendo Kagawa como o coração do time em 2012/13. Um tal de Robin van Persie entrou no mercado, entretanto, e oportunidades desse patamar não se perdem em uma liga tão competitiva. Praticamente certificar (no mínimo) 20 gols/temporada e enfraquecer um adversário do top 6 é uma prática que pode - e deve - ser contextualizada, mas criticar seria demais. O impacto de Sánchez, na posição que Mourinho quiser, será bem maior do que o barulho das contestações.