Confiante e decisivo, Martial salvou o United em atuação fraca contra o Burnley

Existe futebol em meio a novela Sánchez. E o United novamente teve sucesso, trazendo 3 pontos do Turf Moor e se mantendo na segunda colocação. O panorama apresentava duas equipes bem estruturadas na contenção e atuando no estádio que menos balançou as redes em 17/18, portanto era prevista a dificuldade para os dois lados. O desempenho coletivo decepcionou e, individualmente, alguns sumiram totalmente em campo. Pogba, Lukaku e Martial tiveram bons momentos e esse último nos salvou com mais um golaço. O francês marcou em três rodadas consecutivas, tem 11 gols e 9 assistências na temporada e segue agradando demais.


ESPN.com.brCom gol de Martial, United vence terceira seguida na Premier League


Em relação ao jogo contra o Stoke, apenas uma alteração: Shaw foi trocado por Young, que voltou após cumprir suspensão. A situação aqui é complexa, pois o próprio Mourinho elogiou bastante o garoto na última coletiva e a gente espera vê-lo com sequência. Não dá pra dizer, porém, que a titularidade de Ashley seja injusta; querendo ou não, ele é um dos nossos melhores jogadores em termos de consistência e não foi mal nesse sábado. Inclusive, começou sendo uma das referências na circulação da posse.



Partindo pra cima pela esquerda, se aproveitou do posicionamento avançado de Pogba e a prontidão de Martial. Os franceses logo passaram a influenciar bastante nosso jogo, um padrão que aos poucos vai se desenvolvendo. Não podemos perder essa conexão de jeito nenhum e esse é um fator a ser discutido na chegada de Alexis, mas tema para outro post. Uma certeza, porém, é que precisamos de uma figura mais talentosa na direita. Se do outro lado as coisas fluem de forma natural, com Valencia e Mata o processo é esporádico. À vezes vai, outras vezes é deprimente.


Enfim, é impossível tratar desse confronto sem dar ênfase no sistema bem montado por Sean Dyche. Como vimos no mês passado, a organização do sistema é distinto até dos times mais defensivos do campeonato. Com um posicionamento treinado para bloquear finalizações (os clarets são os líderes nessa estatística), o trabalho do goleiro é facilitado e muita paciência é necessária para furar essa parede. E inteligência na maneira escolhida para agredir. Infelizmente, a supracitada decisão de Jose em trocar os laterais não rendeu bons frutos. Ou apenas foi menos do que poderia ter sido com Shaw.


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Shaw vinha de boa sequência como titular e hoje ficou no banco - e o time sentiu sua falta


Enquanto Young tinha uma dificuldade extrema em ir até a linha de fundo, Luke é especialista em ultrapassar por ali e cruzar de forma adequada para esse tipo de partida. A bola chegaria na área com os defensores de costas e os atacantes de frente, mas vinha acontecendo o contrário. Ter alguém com característica diferente por ali ajudaria, também, no rendimento de Martial. O francês ia bem, mas esse era o tipo de embate para se aproximar do gol e 'amassar' um pouco mais a zaga adversária. Isso veio a acontecer no segundo tempo e o resultado foi positivo: outro golaço para a sua conta, após bela contribuição de Lukaku.



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Quem não conseguiu ter importância foi Mata. O espanhol estava em um daqueles dias de desligamento total e tentativas raras e falhas de criar. Considerando que Lingard também teve desempenho apagado, ficou complicado para um dos dois encaixar um trabalho associativo. Gradativamente os anfitriões foram aumentando a intensidade e chegando ao campo ofensivo com perigo, motivando a entrada de Fellaini na vaga de Juan. Não conseguimos controlar e a bola era do Burnley. Novamente o time se desmontou depois de tirar o zero do placar e isso é um problema real.


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Está próximo, pessoal. Alexis já fez seu último treino com Wenger e deve ser anunciado até segunda-feira


O único ponto positivo vem como consequência da expressividade elevada do oponente, abrindo espaço para os contragolpes. Faltava frieza na finalização, entretanto, lembrando muito aquele sofrido empate contra o Leicester. Sofremos desnecessariamente e esse panorama não surpreende, visto que se repete em várias oportunidades nessa temporada. Passou da hora de Mourinho rever alguns dos conceitos nas mexidas táticas (e psicológicas) durante os 90 minutos, porque isso não é sustentável. Seguimos - relativamente - firmes, porém. Assim como Martial.