Mourinho atraiu e mereceu um novo contrato no United

Normalmente quem está por trás das renovações como o 'agente principal' é o clube, disposto a garantir a tranquilidade e - idealmente - a permanência de um profissional. Em alguns casos, porém, a força na queda de braço está completamente com quem assinou e essa situação se encaixa agora. Mourinho tinha contrato até o fim da próxima temporada e vem acertando pontos importantes em janeiro para colocar ordem na casa em 18/19. O português usou do interesse do PSG para, indiretamente, atrair um vínculo novo a si mesmo (até 2020, com opção de adicionar mais um ano).


ESPN.com.br | Manchester United anuncia renovação com Mourinho até 2020


Isso depois de, através de declarações em coletivas e escalações com falhas 'propositais', indicar a necessidade por reforços - e, consequentemente, receber Alexis Sánchez como presente. De etapa em etapa, seus desejos são atendidos e o efeito é claro: aumenta as possibilidades de sucesso e o ânimo nos bastidores, mas também a pressão por cultivar esse espírito vencedor e colher frutos. Por enquanto, qualquer crítica exagerada é descabida. Já citei neste texto e é preciso ressaltar que, no cenário atual do futebol, poucos são os torcedores completamente satisfeitos com os treinadores.


Getty Images
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Extensão do vínculo com Mou é mais um acerto para a coleção de Ed Woodward


O processo após a aposentadoria de Sir Alex Ferguson teve seus passos iniciais, mas foram escassos e pouco marcantes com David Moyes e Van Gaal. Só foi ganhar firmeza - e o acompanhamento de resultados - com Jose, contratado justamente para isso. A missão era resgatar os pilares que costumeiramente fizeram do United uma agremiação bem sucedida, temida e respeitada. Da sua forma, é claro; ninguém é obrigado a preencher requisitos táticos e plásticos de certos fãs, a não ser que isso seja discutido previamente com a diretoria.


É compreensível ter outras preferências e pensar em uma troca no comando. Eu, por exemplo, nunca neguei que quando os dois estavam livres a escolha perfeita seria Pep Guardiola. Admiro alguns nomes disponíveis como Thomas Tuchel, também, e acredito que o alemão seria um alvo bem interessante para assumir a próxima fase desse projeto. Vejo Mou, entretanto, como um técnico super capacitado e totalmente apto a nos recolocar em um patamar alto do esporte. Com ele provavelmente não voltaremos a ser uma força como entre 2007 e 2009, mas a probabilidade de nos aproximarmos é boa.



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Nem tudo são flores e existem fragilidades visíveis na equipe, colocando a responsabilidade de mudar em suas mãos. Não digo em questão de estilo e a abordagem padrão com a maioria dos confrontos, mas determinadas alterações - ou a ausência delas - durante os 90 minutos. Seria de grande valia para seu repertório, o rendimento do time e o agrado da torcida, por exemplo, que os jogadores comecem a defender um placar com a bola e não se livrando da mesma. Sua filosofia de redução de risco foi sensacional quando surgiu e ainda carrega benefícios, mas precisa ser adaptada e desenvolvida.



Nada melhor do que um clube grande com recursos, prestígio e a carência por uma mente preparada para realinhar conjuntos quebrados. Ele não é mais o Special One, mas com certeza um Very Competent One. Os seus métodos mais contestados podem pesar na balança e, no fim das contas, resultarem em um desfecho pouco animador; por enquanto, porém, o progresso é sólido e merece um voto de confiança. E que venha a renovação de De Gea para completar esse mês espetacular, ao menos nos bastidores. Que posteriormente se reflita em campo e na flexibilidade de Mourinho para diminuir a voz dos críticos e provar seu pertencimento na elite dos treinadores.