Mourinho foi anulado por Pochettino, e o United recebeu uma aula do Tottenham

*Na partida do primeiro turno, o título do post tratou do plano de Mourinho anulando o de Pochettino. Nada mais justo do que, no returno, reforçar a reviravolta do argentino pra cima do português. Foi gigantesca.


O maior público da história da Premier League (81,978), em um dos palcos mais icônicos do futebol, viu o Tottenham massacrar o United e vencer por apenas 2 a 0. Em Wembley, uma soma de fatores gerou consequências super negativas e merecidas. Nosso desempenho foi falho na organização, intensidade e mentalidade. O oponente fez sua melhor exibição no campeonato e apresentou um ritmo muito - mesmo - superior. Parecia uma equipe no auge físico contra um conjunto tentando se entender na pré-temporada.


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Isso que a escalação cumpriu o esperado pela torcida, juntando nossos jogadores talentosos com Sánchez pela primeira vez. O chileno teve a parceria de Martial, Lingard e Lukaku no ataque, mas esperava-se que aproveitaria principalmente da criatividade de Pogba, vindo de trás. Young foi titular novamente e ainda fica a apreensão em relação ao uso de Shaw; ele será aproveitado depois de uma recente sequência positiva ou novamente cairá no esquecimento? Algo para ser pensado.


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A escalação empolgou, mas no fim das contas foi mais um dia frustrante em Londres para Alexis Sánchez


Naquele confronto em Manchester, Pochettino espelhou nossa formação - o 3-4-2-1 - e teve um foco considerável nos duelos individuais. Tivemos dificuldades para gerar fluidez na articulação e o gol saiu de lançamento direto e falha da defesa. Hoje, os sistemas também se igualaram - dessa vez um 4-2-3-1 - e a rede balançou em jogada semelhante. Infelizmente, o lado foi oposto. Em 11 segundos, Eriksen surgiu como elemento surpresa após desvio de Kane para Alli. Placar aberto e os visitantes foram obrigados a se soltar.


E sabemos que isso não é uma boa notícia para Mourinho. Suas equipes são baseadas em manter a estrutura defensiva e atacar com velocidade, mesmo se isso signifique uma quantidade reduzida de chances. Labile passou a se juntar à linha dos meias ofensivos, sobrecarregou Matic e viu Eriksen e Alli dando uma aula de movimentação nas suas costas. Ambos tiveram o trabalho facilitado pela marcação desajeitada, mas souberam explorar perfeitamente. Young ou alguém da zaga poderia contribuir nesse sentido, mas a obrigação foi de se preocupar com outras peças.



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Principalmente em nosso lado esquerdo, onde Trippier em todo momento estava ultrapassando e abriu mais espaço ainda em zonas diferentes. Kane se aproveitou desse cenário e incomodou bastante. Com uma função de 'atacante completo', recuava para tabelar com os companheiros e confundia os zagueiros. Como se eles não se perdessem sozinhos. Em uma das chegadas do supracitado lateral, seu cruzamento não chegaria a lugar algum; Jones, porém, resolveu desviar com a direita e acabou fazendo um golaço contra o próprio time.


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Pochettino esteve na frente de Jose em todos os sentidos. Os jogadores e o treinador dividem parcelas de culpa do mesmo tamanho


Conhecemos o histórico de trapalhadas do rapaz, mas seria injusto cair pra cima dele depois de tantas atuações sólidas. Ao seu lado, entretanto, Smalling fazia uma de suas péssimas apresentações e passava a velha sensação de zero segurança. Éramos visivelmente amassados com a bola no campo defensivo e um dilema naturalmente se desenvolveu. A questão passava pela necessidade de reforçar a contenção e, de alguma forma, aumentar o volume ofensivo. O efeito, que apenas acompanhou o ritmo traçado inicialmente, foi ruim em cada aspecto possível.


Os anfitriões continuavam levando perigo em todas as investidas e nosso ataque não rendia em termos táticos e de entrosamento. Nosso melhor jogador, Pogba ficou perdido nesse caos e não conseguiu influenciar do seu modo costumeiro. Em uma atitude estranha, mas compreensível de certa maneira, o capitão foi substituído por Fellaini. Na frente, Mata entrou na vaga de Lingard. Sem surpreender, nada mudou. O belga até sentiu e foi trocado por Herrera - um jogador desligado por outro.


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Pogba é nosso melhor jogador e uma noite abaixo não diminui seu tamanho, mas a atuação foi pobre. Mou acertou em substituí-lo?


A distância entre o segundo e o quinto colocado poderia ter ido para 11 pontos, mas caiu para 5. O Chelsea conseguiu passar uma vergonha (bem) maior diante do Bournemouth e o Liverpool é o Liverpool, então provavelmente a vaga na Champions será assegurada até o fim da competição. De qualquer forma, é fato que o United perde muita oportunidade de dar saltos - em desempenho e resultado - em 17/18. A bronca no vestiário tem que ser grande, mas Mourinho precisa de uma autoavaliação forte e sincera após essa partida.