Mourinho novamente foi estranho, mas Sánchez carregou o United até a vitória

É preciso de muita paciência para trabalhar com José Mourinho e, igualmente, torcer para um de seus times. Isso não se contrapõe aos elogios que fiz à ele na semana passada, mas complementa a filosofia de um treinador controverso. Depois da derrota para o Tottenham, falei que o português precisava dar uma bronca pesada nos jogadores. Isso aconteceu de forma exagerada: Pogba e Martial foram 'punidos' com uma cadeira no banco de reservas e Jones nem relacionado foi. Herrera também, mas esse faz uma temporada sofrível e não sentimos falta.


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Por outro lado, talvez os piores atores no vexame - em termos de desempenho - em Wembley passaram batidos. Smalling e Matic continuaram como titulares, mesmo considerando a fadiga visível do sérvio. E Mou acabou colocando a maior parte do peso no elenco do que em suas próprias escolhas duvidosas, plano de jogo falho e substituições esquisitas. O clima não era dos mais animadores e só foi acalmar por um motivo extremamente nobre. A tragédia de Munique completa 60 anos na próxima terça-feira e hoje foi dia de homenagem.


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Teve jogo, mas o evento mais respeitado pelos torcedores foi a homenagem aos que sofreram na tragédia em 1958


Um minuto de silêncio, muita reverência nos espaços dedicados àqueles que perderam a vida e uma faixa preta no braço de cada atleta. Lembrança triste, mas inspiradora, de uma data que nos colocou no fundo do poço para depois motivar uma linda superação. Em campo, também precisávamos de uma força a mais para nos recuperarmos da pior partida de 17/18. Parte por causa da pressão exercida pelas pernas renovadas do time, parte pela ausência de qualidade no adversário, tivemos o controle da posse e a movimentação foi interessante.


McTominay era quem acompanhava Matic, limitando a criatividade e o poder de condução do nosso meio. Com isso, nossos dois 'falsos pontas' viram a necessidade de centralizar e recuar para armar. Em todos os momentos, pelo menos um entre Sánchez e Mata saiam da posição e tentavam furar a defesa dos terriers. O lance que levou perigo para a meta de Lössl surgiu de uma tabela de ambos, terminando em um bom chute do chileno. Lukaku precisava participar mais, seja com toques na entrada da área ou corridas incisivas.



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O roteiro estava escrito. Juan se movendo com liberdade e inteligência, precisando apenas de uma resposta melhor - e direta - de algum companheiro. Romelu acordou na segunda etapa e, ao receber do espanhol, bateu com precisão e abriu o placar. O belga finalmente estava incomodando a dupla de zaga e trabalhando bem com Lingard, resultando em um ataque fluido. O inglês, porém, foi o escolhido para dar lugar ao nosso craque. Pogba entrou e teve 30 minutos para desfilar seu futebol.


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Pogba entrou no segundo tempo e mostrou boa sintonia com Alexis


Se a exibição frente aos Spurs foi super apagada, sabemos que o conjunto joga melhor com o francês. Ainda mais se a formação é o 4-3-3, o que aconteceu após a substituição. Matic e McTominay se responsabilizaram pela contenção e o controle, enquanto o camisa 6 ficou com a condução e os lançamentos costumeiros. Em um deles - no primeiro toque -, encontrou Mata na área e na sequência viu Alexis ser derrubado. O ex-Arsenal ainda errou o pênalti, mas acertou o rebote e coroou uma ótima atuação com seu primeiro gol pelo clube.


O posicionamento de Pogba não agradou apenas pela função, mas também trouxe um plus bem valioso. Ficando na intermediária esquerda, pode começar a se entrosar com Sánchez em termos de passes e movimentação. Essa dobradinha, que hoje durou meia hora, ainda é uma incógnita por conta de Martial. Ainda não está totalmente claro se o francês ficará na ponta esquerda, em outra posição ou no banco. Ele entrou na vaga de Lukaku e ativou um experimento de Mourinho para resolver essa questão.


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Sánchez errou muitos passes, mas sua produção superou os deslizes e sua estreia em Old Trafford foi ótima


Iniciando em sua função original, gerou como efeito a ida de Alexis para a referência. No tudo ou nada, os visitantes mandaram mais jogadores ao campo ofensivo e os anfitriões recuaram. Com isso, acabamos vendo menos do que desejávamos dessa mudança de dinâmica que pode definir os passos da equipe no restante da temporada. Por fim, ficam três pontos, punição - mesmo em vias tortas - cumprida por aqueles que Jose considerou culpados e a esperança de melhorias nas próximas rodadas. A pressão continua firme no treinador.