United teve todas as suas fraquezas exploradas pelo Newcastle

Nenhum trabalho para melhorar a construção das jogadas, um zagueiro com nível de segunda divisão, meio-campo desconectado e força mental decadente depois de levar o primeiro gol. Todos os pontos fracos do United foram identificados muito bem pelo Newcastle e a derrota foi merecida. Mourinho nunca ganhou no St. James Park - estádio que não via uma vitória dos anfitriões há 9 rodadas - e teve mais lições para levar à Manchester. O problema é que não foi a primeira vez e a expectativa de ajustes é super baixa. 


ESPN.com.br | United não fura retranca, é derrotado pelo Newcastle e fica a 16 pontos do líder City


Depois da punição - não que José admita isso - contra o Huddersfield, alguns jogadores importantes voltaram ao time. Jones, Young, Pogba e Martial foram selecionados e repetiram a escalação da derrota para o Tottenham. Herrera está machucado e não foi relacionado, assim como Rashford - esse que sentiu lesão muscular na semana passada e ainda não se sabe quanto tempo ficará fora. Smalling continua como titular mesmo após exibições terríveis e tendo duas opções melhores no momento, Lindelof e Rojo.


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A frustração na cara de um time que depende de individuais, não do entrosamento coletivo


As últimas partidas de Shaw e Young mostram a realidade que todos nós sabemos: o primeiro é superior e deve ter sequência em campo, não bastam somente elogios na coletiva de imprensa. O banco de reservas estava enfraquecido, tendo apenas Mata como suplente ofensivo. Os outros eram quatro defensores e dois meias discretos, Carrick e McTominay. O plano de jogo, portanto, teria que dar certo desde o início e não dar chances para o azar. Normalmente, bater o Newcastle na casa deles não é das tarefas mais fáceis. Ainda mais considerando que são comandados pelo ótimo Rafa Benitez.


As fases das equipes, entretanto, são bem opostas e éramos favoritos absolutos. Os magpies não venciam dentro de seus domínios desde outubro/17 e começaram dispostos a mudar isso. Ao contrário do que o treinador espanhol costuma fazer em confrontos grandes, seu conjunto pressionou bastante e tentou achar um gol logo cedo. Os visitantes sucimbiram à essa agressividade e De Gea teve que trabalhar. Deixando fora nomes mais lentos (Slimani e Joselu, por ex.), os anfitriões contavam com um ataque móvel e preparado para incomodar nossa saída de bola.



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Ayoze e Gayle diminuíram o tempo e o espaço de Jones e Smalling, que sempre tiveram dificuldade para construir lá de trás. O ponto identificado como fraqueza dos red devils, porém, foi o meio-campo. Pogba e Matic têm suas qualidades e são ótimos jogadores, mas funcionam individualmente. Ainda não se desenvolveu uma parceria em termos de distância, movimentos e ações treinadas para sair de situações de perigo. Contra a maioria dos oponentes isso não é necessário, mas algumas circunstâncias exigem um trabalho melhor por ali.


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Pogba sentiu no aquecimento e certamente jogou com algum incômodo, mas de qualquer forma foi outra performance bem abaixo da média


Aos poucos disparidade técnica entre os times foi ficando visível e fomos naturalmente ganhando terreno. O meio deles, formado por Shelvey e Diamé, funciona para proporcionar certo caos na tentativa de desestabilizar o ritmo da partida. Em um panorama mais 'normal', também é muito indisciplinado no posicionamento e dá brechas para qualquer um explorar. Nosso jogo fluiu - de certa forma - quando os atacantes se aproximavam nas costas dos dois.


As primeiras (quase) chances surgiram com Lukaku recuando e armando com sua subestimada capacidade de articulação. A oportunidade clara foi após um lindo passe de Matic e a corrida incisiva de Martial. O francês bateu mal e parou nos pés de Dúbravka, mas logo em seguida estava pisando na área novamente para finalizar. Nossos melhores momentos tiveram a participação de Romelu, que trabalhou bastante. Um passe sensacional para Sánchez deveria ter se transformado em assistência, mas o chileno hesitou demais na frente do gol.


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Ganhando duelos, incomodando a defesa e articulando muito bem, Lukaku foi um dos poucos que se salvaram


A performance não era boa e precisávamos de algo diferente, o que ficou mais difícil ainda aos 20 minutos da etapa final, na bola parada. Com uma organização defensiva que não vemos nem em peladas na praia, o United simplesmente assistiu Ritchie completar o pivô de Gayle e abrir o placar. Reiniciamos o jogo já com duas trocas: Carrick e Mata substituíram Pogba e Lingard, fracos novamente. O espanhol ficou na direita, Alexis centralizou e Martial voltou para a esquerda. A princípio melhor assim, mas o efeito hoje não foi positivo. 


Rafa Benitez e seus comandados têm diversos méritos pela atuação, mas a realidade que trazemos de volta para o Old Trafford é outra. Perdemos para uma equipe que não vencia dentro de casa há quase quatro meses e estava na zona de rebaixamento. O título é do City e Mourinho precisa, nas rodadas restantes, dar um jeito de construir uma equipe a fim de facilitar as coisas para 18/19.