Fim de temporada: em 180 minutos, United jogou 6 e mereceu ser eliminado

Depois de uma atuação fraca e preocupante no Ramón Sánchez Pizjuán, o United precisava mudar a postura e a intensidade para o jogo da volta. Não é errado adotar uma estratégia defensiva na Champions, mas o que aconteceu na ida colocou uma pressão enorme nas costas de cada jogador. E Mourinho. Reforcei até nos textos mais melancólicos que temos um treinador conhecedor do futebol - e ainda consegue produzir performances clínicas, mas essa é uma equipe que não joga. Em 180 minutos, tentou alguma coisa nos últimos 6 e alguns momentos esporádicos.


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A vitória sobre o Liverpool foi uma das mais legais da temporada e serviu de aperitivo para essa grande decisão, mas tivemos alterações em vários sentidos. A principal consiste na mentalidade (um pouco) mais ofensiva, indo contra a aula de controle sem bola no derby. E a escalação trouxe os elementos restantes, com trocas importantes e falhas. Fellaini assumiu a posição de McTominay e simbolizou a fé em um dos artifícios que podem dar certo com esse elenco.


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Mais um fracasso para nossa coleção pós-Ferguson


Visto que os dois gols no sábado saíram de lançamentos do goleiro, é compreensível a tentativa de potencializar esse recurso. Só não dá pra, em uma das agremiações mais ricas do planeta, depender de um único lance. Lingard na vaga de Mata foi a outra mudança visando tal cenário, abdicando do controle do espanhol pelas infiltrações do inglês. Assim como seu conterrâneo Rashford fez com maestria nos pivôs de Lukaku, centro de toda essa situação específica. Por baixo, porém, a equipe visivelmente ficaria menos criativa.


O meio em tese era bem mecânico e os garotos lá na frente não têm características de armação, colocando o peso nas costas de quem vem forçando bastante ser esse '10'. Sánchez precisaria manter sua vontade de articular, mas diminuir a afobação que motivou suas performances medianas nas recentes rodadas. E nos minutos iniciais a impressão foi positiva. O chileno começou na esquerda, mas realmente foi tratado como o coração das jogadas.


Lingard teve papel de terceiro homem de meio-campo, começando na mesma linha de Fellaini e partindo com incisividade para receber. A plataforma para a posse chegar nele era a combinação de Alexis com Lukaku, que se aproximava com frequência e tinha função tripla: fazer a referência, articular e - como consequência - abrir espaços. Novamente, portanto, parecia termos um plano. Nossas melhores atuações surgem nesses moldes, sem representar um conjunto aleatório e desprovido de visão alguma. Pena que durou 10 minutos.


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Faltava alguém com qualidade pelo meio, mas essa substituição conseguiu piorar as coisas. Acredite


Aquela esperada falta de criatividade deu as caras e, para piorar, se somou com a velha e péssima saída de bola. Com efeito, o possível impacto de Sánchez foi reduzido e motivou até uma inversão de lados durante a primeira etapa. Jesse ficou na direita e Marouane foi deslocado para a esquerda no centro do 4-1-4-1; isso em certos instantes, com a formação original seguindo na maior parte do tempo. De qualquer forma, N’Zonzi e Banega eram os donos da zona que queríamos atuar.


Nosso rendimento melhorou (bem) razoavelmente no período final. O camisa 7 começou a acertar e os laterais subiram com liberdade, esticando a marcação adversária e descongestionando as jogadas. Como efeito colateral, o espaço - que já era grande - para os contragolpes dos espanhóis se abriu e Correa só não marcou por um desarme heroico de Bailly. Ainda faltava um elo de ligação na intermediária/ataque e Pogba foi introduzido, mas decepcionou fortemente. Um show de horrores do nosso maior trunfo.



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O jogo, portanto, não fluía de jeito algum e parecia que o resultado teria de ser conquistado na marra. Isso se fosse para o lado mandante, já que os visitantes construíam suas investidas com maior lucidez. Nos 180 minutos, as melhores chances foram deles e com precisão já estariam classificados. Venho falando que o pior aconteceria quando De Gea parasse de operar milagres a cada semana e hoje foi exemplo disso. Ben Yedder, o artilheiro que veio do banco lá e aqui, precisou de dois toques para marcar duas vezes.


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A reação mais desolada com a derrota foi justamente de quem menos mereceu. Lukaku foi - e é - um gigante no meio desse time


Para simbolizar o fim de mais uma temporada deprimente, se encaixa bem falar que começamos a jogar depois de sairmos perdendo. Mourinho chegou para implantar uma mentalidade vencedora - e até certo ponto conseguiu -, mas seu United depende demais de fracassos para pensar em atingir o sucesso. A classificação para a UCL está perto de ser garantida, então a Premier League não anima. E Copa da Inglaterra, apesar de todo o prestígio e história, não deve aliviar as frustrações de um clube de topo.


Se é que o United ainda é um.