United 0-1 West Brom: derrota para o lanterna sacramenta a superioridade do City

O United vinha de dois jogos marcantes na temporada e a expectativa contra o lanterna da Premier League era de goleada. Há duas semanas, diante do Swansea, fizemos uma das melhores atuações em 17/18 e no último sábado a virada no Manchester Derby entrou pra história. Uma pena que não somos competentes o suficiente para passar um único mês sem vergonha. O West Bromwich, que será rebaixado para a Championship, nos derrotou em Old Trafford e garantiu o título para o outro lado da cidade. 


ESPN.com.br | Manchester United perde para West Bromwich, e Manchester City é campeão da Premier League com 4 rodadas de antecedência


O City, rodeado de questões sobre as cifras investidas tanto na sua aquisição quanto na montagem do elenco, coincidentemente terá como vice um rival que precisa de umas lições. Somos o clube mais rico do mundo e não podemos colocar asteriscos com vista nos gastos alheios, isso é indiscutível. Com uma história invejável e cofres abastados, novamente ficamos bem atrás. Não acabamos a PL na frente dos azuis desde 2012/13, a última campanha de Sir Alex Ferguson.


Getty Images
Getty Images

Nossa história é maravilhosa, mas sem evolução não há preservação de status. Desde a saída de Sir Alex, o City nos superou


Com Moyes, Van Gaal e Mourinho no comando, a diferença em pontos foi: 22, 9, 0 (desvantagem no saldo), 9 e, atualmente, 16. Por mais que eu considere sensacional nossa superioridade no peso dentro do cenário global, o campo e a bola nos mostram o contrário recentemente. O anticlímax no Etihad é visível, já que em dezembro não era absurdo cogitar que fariam uma temporada perfeita. A eliminação na Champions brecou os ânimos, mas quem acompanhou o inglês desde o início sabe da soberania citizen.


Vamos para o jogo, que por várias vezes flutuou entre a importância e a insignificância - e acabou decidindo a taça. As mudanças na escalação pareciam desnecessárias, considerando os 18 lugares que separavam as equipes na classificação. Lindelof por Bailly não gera um impacto direto, mas Herrera na vaga de Lingard era uma alteração excessiva. Os baggies podem já não ser aquele conjunto bem montado e difícil de ser batido, mas continuam com um estilo baseado na marcação em bloco lá atrás.


Precisaríamos encontrar formas de manipular o posicionamento dos adversários, abrindo espaços para as infiltrações que renderam nossos gols nas recentes rodadas. Jesse era a peça ideal para esse tipo de cenário, dado sua capacidade de conectar os companheiros de ataque e exercer influência sem a bola. No primeiro tempo, inclusive, fez mais sentido discutir as ausências e os artifícios faltantes do que os ocorridos dentro das quatro linhas.


Getty Images
Getty Images

O United precisava de Lingard, mas não teve jeito. De qualquer forma, o inglês é um dos poucos que se salvam de culpa nessa temporada


Sánchez e Mata não são pontas e naturalmente centralizavam, mas acabavam gerando um congestionamento que se tornou empecilho. Pogba e Herrera já estavam por ali e a coordenação nos movimentos não criava linhas de passe; pelo contrário, era cada um tentando por si e parando na pressa ou na lentidão. O timing das ações não incomodava em nada a compactação pretendida - e praticada - pelos visitantes.


Mourinho pelo menos identificou os problemas durante a partida. Lingard recuperou a vaga de Ander logo no intervalo e, no primeiro minuto, se encontrou em ótima posição dentro da área - tendo o chute travado por Hegazy. Young estava sozinho na esquerda e praticamente desperdiçamos uma zona do campo, motivando outra substituição. Pogba, já com cartão amarelo e cometendo faltas perigosas, deu lugar para Martial.



Curta o Old Trafford Brasil no Facebook



Por alguns instantes o efeito foi positivo, dando a impressão de que o placar seria inaugurado. Mas não durou muito. Continuamos tropeçando nas próprias fraquezas, precisando forçar o jogo diante do último colocado. Em um lance isolado, Jay Rodriguez balançou as redes e na hora fez morrer os ânimos de Old Trafford. Nem as tentativas no final davam razão para algum tipo de torcida, já que o título rival era inevitável. E merecido.


Getty Images
Getty Images

Guardiola está bem à frente de Mourinho, que vê sua sombra ao espanhol diminuir a cada temporada


Nossa sala de troféus será maior por algum tempo, mas eles nos superaram. A única forma de reverter é dentro de campo. Infelizmente, lá conseguimos visualizar um plano bem estruturado e sob o comando de um treinador espetacular. Aqui, ainda temos dificuldade para identificar os mínimos traços de planejamento - e nosso técnico continua pagando por seus próprios erros.