United 2-1 Tottenham: um triunfo coletivo comandado por Mourinho

Mais uma vez, o United começou um jogo importante sem colocar o pé no acelerador. O Tottenham, jogando em sua casa temporária, foi soberano por uns 20% do embate. Mas fomos levantados pela disposição de Pogba e ajustes feitos por Mourinho, enquanto Pochettino mostrou que ainda precisa aprender com treinadores como o português. O lado vermelho de Wembley pesou e estaremos lá na final da FA Cup, contra Chelsea ou Southampton. Se vier mais uma aula tática e o elenco corresponder, as chances de conquista são grandes.


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A escalação foi praticamente toda a prevista na quarta-feira, mas reservou uma mudança curiosa. Jones havia ficado mais de dois meses no departamento médico, voltou muito bem contra o Bournemouth e ganhou a titularidade ao lado de Smalling. Merece seus minutos, só que o problema aparece quando o melhor zagueiro do clube fica fora de uma partida decisiva. Bailly nem no banco esteve e a situação já é tratada com estranheza pelos jornalistas britânicos.


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Vocês me assustam, mas de alguma forma conseguimos chegar em outra final


Com a bola rolando, no início vimos pouco da mesma. Pochettino armou seu time em um 4-2-3-1 equilibrado para controlar as zonas centrais e ativar as infiltrações de seus produtivos atacantes. A elogiada energia e agressividade de Herrera foi usada contra ele nesse cenário, com Dier e Dembélé atraindo a pressão e soltando pra Eriksen e companhia. Kane recuava para criar superioridade e fazer o que Alli não fazia com a posse.


Porque estava concentrado em simplesmente 'se esconder', guardar suas ações para momentos decisivos e identificar brechas na linha defensiva. Foi assim que abriu o placar, se aproveitando do quão ridículo é formarmos um back four com Valencia, Jones, Smalling e Young em pleno 2018. Parecia que o ritmo continuaria nessa direção, mas achamos o empate e passamos a controlar. Não exatamente a bola, mas marcando com mais convicção e chegando ao ataque em conjunto.


O lance do 1 a 1 foi marcante, novamente com Pogba respondendo às críticas que surgiram descabidamente nos primeiros minutos. Se as reclamações tocavam no ponto da vontade (nada mais raso que isso), não faltou na dividida com Dembélé. Se é que podemos chamar assim; o belga nem deu trabalho para o francês, que o desarmou e deu uma assistência brilhante para Sánchez.


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Can't touch this: a diferença nos níveis de ambos ficou bem exemplificada nessa partida

Comparações entre os dois jogadores nunca fizeram sentido, mas existiam na mente de alguns. São patamares diferentes e felizmente levamos muita vantagem nesse duelo imaginário. O jogo estava marcado pelas transições, acompanhamentos individuais e um panorama de caos, mas o segundo tempo começou diferente. Equipes bem postadas, eles com a bola e a gente tentando negar terreno. Conseguimos proteger o centro, com Matic e Herrera fazendo atuações consistentes.


Os flancos traziam certa preocupação, principalmente na esquerda. O posicionamento de Young é algo sofrível e, diante de atletas inteligentes, gera lances perigosos lá atrás. É basicamente a postura que Mourinho vê em Shaw, deixando de enxergar as falhas gritantes em seu protegido titular. Aos poucos tomamos conta do meio-campo e a performance na frente foi ótima. Não eram jogadas apressadas e forçadas, mas fluidas ao ponto certo.



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A ocupação de espaço de Pogba melhora consideravelmente nossa plataforma para atacar, sendo um lado positivo do 4-3-3. Lukaku, Sánchez e Lingard se aproximavam com frequência e rodavam bem a bola, desgastando a contenção adversária e dando um descanso para a nossa. E contamos com um elemento surpresa que não existiu em boa parte da temporada: Herrera, confiante e finalmente jogando 100% do que sabe, foi perfeito na marcação e coroou a performance com o gol da vitória.


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Pelo trabalho em todo o campo e pelos ajustes durante os 90 minutos, esses dois foram os personagens do triunfo


Em jogada que passou pelos pés do supracitado trio, após um daqueles pivôs soberanos de Romelu. A defesa se ajustou dentro do confronto, o meio foi dominante e o ataque produziu. No geral, uma apresentação convincente e suficiente para chegarmos na final com status de favoritos. Isso não costuma ser bem recebido por Mourinho, então vai ser interessante observar a postura na decisão. As críticas ao seu trabalho são justas e discutidas a cada semana, mas confio por dias como o de hoje. Que se repita para a temporada terminar em alta.