United 2-1 Arsenal: com homenagens e derrota, a despedida que mais se encaixa para Wenger

Nos últimos anos o tratam com certo tom de piada, sofrimento ou dó, mas Arsene Wenger foi um dos maiores rivais históricos do United. O francês não proporcionou apenas evolução, mas sim uma revolução no futebol inglês e frequentemente travava disputas espetaculares com Sir Alex Ferguson. Um motivava a melhoria do outro, enquanto as torcidas eram presenteadas com narrativas sempre intensas. Intensidade não foi a palavra para a última visita do Arsenal ao Old Trafford com o icônico treinador no comando, mas o adeus foi poético: o Wengerball derrotado pelo Fellainiball.


ESPN.com.br | Manchester United vence Arsenal em dia de homenagens a Wenger


Nossa escalação teve força (quase) máxima, enquanto os gunners usaram apenas Xhaka e Bellerin do time titular. Já seríamos favoritos em circunstâncias normais e o cenário aumentou a obrigação da vitória. Os visitantes conseguiram estabelecer momentos de controle e ataque aos espaços, facilitados pela marcação mais leve do que o normal. Matic era atraído pelo movimento imprevisível de Maitland-Niles, Pogba estava preocupado com o contragolpe e Herrera pressionava do seu jeito - sem tanta lógica coletiva.


Getty Images
Getty Images

Uma foto de peso; dois dos maiores treinadores da história prestaram homenagens ao francês que mudou a forma de um país pensar o futebol


Isso abria brechas entre as duas primeiras linhas, onde Nelson e Iwobi se posicionavam para reciclar a posse em áreas perigosas. Ao mesmo tempo, Mkhitaryan e Aubayemang faziam infiltrações nas costas da zaga e em alguns momentos ameaçaram De Gea. Os anfitriões pareciam mais perigosos quando atacavam em bloco, estimulando conexões entre o quarteto ofensivo. Quando conseguiram trocar passes perto da área, o resultado foi bola na rede.



A partida de hoje marcou outros fatos:


- O United está classificado para a Champions League de 2018/19;


- Foi nossa 5ª vitória consecutiva contra clubes do 'top 6': Chelsea, Liverpool, City, Tottenham e Arsenal foram derrotados em sequência;


- Mourinho ampliou sua superioridade sobre Wenger: em 19 confrontos, agora são 10 vitórias, 7 empates e apenas 2 derrotas.



Também tínhamos espaços constantes para criar, porém, e a impressão que ficava era de pouco proveito das situações. Erros bobos no timing das ações atrasavam lances que poderiam ser incisivos e acabamos direcionando muito a bola para o lado direito, gerando previsibilidade. E falta de precisão, considerando que nosso lateral por ali tem um cruzamento terrível. Mesmo com potências como Lukaku e Labile na área, a melhor opção com Valencia é o toque curto para algum companheiro mais produtivo.



Curta o Old Trafford Brasil no Facebook



Caso contrário, desperdiçamos ataques a todo instante. Muito se fala do meio-campo e da necessidade de um canhoto lá na frente, mas vejo uma escassez de qualidade gigante nas laterais. Substituiria ambos já para a próxima temporada, mas isso é tema pra outro post. No jogo de hoje, continuamos falhando na bola final e dando chance para o azar. Era partida para até buscar uma goleada, dado a concentração, a qualidade e a prioridade das equipes. Pena que conseguiram até levar gol de Mkhitaryan.


Getty Images
Getty Images

Na disputa individual entre os negociados de janeiro, Mkhitaryan levou a melhor; Martial em alguns minutos fez mais do que Sánchez em 90


A performance na segunda etapa era super fraca e estava claro que algumas coisas precisavam mudar, mesmo sendo de forma forçada. Lukaku sentiu em dividida com Mavropanos e deu seu lugar para Rashford, que continuou na referência quando Martial substituiu Lingard. O francês foi pra esquerda, Sánchez ficou na direita e pelo menos a dinâmica melhorou. Com o chileno combinando com Young, as jogadas sempre ganhavam um propósito central e tiravam velocidade.


Anthony dava opção em profundidade, alargava mais o campo e, com a posse, partia pra cima da marcação. Fellaini pegou a vaga de Herrera e assumiu a missão de se impor fisicamente na área, tendo em vista a ausência de Romelu. Poeticamente, o estilo vistoso de Wenger deu adeus ao Old Trafford após um gol de cabeça de um dos jogadores menos técnicos do confronto. Mesmo com o desempenho pouco inspirado, a impressão nos últimos minutos era de que alcançaríamos a vitória. E aconteceu.


Getty Images
Getty Images

Merci, Wenger: a admiração pelo seu trabalho permanecerá, mas antes disso Fellaini finalizou a história


Por mais que os clássicos tenham sido marcantes, competitivos e importantes para a evolução de ambos os clubes, a superioridade do United na era Premier League é indiscutível. Um fim como deveria ser.