Brighton 1-0 United: Martial, Fellaini e sinais de mediocridade

Continuamos nossa procura por aspectos interessantes em confrontos sem significado algum. Vitória, empate ou derrota no Amex Stadium nesta sexta-feira fariam pouca diferença, mas novamente mudanças na escalação deram a impressão de que a experiência de assistir à partida não seria apenas uma obrigação. E deu pautas diferentes para o texto. O problema é que foram 90 minutos angustiantes e ninguém via a hora do apito final. Nada a comentar, basta dizer que foi o roteiro conhecido por todos.


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Ao fim da temporada farei posts individuais sobre cada assunto em evidência, mas duas situações chamaram a atenção nas últimas semanas. Alguns jornais britânicos reportaram que Martial poderia estar de saída na próxima janela, buscando novos ares e garantia de tempo de jogo. A chegada de Alexis Sánchez cortou seu momento - que, não se esqueçam, era muito bom - e Mourinho parece agir com estranheza a respeito do atleta.


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Apesar da vontade por sua permanência, o desempenho em Brighton foi ruim - assim como o resto da equipe


Penso que as todas as partes envolvidas vão chegar a um acordo e o teremos no elenco de 18/19, mas fica uma dose de incerteza. Analisando friamente o cenário, podemos identificar um padrão: o clube vem servindo de cemitério de talentos desde a saída de Ferguson, com raras exceções. Dois camisas 7, Di Maria e Memphis chegaram badalados e pouco tempo depois saiam com um gosto amargo. Algumas das razões para suas idas eram compreensíveis, mas o fato é que ambos fazem ótimas campanhas atualmente, por PSG e Lyon.


E, no caso do francês, precisamos ir mais à fundo. A lembrança do argentino e do holandês serve apenas como perspectiva do cenário pintado recentemente em Old Trafford, mas Martial está em outro patamar - em termos de produtividade. Não falamos apenas de um talento incubado, com poucas demonstrações para a torcida (como Depay); é um dos membros que mais produzem futebol no plantel.



Os argumentos deste texto pouco tem a ver com a derrota para o Brighton. Martial teve uma atuação fraquíssima, mas no cenário geral tem uma campanha positiva em um time negativo. Fellaini simplesmente assistiu ao jogo do gramado, mas não vai ser criticado por Mou. Seus atletas de confiança (a maioria) são os piores possíveis.



Somando gols e assistências (21) em 17/18, Anthony só perde para o incontestável - em desempenho e titularidade - Lukaku. Isso passando por várias 'mini-fases' em termos de status na confusa ordem de preferência de Jose. Não é pouca coisa e fica a torcida para que esses compromissos derradeiros sejam de brilho e produtividade - hoje, definitivamente, não foi. Não porque ele precisa provar algo, mas para ganhar motivação e a vontade de sair - por menor que possa ser, não sabemos - diminua.


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Uma rara imagem de Fellaini próximo da bola na partida; foi figura inexistente no ataque e na defesa (Pogba também foi mal)


A outra história nos envolvendo gira em torno de Fellaini. E, vendo com um olhar próximo e passional ou distante e racional… não faz sentido de qualquer forma. Basicamente, o belga deixou seu contrato se aproximar do fim (junho/18) por se sentir subvalorizado e agora faz exigências para renovar com o clube. Toda pessoa com o cérebro em dia pensa: ok, momento ideal para deixá-lo sair. Não para seu José Mourinho.


O treinador já formalizou três contratos diferentes para o jogador nos últimos 10 meses, cada um com um cifra maior no salário; nas conferências de imprensa, fica clara sua vontade de convencê-lo a permanecer em Old Trafford. Relacionando o tema ao embate de hoje, qual é a contribuição de Marouane para o rendimento da equipe? É praticamente nula. Tirando seus esporádicos gols em lances de desespero, jogamos com um a menos.



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Muitos dizem que o United joga um futebol bem abaixo do nível capaz de atingir. E, (não) coincidentemente, Fellaini representa um profissional bem abaixo do nível que devemos ter em sua posição. É um casamento perfeito da mediocridade que assola a agremiação há alguns anos e, enquanto nos livramos de certos problemas pessoais, estruturais e psicológicos, lutar para manter um jogador fraco é negar a evolução.


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A luta pela permanência de cada um não reflete a qualidade - e produtividade - de ambos


Se é que essa evolução vai existir. É um processo, mas os passos são muito curtos e isso tira boa parte das expectativas.