Troca entre Martial e Willian não seria boa para o United

Depois das notícias cada vez mais quentes sobre Fred, outro convocado por Tite para a Copa do Mundo está sendo especulado no Manchester United. Mourinho é um grande fã de Willian e estaria disposto a usar Anthony Martial como moeda de troca para tê-lo em 18/19. São dois bons jogadores envolvidos em um cenário confuso para ambos, desde a valorização atual até as perspectivas futuras na carreira. O brasileiro acaba de ser votado pelos companheiros como o Player of the Year, mas nem todos os torcedores concordam sobre sua contribuição.


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Apesar de o talento ser indiscutível, acredita-se na necessidade dos blues em contar com atletas mais produtivos em seu ataque. O ex-Corinthians anotou 6 gols e deu 7 assistências na recém-encerrada Premier League, atingindo uma marca menor que a do nosso contestado meia central, por exemplo. Paul Pogba participou diretamente de 16 gols, partindo de posições recuadas e tendo que se encaixar em um sistema cheio de falhas.


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Willian é um ótimo jogador, pode até ser titular na Copa e não deve ser menosprezado; se vier em troca com Martial, porém, não vai acrescentar


Os problemas estruturais não são exclusividades nossas, é claro, levando em consideração que Antonio Conte pouco ofereceu para seu plantel em termos de possibilidades ofensivas durante as partidas. Foi uma equipe dependente de jogadas como o cruzamento de longa distância de Azpilicueta para o meio da área ou as chegadas diagonais do limitado Marcos Alonso. Ter Giroud como uma contratação de desespero dá uma noção do panorama em Stamford Bridge.


Dentro desse cenário, o ponta - que não foi titular absoluto - precisou se desdobrar em algumas ocasiões e esbarrava na falta de suporte. Ou na ausência de qualidade, tendo Moses ou Zappacosta fazendo a ultrapassagem e eventualmente dando opção de tabela. Brilhou em confronto de peso, representando em uma peça só basicamente toda a ameaça do conjunto diante do Barcelona pela Champions League. Martial muitas vezes tentava iniciar lances 'diferentes' (para estratégias rígidas como a nossa) e via o resto do time estático também.



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De qualquer forma, a questão aqui não é (apenas) o encaixe em seus respectivos clubes, mas sim a capacidade de cada um. A supracitada produção de Willian se deu em 1883 minutos, o que resulta em uma média agradável, mas se esse for um dos parâmetros de julgamento a discussão nem deveria começar. Em uma campanha marcada por altos e baixos, fases distintas no quesito individual e coletivo e desgaste na relação com o treinador, o francês fez 9 gols e deu 5 assistências em 1584 minutos.


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O brasileiro fez uma boa temporada, mas viveu fases conturbadas assim como o francês


Números não dizem tudo, mas se formos ampliar a amostra para a trajetória inteira no Campeonato Inglês, a vantagem (na média) novamente vem com disparidade: em 163 aparições, o brasileiro marcou 25 gols e 20 assistências, contra 24 e 15 de Tony nas 86 vezes que entrou em campo. Tratando do desempenho 'geral' de ambos, no momento não vejo tanta diferença. A impressão final pode ser de que a temporada de um tenha sido sensacional e a de outro decepcionante, mas precisamos de perspectiva.



Falo mais do desempenho de Martial e a falta de sentido em sua saída nesse texto



Não podemos esquecer que Martial começou 17/18 impressionando e, com sequência, chegou a ser um dos destaques da competição. Enquanto isso, Willian era questionado em Londres e diversas vezes foi preterido por Pedro ou Fabregas. Entre a metade de outubro e dezembro, foi um reserva que entrava no segundo tempo. E o Chelsea teve sua melhor fase na campanha, com apenas uma derrota.



O impacto de Martial está dentro e fora das quatro linhas, já que como personalidade e marca o francês é sucesso absoluto entre os jovens. Na China, um mercado de extrema relevância, ele é o terceiro atleta mais popular - perdendo apenas para Messi e Cristiano Ronaldo. Não que esse seja um fator essencial, mas é uma demonstração de como um está em ascensão e o outro possivelmente cairá no esquecimento daqui algumas temporadas.



A percepção de alguns trata essa disputa com supremacia absurda de algum, mas isso não existe. Caso o brasileiro chegue para o lugar de Mata, considero uma contratação aceitável e positiva em vários aspectos. É um atleta habilidoso, criativo, mais móvel e constante que o espanhol e ainda tem o plus nas bolas paradas e chutes de fora da área. O problema está especificamente nessa possível troca, envolvendo ou não alguma grana adicional.


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O melhor jovem do mundo em 2015, ano em que chegou em uma liga complicada e terminou a temporada como o destaque do seu time


Cada um tem suas preferências, inclusive de estilo e função desempenhada no gramado, mas além de todos esses argumentos o principal ainda nem foi citado. Em agosto, Willian terá 30 anos e estará prestes a entrar em declínio físico, limitando sua expectativa em rendimento e perspectiva de revenda. Martial, nosso melhor jogador de linha em 15/16 e Golden Boy mundial em 2015, tem 22 e deve evoluir consideravelmente o que já é um produto cheio de valor. Não vejo um efeito empolgante com essa possibilidade de troca.