Derrota na FA Cup simboliza a temporada decepcionante do United

O título seria devidamente comemorado, mas poderia mascarar a falta de evolução em 17/18. A temporada prometia, mas acaba com um gosto amargo e plantando várias dúvidas na cabeça do torcedor. Creio que todos relevariam a ausência de uma taça em caso de desenvolvimento evidente do trabalho, mas pouco se viu nesse sentido. O United deu a impressão de que poderia brigar quando, com seus talentos soltos e confiantes, teve um início espetacular. Mourinho tirou a sequência de alguns e, de lá pra cá, vivemos de irritação com o plano geral e de ânimo com uns lampejos. 


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O record nos clássicos é um dos fatores positivos e certamente nos trouxe momentos marcantes, como a virada no Manchester Derby, mas até isso se tornou irrelevante depois da disparidade para o rival. Mais pro oeste, o Liverpool terá a chance de conquistar a Champions League no dia 26. Competição em que fomos eliminados para o sétimo colocado do Campeonato Espanhol, vale ressaltar. Em Londres, até o super limitado Chelsea ergueu um troféu. Resumindo? Novamente estamos mais esperançosos com a janela de transferências do que com as próprias partidas.


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Junto com Lukaku, De Gea consegue sair dessa temporada com uma reputação ainda maior. E a dó de quem o assiste jogando atrás de Valencia, Jones, Smalling e Young


As preocupações começaram na escalação, mas isso já não nos surpreende. A ausência mais sentida foi a de Lukaku, que a cada jogo perdido dá novos sinais da nossa dependência em seus desdobramentos no ataque. A contratação foi vista como a chegada de um artilheiro, mas durante a temporada se desenvolveu um atleta capaz de (quase) tudo. Rashford pegou a sua vaga e mostrou como ainda está cru em vários elementos, apesar de ser uma promessa das grandes.


Seguindo o padrão visto desde outubro, o garoto pareceu desligado do resto do time e agia sem qualquer consciência coletiva. Seria aceitável se as jogadas individuais saíssem como planejado, e ele tem capacidade pra isso, mas há algum tempo esse não vem sendo o caso. Displicência e um fracasso em tomada de decisões resume o 2018 de Marcus. Pra ser justo, ele conseguiu ter impacto exatamente nos clássicos e isso pode ter o credenciado para maiores chances.



A direção deveria pedir uma tese de Mourinho para vê-lo tentando explicar a titularidade de Smalling e Jones (de ambos ou apenas um), enquanto Bailly esquenta o banco de reservas. Até os titulares sabem que o marfinense é o defensor mais qualificado do elenco - um dos melhores da Inglaterra - e, principalmente nos grandes confrontos, você simplesmente precisa escalá-lo. É uma situação até vergonhosa. 



O fato é que não funcionou, assim como a maioria das escolhas de Jose. Uma bem relevante foi a troca da formação, saindo do esperado 4-3-3 para uma espécie de 4-4-2 com um losango no meio. Lingard poderia ser beneficiado pelo sistema, já que sua melhor versão está na de um '10' móvel com espaço para atacar. Só que ele demorou para aparecer na partida. Se a movimentação dos atacantes foi constante e deu brechas para o inglês, a disciplina defensiva do adversário negou cada centímetro.


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Lingard costuma brilhar em Wembley e dessa vez esteve em sua função preferida, mas não teve impacto


Acredito que Mou tenha sido inteligente com esse esquema, mas os jogadores não conseguiam tirar proveito. Diante de um 5-3-2 extremamente estruturado, alguma coisa precisava ser feita para chegarmos perto da área com superioridade - ou igualdade. Valencia e Young acertaram o mesmo que eu e você - ou seja, nada -, mas pelo menos ocuparam o campo ofensivo e atraíram os alas. Consequentemente, nossas peças de ataque podiam se isolar com os zagueiros.


Não era o suficiente e, nos poucos momentos que incomodamos, o fator diferencial atendia pelo nome de Pogba. Dentro desse cenário, a marcação ganhava uma interrogação a mais quando o camisa 6 fazia suas infiltrações. De resto, Courtois não vinha trabalhando muito e felizmente tínhamos boas opções no banco. Lukaku e Martial entraram e a presença de ambos melhorou o jogo. O segundo foi superior a Alexis Sánchez com apenas 20 minutos no gramado.



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Tentou de todas as formas possíveis, foi o primeiro capaz de desestabilizar Moses e Azpilicueta e colocou um escanteio na cabeça de Pogba, que inacreditavelmente errou. O francês, portanto, termina 17/18 com a sensação de que faria o clube sentir sua falta caso o deixassem sair. Teve seus altos e baixos, abordados detalhadamente por aqui durante o ano, mas eu me recuso a vê-lo como dispensável em um plantel com tantos atletas decepcionantes.


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Essa pode ter sido a última partida de Martial pelo United. Na maior parte do tempo, ele teve que assistir do banco seus companheiros brigando com a bola


É triste que essa pode ter sido sua última aparição por aqui, mas esse não deve ser o foco hoje. O United teve uma boa exibição na etapa final e, não fosse por um pênalti, poderia estar comemorando o título do torneio. Mas não está. Terminamos a temporada sem notória evolução dentro das quatro linhas, com 19 pontos de diferença para o campeão da Premier League, eliminados pelo Sevilla na UCL e nada de troféu. Mourinho permanecerá e, como torcedores, precisamos apoiá-lo, mas ele terá que fazer bastante para voltar a convencer.