Alderweireld e a situação estranha na zaga do United

BBC, Telegraph e Mirror reportaram que o United abriu negociações por Alderweireld e a transação só não vai para frente se o Tottenham pedir uma grana absurda. Um dos donos do clube londrino, Daniel Levy é um dos diretores mais difíceis de lidar na Inglaterra e o mesmo já irritou Sir Alex Ferguson em diversas oportunidades. "Aquela experiência foi mais dolorosa do que minha cirurgia no quadril", disse o escocês sobre a transação envolvendo Dimitar Berbatov em 2008.


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Nosso vice chairman executivo, Ed Woodward começou na função em 2013 sendo alvo de piadas, mas depois se mostrou um funcionário muito competente. Então são duas figuras poderosas em uma queda de braço tratando de possíveis trocas - dizem que Pochettino é fã de Martial e gostaria de tê-lo em 18/19 - e o acerto dos valores. Acredita-se que uma proposta de £55M seria aceita, mas a parte deles tentaria aproximar a quantia dos £75M pagos por Van Dijk, contratado pelo Liverpool em janeiro.


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Levy é um negociador duro e pretende aumentar a pedida, portanto é possível que as conversas se prolonguem bastante


Desde a volta de Pogba, falo sobre como precisamos nos preocupar menos com o aspecto financeiro da maioria das aquisições. Estamos falando da marca mais valiosa do futebol e dona de receitas assombrosas, nos permitindo a aventuras 'ousadas' no mercado sem tanta margem de risco. De qualquer forma, quando os números chamam a atenção é plausível contextualizarmos o negócio. Teríamos uma bela adição ao elenco, mas se for para taxa de transferência chegar em um nível tão alto é visível que existem opções melhores.


Skriniar (23, Internazionale) e Koulibaly (26, Napoli) são jogadores vindo de temporada superior que a de Alderweireld (29) e devem compor as listas de defensores de elite por muitos anos. O belga completa 30 em 2019 e, em breve, entrará em um período natural de declínio. Apesar disso, só questionaria sua compra se fosse por aquela cifra exagerada. Nosso foco deve estar nos fatores que pesariam em uma eventual chegada. Resumindo, provavelmente, logo se encaixaria como um dos pilares do time.


E isso é um ponto extremamente positivo para uma equipe que sofreu bastante com a adaptação de bons talentos desde 2013. Toby começou sua carreira no Ajax e, já em 12/13, atraía os olhares dos scouts das grandes ligas, mas em 13/14 não conseguiu impressionar pelo Atletico de Madrid. Compreensível, visto que foi contratado para ser backup da sólida dupla formada por Godín e Miranda. A vinda para a Premier League deu a alavancada definitiva em sua trajetória.


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Alderweireld foi um dos principais jogadores do Southampton, que conquistou vaga na Europa League em 14/15


Seus 10 meses de empréstimo no Southampton foram suficientes para que tentassem exercer a opção de compra, mas os espanhóis cancelaram a cláusula e o negociaram com o Tottenham por apenas £11.5M. Na época, alguns já se perguntavam o porquê do United não ter entrado na briga por seus direitos. Smalling e Blind foram nossas peças 'confiáveis' na campanha seguinte. Três anos depois, ainda não sabemos exatamente em quem confiar. Ou o responsável pela escalação não sabe, para ser preciso.


Jones, de alguma maneira, conseguiu uma vaga no English Team, Smalling faz atuações respeitáveis mas seguidas de uns três jogos desastrosos, Rojo não voltou bem de lesão e Blind não existe mais. A qualidade de Bailly é indiscutível, mas sua situação é estranha. O marfinense se estabeleceu como um dos melhores da posição no país em 16/17, mas agora foi preterido por companheiros que claramente estão abaixo dele.



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As duas possíveis razões que ecoam nos bastidores também são esquisitas; a primeira é assumida por Mourinho. Ele garantiu que a titularidade do par britânico nos últimos meses se deu como um gesto de solidariedade à luta dos mesmos pela convocação de Gareth Southgate. Os outros estavam garantidos - ou com a seleção fora da Copa. Para um treinador conhecido pela linha rígida no tratamento de atletas que decepcionam nas performances, essa seria uma ação inexplicável.


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Levanta a mão quem não tem mais nível para a titularidade no Manchester United


O outro motivo pode passar pela irritação do português com o estado físico do marfinense. Duas lesões maiores - e algumas menores - o tiraram de praticamente cinco dos 10 meses que compuseram a temporada. É claro que o departamento médico precisa dar uma atenção especial ao caso, então compreende-se parcialmente a visão do técnico. Mesmo assim, é ridículo tratar um cara desse nível como se fosse qualquer um. Lindelof, por sua vez, também poderia ter sido mais valorizado em 2018.


Seus passos iniciais em Manchester foram tenebrosos, mas os sinais posteriores são positivos. O próprio psicológico foi abalado e isso poderia ter dizimado a probabilidade do rendimento aqui, mas o sueco se recuperou e apresentou ótimas atuações. Tudo ficou duvidoso no setor defensivo - pelo menos para torcida. Enquanto isso, Alderweireld fazia seu nome no White Hart Lane e em Wembley. Terminou sua temporada de estreia por lá com o prêmio de Player of the Year, além de ser escolhido para a seleção do Campeonato Inglês.


Em sequência, fez parte da defesa menos vazada da história do Tottenham, com apenas 26 gols sofridos na PL 16/17. Em 17/18 ele continuou fazendo boas exibições, mas um momento definiu a decepção com sua contribuição. Sem culpa própria, é claro: em novembro, o camisa 4 foi ao chão durante a vitória sobre o Real Madrid pela Champions League. Teve que ser substituído aos 24 minutos e, desde então, participou somente de sete partidas. Contusões acontecem e, em toda a carreira, somente três o tiraram dos gramados por mais de um mês.


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Suas temporadas de estreia pelos dois clubes que defendeu na Inglaterra foram espetaculares; em 15/16, foi candidato ao prêmio de Player of the Year pelo Tottenham - e venceu


Sobre o estilo de jogo, Toby se destaca por ir além das características de um bom zagueiro. Tem uma distribuição igualada por poucos na Europa e constantemente causa a preocupação dos adversários. Quem atua contra seus times sabe que, lá atrás, existe uma peça capaz de quebrar linhas com um passe incisivo por baixo ou por cima. Em nosso plantel, diria que apenas Pogba consegue dar um lançamento desses, por exemplo. A saída de bola é um aspecto sofrível sob o comando de Mourinho e, se o sistema não ajuda, é fundamental ter qualidade individual.


Crucialmente, o belga não é daqueles que impressionam com a posse e decepcionam sem ela. Na verdade, mesmo se tirassem todos esses atributos ofensivos ele estaria nas primeiras prateleiras. Forte fisicamente e veloz, potencializa esses elementos com uma compostura invejável. Seu poder de antecipação faz com que, no geral, seja difícil tirá-lo das jogadas. É um jogador que mantém a concentração durante os 90 minutos, como demonstrou várias vezes diante do próprio United - com direito a gol.


Que tudo isso tenha continuidade em Old Trafford. Alderweireld seria uma certeza para uma zaga de incertezas.