Diogo Dalot no United: um salto gigante em todos os sentidos

A situação na lateral direita do United divide opiniões. Assim como na esquerda, de certa forma dá pra dizer que não temos um rendimento em alto nível desde a aposentadoria de Sir Alex Ferguson. Naquela temporada de 12/13, Rafael fez ótimas exibições e foi o melhor da posição na Premier League junto com Zabaleta. O brasileiro saiu depois de um ano sob o comando de David Moyes e um com Louis Van Gaal, que inclusive o tratou de forma ridícula.


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A perda foi do clube. Se o ex-Fluminense não é nenhuma referência e sente falta do brilho de alguns "concorrentes", ele nos dava consistência, intensidade e boas habilidades ofensivas. Hoje, agrada no Lyon. Valencia, que era ponta e se transformou justamente com o treinador holandês, decepciona em vários aspectos. Seu perfil de liderança e o porte físico pode nos passar a sensação de confiança, mas, às vezes, isso engana - e devemos almejar por um patamar maior.


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A última vez que nos empolgamos com um lateral direito foi em 12/13, quando Rafael impressionou pela intensidade e qualidade constante


O desempenho pode trazer ações sólidas na defesa, com disciplina e força na dividida. Ter uma peça capaz de recompor com extrema velocidade em momentos de desespero é útil, como provado em 17/18. No geral, porém, é visível que seu retorno é mediano. O equatoriano tem a capacidade de se colocar em posições favoráveis, mas raramente tira proveito das mesmas. Suas tentativas de tabela não são das mais animadoras e o cruzamento, mesmo com Lukaku na área, dificilmente encontra um alvo.


É de se ressaltar que Antonio, em algumas oportunidades, serve de base para a troca de passes, ficando estático em alguma parte da intermediária e ajudando a rodar a bola. O problema é que seu repertório é pequeno e, diante de adversários qualificados, pode ser facilmente anulado. Existe também o fator previsibilidade; por não recuar tanto como uma peça defensiva e não avançar sempre como uma opção de profundidade, os rivais praticamente não se preocupam com nosso LD. A ameaça é curta e esporádica.


Mesmo assim, foi absoluto no XI inicial e esse não pode mais ser o caso. Sidibé (Monaco) e Cancelo (Internazionale) foram especulados, mas ao que parece nenhum desses virá. O nome do momento é Diogo Dalot, do Porto, que já teria inclusive acertado termos pessoais com nossos representantes. Segundo Jason Burt, do Telegraph, ativamos sua cláusula de rescisão no valor de 20 milhões de euros e, em breve, o jogador realizará exames médicos no CT de Carrington.


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Dalot é visto pelos scouts como um prospecto de primeiro escalão - e sua transição para o time principal foi muito boa


O rumor veio totalmente do nada e nos pegou de surpresa, mas tem fundamento; basta entendermos o que Mourinho deseja com essa contratação. A BBC reporta que o garoto de 19 anos é visto como potencial sucessor de Valencia, sendo utilizado inicialmente para fazer 'sombra' ao camisa 25. Ok, é visível que vamos precisar de novos ares na função para as próximas campanhas, mas o contexto desanima. Se Jose quer um conjunto pronto para brigar em 18/19 e reconhece a acomodação do seu titular, por que não buscar um reforço consolidado?


Reserva por reserva, Fosu-Mensah volta agora de empréstimo após boa temporada no Crystal Palace e aparenta estar pronto para ao menos competir. O holandês foi pro banco no Selhurst Park em março, com a ascensão de Aaron Wan-Bissaka e a recuperação do então lesionado Joel Ward, mas o saldo foi positivo. Por seis meses, foi um dos pontos fortes da equipe quando escalado na lateral (10 vezes) e na zaga (7); impressionou pela maturidade, velocidade e desarmes. Leroy Sané, do City, o classificou como o defensor mais complicado que ele enfrentou na Inglaterra.


É o suficiente para um backup. De qualquer forma, isso não diminui o valor que Dalot possivelmente nos trará. Ressalto que a expectativa era uma transferência diferente, mas centralizando a análise apenas no atleta eu vejo aspectos animadores. O português ainda nem completou 10 jogos como profissional - outro motivo que pesa pro lado negativo -, mas deu sinais que o solidificaram no radar de gigantes europeus.



Alvo também de Juventus, Napoli, Real Madrid e Barcelona, Diogo tem um perfil completo. O uso do seu físico não deixa a desejar para Valencia e Fosu-Mensah e o diferencial está nas ações com a bola. É habilidoso, não costuma se afobar para tomar decisões e usa do drible para sair da pressão. Sempre está oferecendo perigo com ultrapassagens até a linha de fundo e também aparece como elemento surpresa na área, fazendo corridas diagonais.


Cruza com precisão, o que é um alívio. No campo ofensivo, provavelmente logo estará em outro patamar em relação aos nossos laterais. Tem alta capacidade defensiva, principalmente no desarme e na interceptação. Marcando de forma mais rígida ainda é difícil avaliar, já que da base até o profissional seus times se organizaram em estruturas 'soltas' e, pela disparidade com os oponentes, ele não foi tão exigido. Uma única partida pode nos dar uma pequena noção nesse sentido, além de expressar sua versatilidade.



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Frente ao Liverpool, no jogo de volta pelas oitavas da Champions League, Dalot atuou pela esquerda e foi bem. Na verdade, quase todas as suas aparições com os principais foram pelo lado contrário do que ele jogaria aqui. Ou seja, estamos comprando alguém pelo desempenho com o sub-17 (ganhou a Euro em 2016), sub-19 e Porto B (segunda divisão nacional). Para o próprio jogador, inclusive, o negócio parece apressado. Ricardo Pereira, absoluto na LD, foi recém-contratado pelo Leicester e abriu caminho para que seu jovem aprendiz tenha uma temporada inteira como titular.


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Pelo dobro do preço, mas ainda em um valor bem aceitável, Mourinho podia contratar um dos melhores laterais da Europa nos últimos dois anos


Sua transição das competições inferiores para as maiores só trouxe empolgação, mas ainda em uma escala - e quantidade - pequena. A Premier League, por enquanto, pode acabar sendo um desafio grande demais se comparado ao seu nível competitivo. A qualidade inegavelmente está ali, mas sabemos o que vem acontecendo com vários talentos em Old Trafford. Fico com um pé atrás, portanto, por fatores como esse. O português não deixa de ser um ótimo prospecto para desbancar Valencia, mas poderia ser um jogador pronto.


Odriozola, da Real Sociedad, seria meu preferido. De um ano e meio pra cá, transformou potencial em realidade e fez duas temporadas excelentes em La Liga. Foi premiado com uma vaga na seleção da Espanha, que tinha Sergi Roberto e Hector Bellerín como opções e entra na Copa como favorita. Tem 22 anos e uma cláusula de 40 milhões de euros, completamente 'pagável'. O Real Madrid, inclusive, já teria se aproximado dele. Uma pena. De qualquer forma, ficaremos na torcida para que Dalot corresponda a um salto enorme na carreira.