A Copa do Mundo das estrelas do United

Alguns jogadores podem ter nos irritado durante boa parte da última temporada, mas a torcida sempre foi para que se saiam bem. Em uma competição tão relevante como a Copa do Mundo, isso não seria diferente e, por enquanto, o record é muito positivo. Onze dos doze possíveis avançaram dos seus grupos, muitos inclusive sendo essenciais no meio do caminho - ou no fim, né, Rojo? O único que voltou pra casa mais cedo foi Matic, derrotado pelo Brasil na última quarta-feira; suas performances foram boas, só que a organização coletiva superior da Suíça pesou.


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Matic fez uma boa Copa, mas foi o único jogador do United a ser eliminado na primeira fase - para o alívio de Mourinho, que quer vê-lo com um merecido descanso


De Gea, nosso Player of the Year e totalmente indiscutível pelo clube, viveu dias mais intensos do que se esperava. O camisa 1 falhou em um dos gols de Cristiano Ronaldo na estreia e deixou a bola passar por baixo de suas pernas em duas oportunidades. Na segunda rodada, o VAR anulou o lance do Irã. Na terceira, após Iniesta e Sergio Ramos baterem cabeça, o goleiro deixou Boutaib abrir o placar para Marrocos.


Surgiram algumas críticas nos jornais espanhóis e chegaram a especular a titularidade de Kepa Arrizabalaga, do Athletic Bilbao, mas Dave foi confirmado para as oitavas de final. Ele respondeu os pontos baixos com defesas importantes, uma fundamental em um 1v1 na última partida, e tem o que é necessário para se recuperar. Outro atleta que sabe muito bem como é ser alvo de contestações está calando um por um dentro de campo.


Pogba chegou com aquela pressão conhecida em suas costas e, logo no primeiro compromisso, foi imprescindível nas duas jogadas da vitória por 2 a 1 frente a Austrália. Deu um passe sensacional para Griezmann, que sofreu e converteu um pênalti, e depois infiltrou na área para 'dividir' o gol com o desvio do zagueiro. Sua capacidade de desequilíbrio no terço final estava clara, portanto Didier Deschamps resolveu potencializar esse aspecto.



Matuidi entrou na equipe como um 'falso ponta esquerda', recuando e centralizando frequentemente para dar liberdade às ações ofensivas de Paul. Dessa forma, ele foi um dos destaques do triunfo sobre o Peru. Pressionando a saída adversária, recuperou a bola que culminou no gol de Mbappe e teve uma atuação completa com e sem a bola - mostrando uma conexão forte com Kanté. É um dos melhores da sua posição no torneio.


Já neste sábado, enfrenta outra peça que acabou sendo heroica para a sua Seleção. Rojo nunca foi um primor em termos defensivos, mas teve fases muito boas em Manchester - sua parceria com Bailly em 2016/17 foi subestimada - e certamente protagonizou o momento de sua carreira na Rússia. Após voltar para o XI inicial de Sampaoli (ou Mascherano?) na decisão contra nigéria, o zagueiro já vinha fazendo uma exibição super elogiável e a coroou com um lindo gol aos 43 do segundo tempo.



Lembrando que Marcos costuma jogar bem pela Argentina e, no vice-campeonato de 2014, foi titular absoluto. E descobrimos que ele tem uma perna direita, algo questionado até por sua mãe. No grupo do Brasil, Fred infelizmente sofreu uma lesão no começo da competição e ainda não teve seus minutos, mas pode ser que em breve entre com certa regularidade. A equipe sente falta de uma presença qualificada na função dele, agora ocupada por Paulinho.


Seu jogo de participação constante é semelhante ao de Fernandinho, mas se Tite quiser manter a ameaça das infiltrações oferecidas pelo ex-Corinthians, nosso novo reforço é uma opção interessante. A Suécia foi uma das maiores surpresas e seu ponto forte está na estrutura apresentada pelos jogadores, principalmente no momento defensivo. Peça importante para o funcionamento é Lindelof, que formou uma zaga extremamente sólida com Granqvist.


Victor já apresentava pontos positivos em bloco baixo/médio de marcação pelo United e, até agora, vem provando que a capacidade existe. Basta Mourinho confiar e dar mais oportunidades para ele - que, na minha opinião, pode compor uma dupla excepcional com Bailly. Um de seus concorrentes em Old Trafford também passou de fase, mas sem um papel notável. Jones é reserva de uma Inglaterra renovada e que prioriza defensores com a saída de bola qualificada.


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Lindelof e Granqvist formam uma das melhores defesas do torneio


Walker, Stones e Maguire são os responsáveis por essas ações à frente de Pickford e, ao lado, contam com a presença do burocrático Young. O ex-ponta transformado em ala esquerda trabalhou em algumas trocas de passes na intermediária, mas pouco mostrou no último terço do gramado. Seu timing nas ultrapassagens não serviu para bater marcadores de Tunísia e Panamá, enquanto Rose impressionou mais diante da Bélgica. Acredito que possa perder a vaga.


No setor do meio-campo, a titularidade de Lingard está mais do que assegurada. O versátil jogador foi um dos destaques nas duas partidas que o English Team levou a sério, dando uma aula de movimentação e se colocando em posições que nenhum outro companheiro conseguiu. Fora isso, é um dos líderes nas ações de counterpressing, trabalhando bastante para incomodar o adversário nas transições. Como não poderia ser diferente, fez um dos gols mais bonitos do torneio.



Rashford é substituto, mas entrou nas duas primeiras partidas e foi escalado ao lado de Vardy na terceira. O garoto constantemente tenta mudar o cenário das jogadas e produzir momentos decisivos, mas ainda peca na sua tomada de decisão. Parece afobado em situações que fazer o simples traria mais benefícios para a equipe e, portanto, não se encaixa totalmente na filosofia elaborada de Southgate. Como alternativa para a individualidade contra defesas cansadas, porém, seguirá sendo importante.


Um dos oponentes de Marcus ontem foi Fellaini, figura que está em evidência pela mais recente notícia. Depois de meses de conversas, tentativas, alfinetadas (vindo do próprio atleta) e ofertas, o meia assinou a renovação de contrato por dois anos. Não vejo o menor sentido em lutar pela permanência de um jogador no máximo mediano, velho e ícone representativo do nosso retrocesso. Minha análise sobre o assunto está aqui e aqui.



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Voltando para a Rússia, Marouane conseguiu ter suas oportunidades em um conjunto totalmente técnico de Roberto Martínez. Teve uma atuação 'ok' contra a Inglaterra e viu de perto o ex-red devil Januzaj anotar uma pintura. Quem chama os holofotes na Bélgica, porém, é Lukaku. O atacante vem de uma temporada muito boa e demonstra evolução constante em seu jogo, colocando sua inteligência em prática nos quatro gols que já marcou. É uma aposta para a artilharia.



Quais são os seus destaques relacionados ao United nesta Copa do Mundo?