United 2-1 Leicester: sinais positivos na estreia

O planejamento pode não ser o melhor - se existir um -, mas quando a bola começa a rolar sabemos que o United tem qualidade para produzir bons resultados. A primeira amostra veio logo na estreia da Premier League, na vitória sobre o Leicester. Precisamos nos atentar a duas coisas: o time é capacitado e, com ajustes específicos que finalmente vão aparecendo na escalação, pode trazer certo entusiasmo. Entretanto, vale lembrar daquele início arrasador na última temporada. Vamos analisando esse (eventual) processo de desenvolvimento aos poucos.


ESPN.com.br | Manchester United sofre, mas vence Leicester na estreia da Premier League


Os sinais positivos apareceram já na escalação, que foi muito melhor do que esperávamos. Mesmo com Smalling e Jones a disposição, Bailly e Lindelof fizeram a primeira aparição como dupla em um jogo competitivo. Pogba demonstrou um ótimo estado físico e, mesmo treinando apenas por quatro dias, foi ao campo - e com a faixa de capitão. Quem sabe em breve não vira algo definitivo? Como vimos na Copa do Mundo, liderança ele provou que tem.


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Menos de 30 dias se passaram desde a final da Copa, mas Pogba se mostrou pronto para colocar o time nas costas novamente


E agora conta com um parceiro mais condizente com o nível que precisamos para o meio. Fred será peça importante e hoje debutou no campeonato, assim como Pereira - ele nunca havia começado uma partida da liga. Rashford e Mata ocuparam os espaços restantes ao lado de Sánchez. Depois do apito, perfeição: com 2 minutos e 26 segundos, Labile estava comemorando o gol de pênalti após pedir a bola para Alexis e assumir a responsabilidade.


E os momentos antes da penalidade foram ótimos também. Os meias abusando de lançamentos precisos e dando um indicativo do que pode estar por vir nessa campanha. Existiam questões sobre sua aptidão para proteger a defesa contra adversários mais físicos e exigentes, mas o fato é que Andreas manteve o nível da pre-season. Foi eficiente nos duelos e nos ajudou a desencaixotar as jogadas com escolhas inteligentes. Isso porque a oposição era forte.



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Claude Puel armou uma equipe extremamente preparada para um ritmo intenso e ações rápidas. Sabendo que não faríamos muitas perseguições individuais, o armador Maddison recuava diagonalmente para ter a posse e buscava os pontas. Ricardo Pereira, lateral de origem mas com características ofensivas, sempre ameaçava uma entrada na área e segurou o posicionamento de Shaw. O problema estava no outro lado, onde claramente tínhamos nosso ponto fraco.


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Andreas está aqui para ficar; foi eficiente com e sem a bola diante de um adversário agressivo e qualificado


Darmian e Mata na direita passam longe de formar um par convincente, portanto Chilwell e Gray buscaram explorar o setor. Os jovens ingleses partiam pra cima a cada oportunidade e tivemos sorte da zaga ser composta por Lindelof e Bailly. E termos De Gea em seu nível 'real', não aquele da Espanha. O counterpressing dos visitantes estava milimetricamente desenhado para brecar nossa projeção já na 'fonte'. Sentimos falta de opções entrelinhas no campo de ataque em certos instantes, alguém que serviria como válvula de escape.


Função costumeiramente desempenhada por Lingard; esse é um dos motivos da minha preferência por ele na vaga que está aberta. Sánchez teve uma exibição frustrante, nos lembrando da sua versão 2017/18. Teve várias 'oportunidades de criar oportunidades', mas deu um show de decisões erradas e parece novamente forçar seu papel no time. O chileno precisa entender que, com lances incisivos e corridas por trás da defesa, terá contribuído. O resto é um bônus.


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Mata participou bastante da articulação e merece os créditos pela partida


Não é necessário tomar conta do protagonismo a todo momento, ainda mais com esse trio central reformulado em nomes e esquematização. Deixa que Fred e Pogba cuidem da articulação e foque em incomodar a última linha de marcação. Na reta final, Mata coroou sua ótima performance com uma assistência para o primeiro gol da carreira (!) de Shaw. O lateral pecou em dois lances isolados lá atrás, mas quando chega do outro lado vai bem. Que tenha sequência para não precisarmos sofrer com Ashley Young.


Poderíamos ter dominado mais? Talvez. Mas a proposta de jogar no contragolpe é plausível e, com Rashford e Sánchez se precipitando menos na hora H, o placar seria largo. Levando em conta o ambiente que se desenvolveu nos últimos meses, o saldo da estreia foi positivo. Que venha o Brighton no próximo domingo. O que acharam da partida?