Burnley 0-2 United: os acertos em meio ao caos

Acompanhar o United é uma tarefa relativamente complicada. Como cansamos de debater por aqui e perceber a cada semana dos últimos anos, existem várias coisas erradas 'em andamento' e alguns pontos positivos que aparecem de vez em quando. A missão de qualquer um que queira desenvolver uma linha de raciocínio é contextualizar os fatores isolados - partidas, contratações, declarações, etc -, mas fica difícil quando a gente não sabe qual é esse contexto.


ESPN.com.br | Com dois gols de Lukaku, Manchester United vence Burnley e dá 'alívio' para Mourinho


Portanto, praticamente toda análise feita aqui se relaciona com uma conjuntura do que se considera ideal - ou perto disso - para a evolução do clube. Não exatamente com o cenário interno ou o que vai acontecer; até por isso a maioria das previsões otimistas que fizemos recentemente não se corresponderam. Podemos assistir à uma exibição convincente em estratégia, funcionamento coletivo e brilho individual e em certas fases até engatar sequências empolgantes. Depois voltar ao zero sem tanta dificuldade.



O jogo com o Tottenham e hoje, diante do Burnley, conseguiram nos trazer elementos dignos de elogios. O placar em Old Trafford foi vergonhoso e abalou de certo modo o ambiente, mas seria equivocado apontar o dedo para o rendimento dos jogadores ou o plano do treinador - tirando alguns detalhes. Já havíamos sentido os efeitos animadores de uma postura mais agressiva na segunda-feira e agora, no Turf Moor, o padrão se repetiu.


Como deve ser, pressionamos lá em cima um time repleto de fragilidades e, por 75 minutos, não demos chance ao azar. Doses necessárias de proatividade novamente apareceram e, como consequência, as peças claramente se sentiram mais confiantes e motivadas a entregar boas atuações. A zaga não foi exigida, fizemos uso inteligente dos laterais (algo que faltava em 17/18) e Fellaini-Matic formaram a base de uma estrutura que fomentou o impacto dos atletas de ataque.



Curta o Old Trafford Brasil no Facebook



Lukaku fez o que não vinha fazendo e o resultado mudou. Nas três rodadas anteriores o belga perdeu oportunidades claras e não fazia sombra ao atacante dominante que apreciamos na Copa do Mundo. Nesta tarde calibrou a finalização e, mesmo parando em Joe Hart em alguns lances, saiu de campo com dois gols e igualou o record de Didier Drogba (seu ídolo) na Premier League. Lingard foi ativo e importante para a fluidez do jogo e Sánchez finalmente foi Sánchez.


Getty Images
Getty Images

Alexis fez uma de suas poucas partidas convincentes desde que chegou e Lukaku colocou a finalização em dia. Como resultado, vencemos sem tanta dificuldade; precisamos disso com consistência


Shaw mais uma vez teve uma performance digna de Man of the Match, ganhando solidez defensiva em razão da condição física melhorada e servindo como uma nova contratação lá na frente. Sua participação na construção ofensiva oferece diversas possibilidades diferentes das que estávamos acostumados a ver com Young e outras opções menos qualificadas. Seja aparecendo para receber livre após uma inversão, fazendo a ultrapassagem sempre em um ritmo acima do adversário ou trabalhando por dentro em tabelas, se destaca.


O inglês falou na pre-season sobre o esforço que faria para mudar sua imagem, ganhar a posição através da meritocracia (mesmo que o chefe não valorize tanto esse tipo de filtro) e provar para si mesmo que pertence ao nível do topo da Premier League. Por enquanto cumpre perfeitamente com o prometido. Rashford entrou na vaga de Alexis - que saiu irritado - e em 10 minutos conseguiu ser expulso por iniciar uma confusão com uma cabeçada em Bardsley. Perderá 3 jogos e, sinceramente, não fará falta.



Shaw completou 90 minutos pela 4ª partida seguida, algo que não acontecia desde sua pesada contusão na perna em setembro de 2015.



Torço por ele e fico relativamente frustrado quando as coisas dão errado, mas faz pouquíssimo para ser tratado como peça importante. Enfim, Mourinho me agradou e desenhou a tática perfeita em duas partidas seguidas e há meses isso não acontecia. Pode significar uma 'virada de chave'? Considerando que em um desses eventos fomos humilhados - no placar - pelo Tottenham e o Burnley não venceu no tempo normal nos 10 confrontos que fez em 18/19, não.


Getty Images
Getty Images

Por enquanto, Shaw é o melhor jogador do United na temporada


Completando o pensamento iniciado lá nos primeiros parágrafos, a inexistência de um progresso linear faz com que cada semana no United possa pintar uma imagem que não tem nada a ver com o panorama completo. Vivemos em um ciclo composto por altos e baixos, ânimos e desânimos, e a simples verdade dessa frase transforma o cenário em algo mais negativo do que positivo. Então é difícil empolgar e criar perspectivas.


De qualquer forma, foi mais uma atuação com elementos visivelmente certeiros vindo da comissão técnica e do elenco. O que vocês acham?