Watford 1-2 United: Mourinho conta com um staff renovado para se reinventar

O Watford estava com 100% de aproveitamento, vinha de uma vitória com autoridade sobre o Tottenham e tinha feito mais de um gol em todas as rodadas. O United acabou com tudo isso, conquistou um triunfo merecido e pode engatar um ritmo convincente se conseguir unir pontos com evolução no jogo. Young Boys, Wolverhampton, Derby County (Copa da Liga), West Ham e Newcastle são os próximos adversários e devemos progredir até o embate com o Chelsea, daqui um mês e cinco dias em Londres. Na quarta-feira seguinte recebemos a Juventus pela UCL e a semana pode ser crucial para o andamento da temporada.


ESPN.com.br | Manchester United tira 100% do Watford e embala na Premier League


O resultado importa, é claro, mas o que agrada de verdade é notar certa sequência se construindo após uma mudança de postura. Aquele plano mais agressivo que até nos surpreendeu diante do Tottenham foi acompanhado de uma partida com imposição frente ao Burnley e o cenário - parcialmente - se repetiu hoje. O Joao Paulo Ferraz, nos comentários do último texto, trouxe um argumento interessante: a renovação da comissão técnica e os efeitos que aos poucos vão surgindo na equipe.


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Carrick e McKenna (dir.) representam novos ares nos ouvidos de Mourinho, algo mais do que necessário


Antigo companheiro de Mourinho, Rui Faria anunciou sua saída em maio e nenhuma reposição imediata foi contratada para a sua cadeira de auxiliar. Em vez disso, dois personagens já com trajetória no clube subiram para trabalhar diretamente com o treinador. Michael Carrick dispensa apresentações e, por mais que ver Fellaini na posição dominada com maestria por si deve despertar angústia, se trata de um profissional muito consciente em relação às nuances de um jogo de futebol.


Sua inteligência elevada era evidente dentro de campo e o inglês pode se tornar outro ex-meia a fazer sucesso com a prancheta na mão. A adição que provavelmente teve mais impacto a curto prazo, porém, é a de Kieran McKenna. O norte-irlandês chegou em 16/17 para comandar o sub-18 e, com desfalques constantes (peças chamadas para cobrir buracos no sub-23, que havia perdido vários jogadores), ficou com o vice-campeonato da Premier League North.



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O estilo propositivo e esteticamente agradável do conjunto já era apreciado e em 17/18 veio o título da competição para coroar um trabalho muito bem desenhado e executado. A base vivia uma situação longe do ideal antes de sua chegada e atualmente as perspectivas se transformaram; seu novo posto, inclusive, gera a expectativa para a inclusão gradativa dos jovens e talentosos Angel Gomes, Tahith Chong e Mason Greenwood.


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Pogba foi displicente em alguns momentos, mas teve contribuição importante e chegou bem no ataque. Assim como Smalling, em sua 250ª aparição pelo clube


Enquanto isso não acontece, a balança dos níveis defensivos e ofensivos das performances parece estar se equilibrando e é natural atribuir elogios para um membro que chegou na comissão justamente com essa promessa. McKenna é torcedor do United e teve em sua 'criação futebolística' as aulas semanais de Sir Alex Ferguson sobre imposição nos jogos. Com apenas 32 anos, o próprio também é uma promessa em sua área e será bacana acompanhar esse desenvolvimento. Que o alinhamento de suas ideias com o desempenho do time continue crescendo.


Ele foi abraçado calorosamente por Jose no segundo gol, quando Fellaini fez a referência pro Smalling marcar. Sinal de jogada ensaiada - parece que alguma coisa o elenco faz nos treinamentos - e de união entre os responsáveis pelas escolhas táticas. Young esteve na origem de ambos os lances definitivos no placar e, na bola parada, é um dos mais efetivos da Inglaterra. Com ela rolando, entretanto, nada mais do que algumas pedaladas e cruzamentos falhos. Lembrando das recentes exibições de Shaw, fica visível a diferença.


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Shaw teve um choque de cabeça e passou por um susto em partida com a seleção da Inglaterra, mas está bem e deve voltar para o time na quarta-feira


Se relacionarmos apenas com esse confronto, os parágrafos sobre o impacto da comissão só fazem sentido até o início da etapa final. Os contragolpes do Watford começaram a incomodar e a instrução se voltou para a contenção, recuando as linhas e adotando um estilo mais de negação do que de proposição. McTominay e Bailly entraram para encorpar nossa estrutura e, depois do gol de Gray, a entrada da área ganhou em proteção. Mas De Gea ainda teve que nos salvar, pra não perder o costume.


Poderia ter sido melhor e sabemos dos problemas que esse pragmatismo extremo nos minutos derradeiros é capaz de causar. Não deixa de ser uma vitória importante contra um adversário até então imbatível e trazendo à tona a perspectiva de sequência nessa postura mais progressiva.