Young Boys 0-3 United: o show de Pogba, retorno de Martial e laterais de verdade

Foi mais um dia positivo para o United. O resultado veio de maneira folgada, a equipe trabalhou bem no cenário geral, alguns setores foram rejuvenescidos e no outro confronto do grupo teve notícia boa também. Cristiano Ronaldo teve expulsão direta contra o Valencia e pegou dois jogos de suspensão, cancelando seu retorno ao Old Trafford em 23 de outubro. Sabemos que provavelmente ele balançaria as redes de novo.


ESPN.com.br | Pogba decide, Fred dá assistência e United bate Young Boys fora de casa na Champions League


A postura que esperávamos não apareceu nos primeiros minutos. A agressividade que marcou a derrota contra o Tottenham e as vitórias diante de Burnley e Watford não se repetiu e o que vimos foi certa lentidão nas ações. O meio-campo não demonstrava entrosamento, os pontas disputavam pra ver quem era mais inconsistente e Lukaku não jogava metade do que demonstrou em 17/18.


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Tirando um deslize defensivo, Dalot foi um dos destaques do time. Que seja pelo menos utilizado com frequência


A exceção ficava por conta dos laterais, ponto alto tanto na expectativa para a partida quanto no desdobramento da mesma. Dalot havia participado de dois compromissos do sub-23 e hoje estreou pelo profissional enquanto Valencia descansava em Manchester - algo habitual nas recentes temporadas em viagens continentais. Mas acho que todos nós torceremos para que a troca não se resuma a algo esporádico.


O português é um LD de ofício, trabalha para chegar no principal patamar da posição e domina mais as particularidades da função. Conduz com naturalidade e foi uma das válvulas de escape para uma equipe que por meia hora não teve progresso central. E ah, sabe cruzar. Na esquerda, Shaw também chegava com perigo, mas raramente contava com a ajuda dos seus companheiros. A movimentação sem bola dos outros limitava as opções de jogada e facilitava a marcação.


Era cada um esperando o lance se desenrolar de modo que batesse com suas intenções, mas sem a mínima noção coletiva de criar uma coordenação. O que idealmente poderíamos ver? Lukaku indo à pequena área, Martial recuando para possibilitar um 'cutback' (cruzamento por baixo, pra trás), Rashford chegando no segundo pau e um meia chegando de trás como elemento surpresa, por exemplo. Na prática, as vezes vemos vários movimentos redudantes.


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O melhor jogador do United na temporada até o momento


Quando a troca de posições é mais ágil e inteligente, a contribuição de ótimos valores como Luke e Dalot é recompensada (ou quase isso). Temos um elenco em outro nível de qualidade, porém, e mesmo sem organização por um bom tempo o triunfo não seria tão complicado assim. Pogba e Fred chegaram na meia-lua ao mesmo tempo e o resultado foi um golaço do francês. O capitão viria a marcar de pênalti minutos depois e seus números estão fortes. O que fica claro, contudo, é como seu repertório é vasto e refinado.


Em termos de consistência nas performances, ainda não atingiu a prateleira de Modric, Kroos e companhia, mas ninguém tem um skill-set tão completo quanto o dele. Os lançamentos que faz sem esforço algum em jogos nem tão brilhantes são fantásticos. Finaliza muito bem com as duas pernas, tem o drible de um ponta habilidoso e é eficiente no cabeceio. Bate falta, pênaltis e na Copa do Mundo provou ter capacidade de liderança.



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Embalando com coesão esses elementos em uma estratégia definida - e, claro, com a constância vinda do próprio atleta -, temos um diamante dos mais raros em nossas mãos. Sem falar na potência física do camisa 6, capaz de elevar seu jogo de forma absurda se passar os 90 minutos dentro de um ritmo só. Ou alternando entre a segunda e primeira marcha para manipular os oponentes, nunca caindo na terceira - onde acontecem os lances críticos de displicência.


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A boa e velha conexão francesa voltou a funcionar. Deixa ela florescer, Mou


No geral, saldo positivo vindo da Suíça. O conjunto esteve confortável marcando alto ou saindo no contragolpe, quando surgiram as melhores oportunidades diante de um adversário cansado. Não só pelo gol, Martial conseguiu mostrar que no mínimo vem jogando em um nível semelhante ao de Alexis. Espero que coloque uma interrogação na cabeça de Mourinho - que pode muito bem deslocar o chileno para a direita (já que ainda não rendeu na esquerda) e tentar evoluir esse ataque.


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