United 1-1 Wolverhampton: uma confusa realidade em Old Trafford

Independentemente do que acontecesse depois, as primeiras notícias vindo de Old Trafford fizeram deste sábado um dia feliz. Sir Alex Ferguson, que teve uma hemorragia cerebral e passou por séria cirurgia em maio, voltou ao seu lugar: o estádio que o acolhe tão bem e estava menos charmoso sem a sua presença. É aconchegante saber que a recuperação superou todas as expectativas - ele previa um retorno ao Teatro dos Sonhos perto do Natal -, pelo ser humano em si e por tudo que representa para o clube.


ESPN.com.br | Em dia de homenagem a Ferguson e gol brasileiro, United fica no empate com o Wolverhampton


Mas hoje não era jogo pra vencer no Fergie Time; era de preferência geral mais uma performance proativa e capaz de garantir o resultado sem tanto sofrimento. Mesmo que, do outro lado, estivesse a qualificada equipe do Wolverhampton. Os wanderers fizeram história na Championship em 17/18 ao atingir a marca dos 100 pontos e, munidos com um considerável poderio financeiro, rede de contatos 'avantajada' e inteligência na comissão técnica, podem causar problemas para qualquer adversário.


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Ferguson está de volta - e bem, o que mais importa


Escrevi sobre o projeto deles no Footure para quem quiser olhar mais à fundo. Dentro das quatro linhas, Nuno Espírito Santo repetiu a escalação pela sexta rodada consecutiva - ou seja, todas - e seus comandados desde o início jogaram dentro da filosofia base do treinador. O núcleo de criação está no meio com João Moutinho e Rúben Neves, mas a bola fica pouco por ali. A dupla portuguesa é utilizada para inverter jogadas e costumeiramente direcionar tudo aos flancos.


Sofremos um pouco com a movimentação coordenada de Doherty e Costa pela direita, cedendo escanteios que se transformariam em chances para os rivais e defesaças de De Gea. Era o cenário desenhado pelo oponente e precisávamos tomar controle de alguma forma. Momento para a nossa dobradinha central crescer e dar o aperitivo do que são capazes de fazer juntos ao longo da temporada. Pogba dominou a articulação e aos 19’ deu uma assistência genial para Fred fazer seu primeiro gol.


O francês tocou de esquerda e o brasileiro bateu de direita, simbolizando o vasto repertório que ambos, somados e entrosados, podem converter em soberania. Nossa maior contratação na história sempre deixou visível seus atributos diferentes, mas a plenitude nesse sentido só viria com um conjunto mais alinhado e, claro, resultados. O ex-Shakhtar chegou justamente para ser um upgrade individual e peça importante na estrutura coletiva.


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Fred ainda não é uma constante, mas fez um belo gol e no geral foi bem enquanto esteve em campo


Mostrou qualidade no início, caiu de rendimento e as recentes impressões não eram das melhores, mas tudo faz parte do processo de adaptação. Mourinho tem fé nele e o introduz aos poucos, com cuidado, nesse ambiente que pode queimar talentos sem os mesmos nem perceberem. Enquanto isso, Paul sofreu exatamente com o que ressaltei no último texto: reduziu a marcha, veio a displicência e o erro no contragolpe do empate.


Tudo isso acontecia com a contribuição essencial de Fellaini, se mantendo como a base para a recomposição e protegendo a defesa com inteligência. Mou certamente sabia que o foco dos Wolves estava nas transições rápidas pelas pontas e a presença fixa do belga no meio seria redundante. Precisaria ficar ligado nas zonas reais de perigo e, para isso, se movimentou horizontalmente e marcou bem.



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A outra parte do seu jogo exemplificou a mudança de postura que a gente comenta nos recentes confrontos - só que com um asterisco. Nosso 'volante' em alguns momentos chegava como elemento surpresa no ataque e até participou de lances interessantes. A zaga estava ligada para tomar uma posição agressiva nas 'sobras' e manter a posse. O problema é que toda ação tem uma reação e o plano tático é feito de escolhas sobre pontos a explorarmos em troca de pontos a serem explorados no próprio sistema.



Uma pausa para falarmos de Expected Goals. Aquela métrica que mensura a probabilidade de cada finalização, explicada no blog e no Footure, nos trás alguns números preocupantes. Não bastasse a dependência em De Gea (último link), nosso camisa 7 e dono do maior salário vive uma queda considerável na produção de chances de qualidade. Vejam no gráfico abaixo a realidade de Alexis Sánchez. E o time, mesmo jogando 'bem', teve um xG de 0.6 hoje; superior apenas ao número registrado por Cardiff e Newcastle



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Apenas uma das formas de exemplificar o declínio absurdo do chileno


O papel de Marouane nas tramas ofensivas vinha subindo gradativamente e gerava aspectos positivos, mas em contrapartida a contenção afrouxou e eles puderam aproveitar. Adama Traoré, jogador mais rápido do campeonato, entrou diante desse panorama e passou perto de concretizar a virada. No fim das contas De Gea novamente teve que salvar e eu realmente não sei como estaríamos sem o espanhol debaixo das traves na fase pós-Ferguson.


Que faz falta. Esse era o tipo de jogo que poderíamos passar por dificuldades durante os 90 minutos, mas daríamos um jeito de sair de casa com os três pontos. Não vejo como colocar a culpa diretamente em Mourinho, que armou bem a equipe e não podia entrar em campo para compensar os fracassos de Lukaku e Alexis. O resultado é péssimo e provavelmente estaremos fora da briga pela Premier League na virada do ano - isso sim é ridículo. O desempenho no momento, porém, certamente não é de todo ruim.