United e Juventus fazem um confronto pesado apenas no nome. A disparidade é grande

A Premier League é possivelmente o melhor campeonato nacional do planeta e já nos dá demonstrações claras de qualidade ou falta da mesma. Equipes de menor porte já não são tão pequenas assim e nesta temporada se elevaram com treinadores mais progressivos e contratações bem filtradas, enquanto os gigantes cresceram com as trocas no comando desde 14/15. Guardiola, Klopp e Pochettino indubitavelmente fazem ótimos trabalhos, enquanto Sarri e Emery dão sinais positivos. Quem sobra?


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Ele mesmo, o maior vencedor do país e clube que em termos de status é líder absoluto. Na liga doméstica a desilusão já é clara e constante, mas por alguma razão a Champions League cria expectativas diferentes em cada um. Saindo da fase de grupos ela se torna um tiro mais curto, dias e sorteios bons isolados podem facilitar a chegada no topo e o clima no geral desperta sentimentos mais esperançosos. Mas não adianta: é preciso jogar futebol. E o United parece ter desaprendido esse pequeno detalhe do mundo em que está inserido.


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Pjanic e Matuidi, juntos, custaram menos que Fred - que ficou no banco durante os 90 minutos hoje; Bentancur, parceiro deles no meio hoje, tem 21 anos e 6 aparições na UCL. Mourinho, porém, reclama de falta de recurso


Se semanalmente conseguimos nos encontrar em dramas diversos com West Ham, Wolverhampton e Newcastle, a UCL uma hora ou outra traria desafios de outros estilos e proposições. Depois de ficarmos zerados diante do Valencia (14º em La Liga), recebemos a Juventus em um jogo grande apenas no nome. A disparidade é considerável e não se resume a apenas um aspecto, mas o reflexo aparece dentro das quatro linhas. Organização coletiva, confiança para alterar a tática conforme o momento pede, movimentação de primeiro nível e entrosamento em todos os setores. Mesmo se novos reforços ou jovens inexperientes ali estão.


Detalhar cada problema faria deste um texto repetitivo, considerando o que vocês leem por aqui há um bom tempo. Sofremos na defesa, sofremos no controle, sofremos na criação e sofremos na finalização. Pelo menos umas duas nuances poderíamos dominar após 30 meses com o mesmo treinador, concordam? Ainda seria pouco, mas uma amostra de sucesso que simplesmente não existe em Old Trafford.



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Lindelof foi extremamente sólido, mas a zaga não se entende. Ashley Young conseguiu dar a impressão de que Matuidi é um especialista em 1v1. Matic vem constantemente entregando performances contestáveis e é alvo de todo adversário pela falta de mobilidade e urgência nas ações. Nossos atacantes provavelmente ficaram se perguntando como um setor ofensivo pode atuar de maneira harmônica com e sem a bola. Ronaldo, Dybala e Cuadrado deram aula sob o comando de um técnico taxado de pragmático, vale ressaltar. Você pode ter suas filosofias e preferências, mas em um nível tão alto é obrigado a criar condições valorosas para seus atletas em qualquer zona do gramado.


Enquanto nossas passivas linhas de marcação ofereciam espaços verticais e horizontais para o oponente, com a posse não tínhamos estrutura. Não há variedade nas opções de passe (isso se encontram uma), a movimentação passa a sensação de que o uniforme é composto por calça jeans e moletom. Travados, incapazes - muito pelo sistema - de criar conexões e a partir daí desenvolver algum tipo de jogo. Não pedimos posse de 70% e nem 25 chutes por jogo, mas alguma coisa. O que temos agora é ineficaz, sonolento e depreciativo. A vecchia signora, sem mais nem menos, ensinou os red devils sobre o esporte que um dia já foram soberanos.


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José um dia já foi um mestre tático do naipe italiano. Agora, está bem ultrapassado por figuras como Allegri


Alexis Sánchez ficou de fora por questões físicas, mas não começaria o jogo e levanta um tópico importante a ser discutido.


A agremiação tem um assunto sério em mãos e a forma com que ele é visto pela torcida em geral já nos dá uma noção do panorama. Ninguém demonstra preocupação. Sánchez chegou em janeiro como uma grande estrela, assumindo a icônica camisa 7 e simbolizando um "chapéu" no Manchester City. Creio que a maioria preferia algum canhoto para a ponta direita - no meu caso, Ozil -, mas teoricamente um time carente (em vários sentidos) sempre teria espaço para um jogador como o chileno.


Conseguimos nos empolgar com as possibilidades de um ataque turbinado - se bem organizado -, mas isso ficou apenas na imaginação. O encaixe de Alexis neste conjunto já defasado sistematicamente é cada vez mais uma utopia que poucos fazem questão de acreditar. Por que? Quando o hype inicial passa (já foram 9 meses desde o anúncio), nossa mente resfriada consegue se conectar com mais facilidade à realidade objetiva.


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Ainda torço muito pelo chileno, mas cada vez mais parece que não vai rolar


E, no fundo, o ex-Arsenal não é o tipo de atleta que merece tratamento/insistência especial como alguns outros. Não estamos falando de um Hazard ou De Bruyne: o primeiro colocado da nossa folha salarial não é o primeiro colocado do elenco e há algum tempo não habita o topo na Premier League. Teve ótimas temporadas, é claro, e já se provou na competição - portanto merece respeito e uma dose de fé -, mas quando chegou a crença era baseada no que ele poderia oferecer - e não no que vinha oferecendo.


Considerando os meses anteriores e posteriores à contratação e colocando fatores físicos e táticos nesta conta, sua credibilidade e patamar caíram justificadamente. Ainda mais se lembrarmos que ele pegou a posição do produtivo e promissor Martial quando o francês vivia sua melhor fase - e agora o mesmo está batendo na porta. Sua hipotética vaga na relação hoje não foi ocupada por uma peça consolidada do plantel, mas sim um garoto do sub-23: Tahith Chong.


O holandês já foi analisado aqui no blog e até mesmo no último fim de semana eu debatia sobre a minha expectativa - torcida - por sua inclusão gradual nesta campanha. Ele não entrou em campo hoje, mas foi bom vê-lo no banco de reservas e fica a esperança para as próximas semanas. Mason Greenwood tem apenas 17, joga no sub-19 e terá muito tempo pra arrumar seu espaço, mas também seria interessante uma integração mínima com os profissionais durante 18/19. É provável que a maior promessa da base comece a participar de treinos com o first team após a virada de ano.


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Aqui, sim, um ponta que nas condições ideais pode prosperar consideravelmente com a camisa do United. Chong aos poucos deve ser integrado ao time


Além de puramente esse tipo de coisa ser bacana de ver, continuamos precisando de qualquer elemento de novos ares e que possa representar perspectiva de crescimento. Assim como Alexis Sánchez, sua equipe não nos remete mais à esses atributos; ele, Mourinho e companhia terão que fazer muito para recuperar a confiança e o ânimo da torcida. Existem alguns empolgados com pequenas amostras de evolução - (como a virada temporária contra o Chelsea) - mas o fato de se contentarem com tão pouco já diz tudo.


O ruído nos últimos dias tem tratado de uma atmosfera de evolução, mas vamos cair na real: o United venceu um dos seus últimos sete compromissos. A situação dificilmente mudará.