United 2-1 Everton: precisamos confiar na conexão francesa

Nos últimos três textos falei sobre a situação de Sánchez, a fase de Martial  e a importância de Pogba. Hoje todos os temas se interligaram direta e indiretamente, pendendo ainda mais positivamente para a 'french connection'. Os franceses têm uma amizade forte fora do campo e dentro dele o entrosamento sempre foi visível. Até pelo estilo de jogo semelhante vindo dos subúrbios das margens de Paris, a relação parece natural e, além de ser vistosa, é eficiente.


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Essa é a marca que tento trazer constantemente sobre o futebol de Anthony, inclusive. O camisa 11 pode ser conhecido por sua habilidade de primeiro nível e a capacidade em humilhar marcadores com o drible, mas não podemos esquecer que se trata de um atleta muito produtivo. Não ficarei repetindo os números que coloco aqui há anos, mas é notável que ele consiga ter um record tão bom considerando os altos e baixos em termos de escalação e confiança do treinador. São 41 gols e 18 assistências desde que foi contratado junto ao Monaco, em 2015. Ninguém marcou mais que ele desde então.



Não peso minha preferência unicamente pela qualidade individual dos jogadores, mas sim a conexão com os companheiros, o ambiente e as peças-chave do elenco. No vídeo acima, um resumo da última temporada, reparem na quantidade de chances criadas para Lukaku. Sua compreensão dos movimentos do nosso artilheiro em tese supera a dos seus concorrentes pela vaga e isso deveria contar para o treinador. Mas o principal segue sendo a forma com que conversa futebolisticamente com o craque do time, Pogba.


Labile se caracterizou por atuações passando pela saída, articulação e finalização das jogadas, sentindo falta da contribuição do restante. O conjunto por completo não vai mudar em questão de pequenos ajustes, mas se uma coisa se mostra um passo à frente precisamos aproveitá-la. Martial faz uma dobradinha perigosa com o coração da equipe, podendo trabalhar com lances treinados (a troca de posição na entrada da área buscando liberar algum para a finalização é marca registrada) ou usando doses de improviso e imprevisibilidade que necessitamos.


Tudo isso considerando que, enquanto um tem 22 anos e mais uns 7 em alto nível - e evolução -, Alexis começará 2019 com 30 e é difícil imaginar algum desenvolvimento de sua parte. Que daqui um tempo a nossa lembrança seja de como foi ridículo e inexplicável ver um garoto em ascensão perder a vaga para um veterano em declínio. Muito já se disse da suposta 'preguiça' do francês - traçando um contraste com o perfil incansável do ex-Arsenal -, mas ultimamente tenho visto participação nos setores ofensivos e defensivos. Coleman foi desestabilizado pelo mesmo adversário lá atrás e, quando avançou para finalizar, também na frente.


Getty Images
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Habilidade, produtividade e entrosamento: é inexplicável que Mourinho ainda não tenha insistido nessa dupla


A performance no geral foi boa. Outra razão para isso passa pelo retorno de Fred entre os titulares, ajudando no espaçamento do meio-campo. O brasileiro ainda não engrenou totalmente e erra alguns passes que acertava na liga da Ucrânia, representando a adaptação justificadamente necessária. Mesmo assim, faz um ótimo trabalho de posicionamento entre as linhas e consegue auxiliar Pogba na transição, atraindo a atenção dos oponentes e facilitando a conquista de espaço.


É interessante notar também as infiltrações nas costas da marcação, esticando a defesa e sendo um elemento surpresa e opção de passe vertical que costumeiramente faz falta. Atrás dele, Matic continua sua sequência de exibições preocupantes com uma lentidão na posse e sem ela. Sigurdsson hoje levou a melhor ao usar um timing superior na movimentação e o sérvio simplesmente não consegue mais segurar as pontas na base time. Andreas pode não ser a resposta direta para o problema e a diferença de perfil pode nos fazer olhar para o mercado novamente, mas algo precisa ser feito.



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E Pereira merece pelo menos um espaço no banco com constantes participações. Ele mais uma vez assistiu ao jogo das tribunas e aos poucos isso começa a soar até como falta de consideração de Mourinho, que ficou chateado com o pedido de empréstimo do garoto em 17/18 e o convenceu a permanecer nessa temporada. Em breve Fellaini voltará a ter condições físicas e é plausível prever um cenário onde as oportunidades ficarão ainda mais escassas. Vamos torcer para que esse não seja o caso.


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Fred ainda não joga tudo que é capaz, mas até indiretamente faz o time fluir melhor


Um que já ficou encostado e hoje é titular com merecimento e consistência é Lindelof. O sueco fez sua melhor atuação com a camisa vermelha contra a Juventus e hoje foi um dos destaques, dando bons passes e anulando as armas dos toffees. Rashford ganhou a vaga de Lukaku e, sinceramente… em 18/19 isso não faz muita diferença. Os dois não se encontram na já mal (hoje bem) estruturada criação e na frente do gol estão cercados de desconfiança e afobação. Uma coisa é certa: não dá pra escalar o inglês e continuar lançando bolas altas na referência, né? Bom que conforme o tempo passou começaram a entender isso.


Enfim, o veredicto do dia é positivo. Não fosse a displicência semanal de Pogba - que sempre corre o risco de manchar ótimas partidas com um toque indevido -, teríamos o clean sheet junto com os três pontos diante de um rival qualificado. O que acharam da performance e dos tópicos discutidos aqui?