Juventus 1-2 United: José Mourinho em estado puro

Quando José Mourinho é contratado pelo seu clube, você tem que estar preparado para tudo. É um pacote completo, tendo como produto principal o tipo de noite que vivenciamos - mesmo que de longe - em Turim. Não importa o contexto, o oponente, a classificação ou as previsões: em um dia qualquer o treinador pode estar no centro de uma performance inesquecível. Convencendo e irritando durante o mesmo jogo, trazendo todo tipo de emoção à tona e finalizando eventos repletos de ingredientes com seu toque especial.


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A comemoração extravagante no gramado da Juventus Stadium simboliza o nível de loucura presente na mente desse profissional e ser humano icônico. Há por cima disso tudo o fato de que o futebol como um todo consegue ser ainda mais bizarro, proporcionando situações inexplicáveis quando menos se espera. Se Mata não converte aquela falta aos 86', poderíamos estar reclamando de mais uma atuação pouco ativa no ataque e sucumbindo ao poder do rival. E ninguém ia contestar, com ou sem motivo para tal. Só que merecemos certas doses de felicidade e o espírito diante do Manchester Derby, no domingo, é o melhor possível.


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Não questionem os grandes momentos, apenas apreciem


Falamos de times de patamares completamente diferentes e qualquer análise fria traz o City como um favorito com folga. O esporte, porém, passa longe de ser frio. É quente e encantador por desenvolver narrativas que embaralham a cabeça de quem tenta entender e apaixona o coração de quem apenas sente. Costumeiramente fazemos os dois, e, a partir dessas premissas, podemos concluir que Mourinho sempre foi "isso". É representativo que eu esteja escrevendo sobre um triunfo gigantesco de um clube maior ainda e nem tenha citado o nome Manchester United até agora.


Não tem porquê reagir com surpresa por ele ter comemorado tanto após uma partida em que seu time poderia tranquilamente ter perdido. Hoje vimos José em seu estado puro em fatores de desempenho e extra-campo. É óbvio que deveríamos estar em outra situação após 28 meses de trabalho, mas a realidade a ser considerada hoje é a seguinte: a Juventus é extremamente superior em um panorama geral e dissecando nuance por nuance.



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E nosso técnico confiou em sua velha filosofia de instigar concentração e confiança em seus atletas mesmo que o plano de jogo desagrade vários do ponto de vista estético. Desde que assumiu, em 2016, essa tática não vinha dando muito certo por ser implementada com buracos e deslizes de planejamento e na execução. Mas neste 7 de novembro de 2018 vimos a equipe se portando como equipe, jogando de modo mais coerente. Os anfitriões podem ter finalizado mais e De Gea certamente suou mais do que Szczesny, mas indo à fundo da pra se dizer outra coisa.


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Ele achou que essa seria a comemoração mais falada do dia


A maioria dos chutes foi proveniente de zonas desfavoráveis, dando uma falsa sensação de conforto para quem ataca. Tudo isso é muito previsível com Mou. Ele sempre precisou, contudo, de momentos decisivos de jogadores aptos a crescer quando mais necessário. Mata cobrou falta com a frieza de quem estava na praia, Fellaini incomodou à todos (incluindo dos nossos) da sua maneira, De Gea é De Gea e Martial deu outro show. E a sorte caiu pro lado de cá, fator também presente nessa estratégia tão polarizada.


Foi um espetáculo de um modo que não costumamos ver nas definições de tal palavra. Porque com Mourinho não precisa fazer sentido, só precisa acontecer. No Manchester United, onde forças ocultas que de vez em quando se escondem no uniforme, esse efeito se potencializa. E, à italiana, os red devils mostraram para a vecchia signora que lutaremos até o fim e o prejuízo agora está em outras mãos; não são portuguesas.