City 3-1 United: em uma rivalidade municipal, a distância é gigantesca

As escalações deram o aperitivo do que poderia acontecer: vários reservas deles desbancariam nossos titulares. Para resumir todas as questões a serem discutidas, poderia dizer assim: se Guardiola fizesse um sorteio no seu elenco a fim de definir a equipe, teria garantia de boa atuação e produtividade; se Mourinho fizesse a mesma coisa, teria garantia de atuação falha e falta de produtividade. Troca a zaga, troca o meio-campo, troca o atacante, o ponta direita… continuamos abaixo dos rivais e com perspectivas irrisórias.


ESPN.com.br | Manchester City vence dérbi contra o United em casa e se isola na liderança da Premier League


Se vitórias como a de quarta-feira injetam quantias necessárias de felicidade e mínimas esperanças para o torcedor, a realidade sempre tem maiores chances de bater na porta. Conquistar um campeonato tão qualificado nunca deve ser tratado como obrigação, mas disputá-lo ou pelo menos chegar perto disso, sim. E estamos longe de tal objetivo, tendo uma representação clara no confronto que a princípio era pintado como a rivalidade que iria polarizar a liga.


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A disputa fica na imaginação alheia à realidade. Mourinho não consegue mais rivalizar com Guardiola


Todos estão desculpados por pensarem assim lá em 2015, quando os dois comandantes mais midiáticos do século desembarcaram na mesma cidade. Cada um tem sua preferência e creio que seja até claro quem é superior, mas até então ninguém poderia negar as qualidades de ambos. O histórico vencedor muito menos. Como um fã de futebol que começou a aprender de fato as nuances do esporte quando esses dois dominavam o cenário mundial, me animei com a expectativa do antagonismo resultar em temporadas marcantes e acirradas na metrópole.


Três anos depois, porém, um viu sua reputação crescer lado a lado enquanto o outro virou o personagem principal das narrativas fracassadas de seus respectivos clubes. Mourinho para sempre será uma figura icônica e de vez em quando produzirá noites como a de Turim, oferecendo entretenimento ao seu modo. Pep, contudo, mantém um nível tão alto que a performance de rotina é material dos sonhos de quem torce para a equipe do português.


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O único momento em que Matic não estava dando as costas para os adversários


É até difícil explicar para quem não costuma acompanhá-los que hoje o City não estava exatamente no seu melhor. O counterpressing orquestrado por Fernandinho foi irrepreensível e as jogadas telepáticas de peças que se complementam são suficientes para brincar conosco. Só que o desempenho com a bola durante os 90 minutos poderia ter sido ainda mais intenso e provavelmente culminaria em uma versão 2.0 do 6 a 1. Triunfos soberanos podem sempre acontecer, mas o contexto faz com que os comentários feitos por impulso na hora do jogo se confirmem ou não.


Quando Roberto Mancini comandou aquela goleada em 2011, os azuis abriram apenas 5 pontos na liderança e ao final da campanha fomos perder o título no último minuto - literalmente. Ficamos em igualdade na tabela e o diferencial se deu no saldo de gols. E em 12/13 recuperamos o troféu. Hoje o placar foi menor, mas a disparidade é gigantesca e a perspectiva de título a curto prazo é inexistente. A diferença acaba de chegar a 12 pontos, o saldo deles é de 31 e o nosso, pasmem, -1. Não só o futebol que é negativo.



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É a primeira vez desde 1966 que o United sofre mais de 20 gols nas 12 rodadas iniciais. Naquele ano os ingleses que defendiam nossa camisa faziam bonito no cenário nacional e internacional, com Sir Bobby Charlton e Nobby Stiles levantando a taça da Copa do Mundo. Agora, Smalling, Young e Rashford fazem um torneio interno de incompetência, buscando jogar mal em todas as funções possíveis. Matic também mantém a consistência, dando ao adversário pelo menos duas ótimas oportunidades por partida.


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Está difícil te defender, garoto


Mesmo se ele o enxerga e conta com a comunicação de seus companheiros para ficar de olho no rapaz em questão. É uma falta de consciência, energia e vergonha na cara. O sérvio ao longo da carreira construiu a imagem de um atleta de confiança, porém, então tem vários passes livres para utilizar. Não tem o estigma de preguiçoso atrelado ao seu perfil como certo meia que não esteve em campo hoje, portanto nada acontecerá. Ou pode acontecer, porque regularidade nas decisões é algo que não estamos acostumados a ver por aqui.


O time estava com dificuldades na posição de centroavante. Alexis Sánchez estava com dificuldades para se adaptar. O chileno foi deslocado para tal papel, jogando bem para o nível que seus concorrentes vinham demonstrando por ali e para o nível que o próprio vinha demonstrando na esquerda. Mas por que não brecar mais uma possibilidade de sequência e dar chance para um atacante que não joga bem há meses, né? As ideias e mexidas que Mou tenta raramente dão certo.


Enquanto isso, Pep resolvia trocar seu artilheiro por um meia reserva para ganhar "passes extras", segundo o mesmo em entrevista. O resultado? Gundogan marcando após 42 passes em uma articulação envolvente passando por todos os setores, tirando gritos de "olé" do torcedor. Mas José tem explicação: sua resposta não pode ser executada pois um dos seus planos foi "impossibilitado por Fellaini tendo que iniciar. Imagine esse jogo com ele descansado, entrando após o 2 a 1 com 20 minutos restantes."


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Não existe a menor possibilidade de competirmos sem Paul Pogba


Sinceramente, não preciso falar mais nada. Os 6km do Etihad para Old Trafford representam a única proximidade que temos com o City atualmente.