United 1-0 Young Boys: somente o necessário pode ser pouco

Que o United não faz muito sentido a gente sabe faz tempo. Não costumamos ter tantos motivos para animação e a rotina há alguns anos é de desilusão em vários aspectos, um deles sendo as escalações. Hoje não foi diferente: uma dupla de zaga que a maioria não aguenta mais ver, Pogba no banco, dois meias travados diante do lanterna do grupo - em casa… a princípio, era uma tragédia anunciada. Só que na prática não foi bem assim, mesmo com novos números negativos sendo coletados por Mourinho.


ESPN.com.br | Manchester United vence Young Boys no fim com gol de Feallini e se garante nas oitavas da Champions


Após passar o primeiro tempo em branco, a equipe chegou a marca de 11 partidas em Old Trafford com apenas 4 gols nos 45 minutos iniciais. Dois deles foram pênaltis. Na Champions League, agora temos um gol como anfitriões. Está claro que existem problemas na criação e conclusão das jogadas; é até irônico que Sir Alex Ferguson apareça sorrindo nas tribunas. De qualquer forma, começamos bem em praticamente todos os sentidos.


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Estamos nas oitavas de final com uma rodada de antecedência. Mas alguém se convence?


A marcação estava encaixada e limitava qualquer perspectiva de contragolpe dos visitantes, enquanto com a bola a troca de passes fluiu como não víamos há semanas. Matic e Fellaini foram bases sólidas para a articulação (sim, é verdade) e Fred mesclava o poderio na circulação com conduções necessárias para desestabilizar o adversário. Lingard foi terrível nas ações com a posse, mas sua movimentação clássica da ponta para o centro atraia os oponentes e abria o corredor esquerdo.


Por lá está o melhor que temos a oferecer atualmente, mesmo sem nosso camisa 6. Martial e Shaw contam com um nível alto (para nossos parâmetros) de entrosamento e são, naturalmente, duas das melhores armas ofensivas. O inglês alugou o campo dos suíços enquanto o francês era o ponto focal das construções. Que nesta noite tiveram a grata - e totalmente inesperada - surpresa de Chris Smalling ativo com passes inteligentes lá de trás.



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Rashford compreendeu a movimentação para consequentemente receber em boas condições, mas continua tomando decisões como se estivesse em um treino. Displicência, falta de consciência ou as duas coisas? Um ponto que não pode passar batido é a inutilidade já conhecida de Antonio Valencia. Em um esporte que gradativamente apresenta um espaço menor para trabalhar lances coletivos, os laterais se fazem cada vez mais essenciais. E é incabível termos na direita um ex-ponta de 33 anos que não consegue influenciar o jogo de modo algum. Rezem por chances para Diogo Dalot.



Os primeiros parágrafos foram relativamente positivos e aos poucos o texto se tornou negativo, representando com exatidão esse embate no sentido do desempenho. A impressão era de que o ritmo diferente resultaria em uma vitória confortável, mas sempre dão um jeito de voltar para a realidade. Seja em termos individuais (com exceção de David De Gea, claro) ou coletivos. Seria a primeira vez na história da Liga dos Campeões que passaríamos a fase de grupos sem marcar pelo menos um gol dentro do próprio estádio.


Por um gol chorado de Fellaini nos acréscimos não sofremos essa vergonha sem tamanho. Já falei aqui sobre como precisamos deixar de lado o senso crítico em momentos que a raiz torcedora deve falar mais alto, mas era o Young Boys. Depois de partidas patéticas em Old Trafford contra Crystal Palace, Juventus, Valencia, Derby County e Wolverhampton. A comemoração de José Mourinho definiu essa classificação esquisita: feliz, mas irritado ao mesmo tempo.


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Essas são as figuras de um United que de vez em quando vence, mas rotineiramente fica aquém das expectativas


Pelo menos estaremos no mata-mata. Mas desse jeito não temos futuro. O que acham?