United 2-2 Arsenal: mais uma Premier League como coadjuvante

Nona colocação, oito pontos do top four e vários jogos inúteis se avizinhando, em pleno fervor de dezembro na Premier League. Enquanto várias torcidas estão apreensivas pela sequência de compromissos que costumeiramente define os objetivos na temporada, a do United se vê mais uma vez de lado. Nem muito pra lá, nem muito pra cá e disputando posição com o Leicester (se fosse em 2015/16, pelo menos…). O que esperar de um conjunto que já sofreu 46 mudanças em 15 rodadas? 


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O início foi bom e conseguimos implantar certo ritmo na partida, mas por algum motivo aleatório (serve para qualquer acontecimento nesse time) paramos de pressionar e os visitantes cresceram. Os comandados de Unai Emery costumam focar bastante o jogo nas laterais e hoje estávamos sem pontas para ajudar na marcação, além da ausência de Young/Valencia (não sentimos, mas são mais 'titulares') e Shaw. Dalot não mostrou o nível que esperamos e o perigo rondou por ali, com Iwobi recebendo inversões de Guendouzi e incomodando a defesa.


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Não achei uma atuação ruim, mas longe do nível que deveríamos apresentar. É um futebol que condiz com a nossa posição


Nossa formação era um 5-2-3 e a deles um 3-4-2-1, resultando em desvantagens também no centro por consequência dos sistemas e a fase dos atletas. Torreira já pode ser considerado um dos destaques da Premier League na sua função, por exemplo. A forma de Matic eu nem preciso comentar e Herrera é de lua: às vezes parece encontrar resquícios do seu futebol de 2013 e em outras apenas repete a inconstância que conhecemos. Hoje não foram mal, mas também não foram bem.


De Gea inexplicavelmente colocou uma bola de Mustafi para dentro e deu pinta de mais um primeiro tempo melancólico, mas em um lance isolado revivemos na partida. O gol foi de Martial, que marcou 7 vezes nas últimas 7 rodadas como titular. O francês foi fonte de esperança enquanto seu conterrâneo e amigo Pogba não estava em campo. O camisa 6 foi sacado do XI inicial após uma sequência de atuações pouco inspiradas - isso ninguém pode negar -, mas e os outros?


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Pogba no banco e Martial substituído por lesão: não tivemos nossos jogadores mais perigosos juntos


E Matic? Ah, esqueci, esse não é estigmatizado como o outro. Desempenho por desempenho, sabemos de quem precisamos mais. O confronto continuou em um cenário estranho, de certa maneira sinalizando oportunidades para ambas as equipes só que sem ninguém se impondo por meio de alguma estratégia. O segundo tempo potencializou essas características e como resultado apareceu aquele clássico entretenimento de times bons mas não tanto da Premier League.


Um clássico recheado de jogadores que te fazem soltar um sincero elogio agora e 15 segundos depois estar inconformado com a incapacidade do mesmo. Marcos Rojo é o sinônimo perfeito para tal frase, mostrando na maior parte do tempo que tem qualidade para ser titular - ou quase isso - e em poucos instantes estragando tudo que veio anteriormente. Kolasinac, do outro lado, também pode ser definido assim: indubitavelmente se dá bem nos últimos 20 metros, mas muito mal nos 85 restantes. Deu o empate de presente pro Lingard.



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Um que deveria ganhar a vaga independente das circunstâncias é Eric Bailly. Nem parecia que o marfinense vinha encostado há bastante tempo, em tese tendo debaixo do braço as justificativas de estar sem ritmo e confiança. Ele chega, joga, domina os adversários e segue em frente. Hoje teve a tarefa complicada de marcar Aubameyang e saiu por cima, fechando bem sem a bola e demonstrando firmeza nos duelos individuais, unindo velocidade, força e timing. Outro esquecido que poderia voltar é Andreas Pereira, mas o brasileiro nem relacionado foi.


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Por necessidade, Bailly voltou e foi destaque. Por outro lado, nem com Matic caindo em campo Andreas consegue seus minutos


O tratamento de Mourinho com o meia já passou da fase questionável, da fase bizarra e agora entrou na fase do desrespeito. O treinador criticou a escolha do atleta em sair por empréstimo na campanha passada, o convenceu a ficar nessa e, agora que pode escalá-lo, nem no banco o coloca. Não é preciso ser profissional para imaginar o que isso faz com a cabeça do ser humano. Que ele e Fred superem as escolhas malucas e irritantes do português.


Enfim, nesse jogo ruim muito bom - ou jogo bom muito ruim, achei um novo simbolismo da(s) temporada(s) do United: de vez em quando até esqueço de olhar para o placar. Não lembro da possibilidade de ganhar, a não ser de modo aleatório. Assim como tudo aqui, repetindo o que falei lá no começo. Estamos sem rumo, sentido ou um ânimo que dure mais de alguns momentos. O que esperar do time no 'resto' do Campeonato Inglês? Sim, conseguiram (novamente) fazer com que 23 rodadas signifique 'resto'.