Liverpool 3-1 United: o clube precisa ser reiniciado

Os melhores jogadores não são escalados, os medíocres têm seus vínculos renovados e o time consegue manter o baixo nível sob quaisquer circunstâncias. Contra-atacando, tentando controlar minimamente a posse, chegando com velocidade: nada dá certo e nem mostra perspectivas de dar. Mourinho hoje desagrada em desempenho, resultado, escolhas individuais, montagem do plantel, tratamento com seus comandados e declarações. Quem um dia mandou na Premier League está por conta própria se colocando em uma posição de irrelevância. Vale para a instituição e o treinador que deveria fazer muito mais por ela.


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Como era de se esperar, não conseguimos completar três passes seguidos por um bom tempo. O Liverpool tomou conta da partida e chegava com facilidade por qualquer setor, tentando tirar proveito do pânico inicial que inevitavelmente aconteceria com os visitantes. Herrera e Matic já não são exemplos na transição e, diante de uma equipe conhecida pelo counterpressing, perdiam a bola antes mesmo de decidir o que fazer com ela.


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Seu time é fraco e o adversário é o líder do campeonato. Você escala o seu melhor jogador, não? Para José, a resposta é negativa


Fabinho, coincidentemente quem estava cotado para vir quando o sérvio foi anunciado, se impôs como ainda não havia feito na Inglaterra e foi fundamental no primeiro gol. Mesmo com todo o time recuado, 5 defensores e dois volantes, ninguém conseguiu prever a movimentação inteligente de Mané, que também foi observado pelo clube na era Louis Van Gaal. É mais um atleta que seria titular absoluto aqui e hoje representa uma oportunidade perdida, além de ter reforçado um rival "direto" (em tese).


A nossa realidade atual faz com que no meio dos jogos passe um filme na cabeça sobre os pontos em que permitimos a disparidade se estabelecer. Desde a escalação é possível refletir sobre o tema, mas são tantas as vezes em que o XI inicial não reflete a atuação que prefiro ignorar. Espero pra analisar durante os 90 minutos e confirmar - ou não - minhas opiniões prévias. E podemos concluir que é inacreditável ter tantas peças medianas começando o confronto mais importante da temporada para a maioria dos torcedores.



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Sendo o time de maior receita e abrindo a carteira a cada janela de transferências. Lembrando que Smalling teve seu contrato renovado ontem e Jones está próximo de receber um também. De vez em quando o conjunto se acerta e conquista alguns resultados interessantes, mas são situações esporádicas e que chegam até a surpreender. A maior agremiação do país e uma das maiores do mundo, em plenas condições financeiras e estruturais, não pode se reduzir à isso que acompanhamos.


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Certos jogadores não merecem a realidade que vivem


Sim, não foi uma aula de futebol por parte do Liverpool (mesmo que, para a gente, pareça uma). Klopp não é o Deus do futebol e tem seus erros - até o que a aprender com Mourinho em certos pontos, em finais -, mas a performance média deles já é capaz de nos superar por muito. O placar poderia ter sido até maior. A melhor estatística para entender a produtividade de cada um é a de finalizações: 36 a 6. Simplesmente inaceitável. Para piorar, deixo alguns números que falam mais do que qualquer frase.


Gols sofridos pelo United na Premier League 2017-18: 28 em 38 jogos. Em 2018-19: 28 em 18 jogos. Diferença para o Liverpool: 19 pontos. Diferença para o top four: 11 pontos.


Nada mais a declarar.