Tottenham 0-1 United: uma instituição tão grande quanto o seu goleiro

No United, muito se falou sobre a transformação na atmosfera, a postura de favorito em jogos que éramos favoritos e o gerenciamento de elenco diferenciado com Solskjaer. Contra o Tottenham, porém, teríamos um verdadeiro teste. E passamos. A começar pela primeira prova considerável da perspicácia tática do norueguês. Diante de um 4-3-1-2 de Pochettino, com os interiores avançando bastante e Winks na base do losango, concentramos nosso foco em afunilar o setor.


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Para isso, espelhamos a formação e tivemos Lingard como um 'ponta de lança', ficando na sombra do meia inglês e incomodando a saída de bola. Alderweireld e Vertonghen são especialistas nisso, então não seria suficiente; Martial e Rashford, portanto, foram posicionados como uma espécie de dupla de segundos atacantes. Tinham a liberdade para centralizar ou esticar, mas em um primeiro momento fechavam a linha de passe para os laterais.


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Faltam palavras para descrever o tamanho de De Gea


Conseguimos causar uma disrupção na construção dos anfitriões, dificultando a chegada em nosso campo. Quando chegavam, o melhor goleiro do planeta fazia questão de mostrar que aquilo ali era rotina pra ele. Um dos negócios que mais devemos comemorar é a ida de Courtois para o Real Madrid. Que o espanhol continue fazendo história por aqui, agora com uma equipe que trabalha para corresponder ao seu nível.


Todos estão se superando a cada semana, ficando claro na produtividade e na intensidade demonstrada sob qualquer circunstância. Não foi uma partida em que controlamos, tivemos a posse e decidimos o que fazer a todo minuto. O oponente tem muita qualidade e não é por acaso que seu técnico é tido como alvo de clubes gigantescos. Sem a performance sobrenatural do nosso número 1, poderíamos estar falando de um triunfo dos spurs.



Mas o fato é que, há um mês, não imaginávamos que sairíamos do Wembley com os 3 pontos e animados para o próximo compromisso. O segundo tempo pode ter causado alguns momentos de apreensão, mas não dá para dizer que foram 'desnecessários' ou completamente evitáveis. Falamos de uma liga repleta de qualidade e conhecida justamente por esse tipo de embate. Fomos protagonistas de um dos jogos mais cativantes da temporada e a catedral do futebol voltou a ser pintada de vermelho.



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Rashford vive a fase da carreira, Pogba continua produzindo como seu talento sugere e Martial tomou conta de uma posição outrora cercada por incerteza. Matic não se enrola mais com a bola, Herrera está parecendo 'três em um' e Lindelof passa uma sensação de segurança que poucos esperavam após seu início tenebroso. Mesmo tendo que marcar Harry Kane. E no comando temos o único treinador a vencer suas 6 primeiras partidas na história do Manchester United.


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Solskjaer conseguiu uma vitória gigante sobre o treinador que já é tido, por alguns, como o seu sucessor. Peso enorme


A instituição já não reflete mais um cenário sombrio, mas sim uma força enorme que está caminhando na direção que lhe pertence. Estamos chegando no top four? Sim. As probabilidades contra o PSG estão aumentando? Também. Mas não é (só) isso que deve ser frisado. Acima de tudo, devemos aproveitar essas sensações tão maravilhosas que não tínhamos há bastante tempo. Hoje deu para comemorar cada drible, desarme, lançamento e dividida. E defesa, claro. Afinal de contas, quem mandou na partida foi David De Gea.