Arsenal 1-3 United: deixando sua marca no Emirates, a equipe finalmente sabe para onde caminha

Ole Gunnar Solskjaer vai se provando cada vez mais flexível - e inteligente - na parte tática, enquanto os jogadores compram suas ideias e consequentemente registram oito vitórias consecutivas. Algo inimaginável até na cabeça do torcedor mais otimista. O United novamente fez a festa no Emirates, provou sua superioridade contínua sobre o Arsenal - independente de fase, treinador ou competição - e se classificou para o fifth round da FA Cup.


ESPN.com.br | Manchester United vence no Emirates e elimina o Arsenal da Copa da Inglaterra


O torneio em si não vale tanto, mesmo com toda a história enraizada no troféu. Há muitos anos o peso é diferente para um clube pequeno/médio em relação aos grandes. Não devemos nos contentar com campanhas vitoriosas na Copa da Inglaterra e um título aqui não apagaria as manchas existentes em nossas últimas temporadas. O cenário fica um pouco distinto quando levamos em consideração a figura do treinador, por outro lado.



O norueguês pode não estar no cargo em 2019/20, as chances na Premier League são inexistentes (top four seria uma conquista) e a Champions League… bem, prefiro não me iludir tanto (no fundo, já estou imaginando a final em Marid). Vamos com calma. Essa taça, portanto, eventualmente pode significar um símbolo da nossa ressurreição pós-Moyes/Van Gaal/Mourinho. Depois de muito tempo sentimos aquele espírito positivo no ar e medalhas não são para se jogar fora. Vamos em busca de mais uma. O mais importante, porém, está nessa evolução diária. 


Hoje a estratégia poderia ter trazido riscos consideráveis, mas colocando todos os fatores na equação ficou claro que fazia sentido. Os anfitriões tiveram a bola e, com qualidade e organização, poderiam ter ameaçado a meta hoje defendida por Romero. Mas e a qualidade e a organização? Tudo bem que houve uma evolução com Unai Emery e na semana passada seus comandados fizeram uma bela atuação diante do Chelsea, nesse mesmo 4-4-2 losango.


Getty Images
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A atmosfera está, de uma vez por todas, radiante


Só que Solskjaer confiou no seu próprio taco, espelhou a formação e colocou os duelos individuais à prova. Pogba, Lingard, Sánchez, Lukaku, Martial e Rashford (esses mais tarde) diante de Kolasinac, Koscielny, Mustafi, Maitland-Niles e Cech… bem, a disparidade é óbvia. O perigo poderia surgir com o espaço nas costas, mas os jogadores ofensivos foram instruídos a permanecer na frente e testar o poderio defensivo da última linha adversária.


Que é tenebroso. Mesmo com nossos atacantes reservas, fizemos por merecer a cada investida e tínhamos a sensação de que os gols só dependiam da própria vontade. Herrera foi o Herrera dos clássicos, firme e eficaz em todos os duelos; Pogba se soltou na etapa final e fez o que quis com a marcação; Jesse teve desempenho exemplar com e sem a posse, fazendo a equipe jogar e brigando até o último instante; Lukaku deu duas assistências, Sánchez ativou a lei do ex e a dupla Martial-Rashford entrou com o gás que já nos acostumamos.



Os rivais do norte de Londres já foram, que venham os outros peixes grandes para continuarmos nessa convincente ascensão. Mantivemos princípios, mas aplicamos planos específicos nos dois confrontos em questão e levamos a melhor em ambos. Isso é animador por diversas razões: nos mostra a sabedoria de um técnico que poderia ser reduzido apenas à 'motivador' a capacidade dos atletas em executarem em cima das devidas instruções e que a gestão de elenco está, finalmente, em dia.



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Isso resume meu sentimento atual com o clube que certamente já é visto com outros olhos por toda a Europa. Ganhamos pontos, classificações, moral, repercussão (os números nas redes sociais cresceram exponencialmente em dezembro-janeiro), alegria e, principalmente, direção. Sabemos pra onde estamos indo e a marcha não é mais a ré.