Martial até 2024: vitória do clube e do jogador

ESPN.com.br | Manchester United renova com Martial por cinco anos


"Depois de pensar em todos os cenários e possibilidades, Anthony quer deixar o clube. Existem vários parâmetros, agora é prematuro discutir. Ele vai falar sobre isso depois. O United quer renovar e não quer que ele saia, mas não chegamos a um acordo por vários meses. Eu acho que quando o clube mais poderoso do mundo não chega a um acordo em oito meses de negociações, é porque eles realmente não querem fazê-lo um jogador importante."


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Pouco tempo atrás, a situação não parecia boa...


"E é por isso que essa foi a decisão - bem considerada. Entretanto, é óbvio e importante lembrar que ele está sob contrato, o Manchester United terá a última palavra e vamos respeitar a decisão. Ele vai até o fim de seu compromisso. É importante lembrar que nessa temporada (17/18) ele marcou 11 gols e deu 10 assistências em cinco meses. Foi eleito três vezes pelos torcedores como o Player of the Month. E aí chegou a janela de janeiro. Não vou comentar as consequências dessa janela."


"Todos tem uma opinião, acho que ele deve seguir em frente com sua carreira. A hora chegou. Anthony tem a escolha (sobre negociações com outras equipes), não posso dizer nada agora, mas a partir do momento em que um jogador como ele está no mercado, vários times se interessam. A única coisa que posso dizer é que vários treinadores apreciam seu perfil e diversos clubes querem mostrar seus projetos para ele."


Palavras de Philippe Lamboley, agente de Martial, em junho de 2018. Com alguns asteriscos, sua declaração fazia sentido e realmente representava o cenário que seu cliente vivia em Old Trafford.


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Poucos meses pra frente, a situação é a melhor possível


"Estou amando minha estadia nesse clube. Desde o dia que cheguei me trataram como parte da família do United e fiquei incrivelmente grato pelo amor da nossa torcida, que continua a me impressionar com seu apoio. Eu gostaria de agradecer Ole e seu staff pela crença em mim e por me ajudar a atingir o próximo nível. Esse clube significa conquistar títulos e eu tenho certeza que a próxima taça não está tão longe."


Palavras de Anthony Martial, de contrato renovado por 5 anos, em janeiro de 2019.


Sete meses se passaram e, por mais que ainda tenha aguentado alguns nada animadores, as últimas semanas foram suficientes para o cenário mudar completamente e o papel ser assinado. A diferença que a troca no comando faz, né? É outra coisa você estar em um ambiente leve, condicionado para a evolução e guiado por pessoas que compreendem seus pontos fortes. E estamos falando de um negócio que só aconteceu por causa da decisão da diretoria em dezembro.


Ainda na janela de transferências anterior à campanha atual, o Times reportou que o francês teria uma proposta de renovação em mãos. Ele estaria disposto a esperar pela saída de José Mourinho, confiando que permaneceria na agremiação por mais tempo que seu comandante. Não deu outra. Percebemos, então, que não se tratou de uma novela inventada pela mídia: sabemos exatamente (ou quase isso) o processo que culminou no anúncio de hoje.



Era difícil entender como nosso antigo treinador chegou e, tendo à disposição o melhor jogador de linha do time na mais recente temporada (15/16, com Van Gaal), resolveu deixá-lo de lado. Foram três escalações inaugurais na Premier League em 16/17 e, da quarta rodada até o fim do primeiro turno, teve 330 minutos em campo. O então Golden Boy – prêmio de melhor jovem da Europa – tinha sido encostado por um técnico que não sabia o que queria. Ou sabia?


O restante eu não vou detalhar, mas é fundamental lembrar do que parecia um turning poing (negativo) nessa história. De agosto até dezembro de 2017, Tony fora eleito três vezes (!) o Player of the Month de um time que dependia de brilho individual como o seu. Alexis Sánchez chegou, porém, e de uma hora pra outra o destaque voltou para o banco de reservas. Não é preciso falar muita coisa para entendermos que isso faz mal ao conjunto – que decaiu -, ao ambiente – que passa a estranhar as decisões do "líder" – e, claro, ao ser humano.



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Mexe com o psicológico e dificulta o bem-estar, gerando consequências no desenvolvimento do atleta. Mesmo com tanta qualidade, produtividade, momentos memoráveis e o apreço da torcida, conseguiram fazer com que uma transferência parecesse a melhor opção. Assim como Luke Shaw e Paul Pogba, entretanto, o garoto resistiu às épocas conturbadas para posteriormente colher os frutos da superação. Hoje forma um trio de ataque que dá gosto de assistir e orgulho de admirar, desenhando um futuro empolgante para todos os envolvidos.


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"Tony Martial came from France. English press said he had no chance. 50 million down the drain. As Tony Martial scores again". Continuaremos apreciando


Martial tem um record que já seria ótimo em plenas condições, mas fica ainda melhor se levarmos todos os fatores em consideração. Em 161 aparições por aqui, marcou 46 vezes e deu 27 assistências, contribuindo diretamente para 73 gols. Teve 11 match winners (gols da vitória), incluindo semifinal de FA Cup, e balançou as redes contra todos os clubes do top 6. Isso que constantemente viveu altos e baixos.


Imaginem um jogador desses em uma equipe com padrão de jogo e, fundamentalmente, acompanhado de uma comissão técnica que o impulsiona? Tem apenas 23 anos e as perspectivas, finalmente, são positivas em todos os aspectos. A sensação é de que o United estava preso com uma trava e a mesma foi solta. Novamente enxergamos caminhos otimistas e podemos ficar tranquilos: teremos um camisa 11 de qualidade por muito tempo no lado vermelho de Manchester.