Fulham 0-3 United: direto, soberano e confiante. Como a cartilha do clube recomenda

Ninguém esperava muitas dificuldades contra o Fulham, vice-lanterna da Premier League, mas o fato de Ole Gunnar Solskjaer ter promovido 5 mudanças na escalação deu um pouco de medo. Afinal de contas, a última vez que aconteceu esse nível de rodízio o resultado foi um empate com o Burnley em Old Trafford. Smalling e Jones na marcação de um dos melhores atacantes da liga - Mitrovic - não me inspirava confiança, mas precisávamos dar conta do recado lá na frente.


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E não foi tarefa difícil com o retorno do nosso ponto forte, maiores assets da agremiação. É claro que estou falando da french connection formada por Pogba e Martial. Enquanto o meio-campista chegou ao impressionante número de 22 participações em gol em 30 aparições na temporada, o ponta esquerda marcou e deu assistência em uma atuação simbolizada por características nostálgicas para a torcida.


Getty Images
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Incontestáveis


Em 2007, foi vez de ninguém menos que Cristiano Ronaldo partir em velocidade e anotar o game-winner com um chute preciso  no canto esquerdo da trave do Craven Cottage. Já em fevereiro de 2013, Wayne Rooney também trouxe os 3 pontos pra Manchester com uma finalização praticamente igual. Doze anos depois do primeiro, nosso atual camisa 11 fez uma bela jogada em transição iniciada por Jones (!) e colocou a bola exatamente naquele lugar. Algumas semelhanças com nossas fases de ouro são trabalhadas pela comissão técnica e outras nem tanto, mas é interessante observar como as coisas vem acontecendo.


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Mas o que agrada de verdade é a qualidade da performance de jogadores como ele. Após viver meses com uma transferência batendo na porta, Anthony vem provando a cada semana seu valor nos números e na maneira que coloca os adversários em total domínio. Vai pra cima como quem sabe que é o lado superior no duelo e dá ao ataque a necessária - e única - ameaça do 1v1. Enquanto Paul faz… tudo? Está cada vez mais se mostrando um all-rounder, capaz de influenciar o andamento da partida de diversas maneiras, com e sem a posse.



É um líder técnico e vocal dentro do grupo, como declarado por seus companheiros e visível em campo. Já conhecemos seu repertório diferenciado e todos os atributos que aplica quando está com a bola, mas e a movimentação sem ela? Hoje deu uma aula de timing e inteligência nas infiltrações, frequentemente passando pelo 'lado cego' de algum oponente e se colocando em posições vantajosas. Sempre foi uma peça de encaixe perfeito para esse tipo de ação, mas na 'versão anterior' da equipe dois fatores o travavam.


Principalmente a restrição natural que fazia parte de uma estratégia mais disciplinada, mas é importante ressaltar algo forçado pelas fraquezas do conjunto - e da tática. Ver Pogba à frente apenas dos zagueiros, fazendo a saída, era algo normal. Nosso back-four não podia ser tão propositivo e, com os comentários do técnico, estavam sem confiança para qualquer pensamento fora da caixa. Então a referência do elenco precisava ajudar nesse processo, depois avançar para articular e chegar de surpresa para concluir. Afinal de contas, por £89 milhões ele deveria conseguir fazer tudo isso, né?



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Sorte a nossa que a realidade vai ficando mais clara do que o potencial que estávamos nos arriscando a desperdiçar. E não posso passar batido pelo desempenho que já se tornou habitual para Herrera. O espanhol é o primeiro a puxar a pressão e o primeiro a direcionar o time pra frente. Tem um papel imprescindível para a execução eficaz desses planos ousados e agressivos do staff, que nos empolga e conforta. Fomos precisos no counterpressing e isso gerou um cenário repleto de benefícios para os atletas ofensivos.



O Fulham saia pelo meio e via Seri e Chambers sendo engolidos por três, quatro rapazes de vermelho, cada um fechando um ângulo e reduzindo ao mínimo as possibilidades do portador da bola. Em alguns lances não recuperamos diretamente, mas a tomada de decisão subsequente do adversário estava defasada e resultava na perda da posse. Tentavam achar uma válvula de escape pela lateral? Tínhamos os recursos para defender com soberania antes mesmo de ultrapassarem a linha central. Shaw não foi tão agudo dessa vez, ficando responsável por parar os contra-golpes e servir de base para a criação.


Dalot também foi melhor nesse tipo de função, ainda errando bastante quando avançava. Por sorte Ander caia por ali e conseguiu tomar conta sozinho do setor. Foi um XI inicial bem pensado por Solskjaer, que nos trouxe a vitória precoce e permitiu o descanso aos três jogadores destacados no texto. Martial, Pogba e Herrera deixaram o gramado londrino com a sensação de dever cumprido e estão prontos para carregar a mesma confiança para o confronto da terça-feira. O PSG está logo ali e é impossível encontrar um torcedor que não está empolgado - com justiça.



Quando Mourinho foi demitido o United era sexto, estava a 11 pontos do top four, 19 do líder e com um saldo de gols de 0. Agora, está em quarto, tem um saldo de gols positivo de 17 e está a 11 pontos da liderança, além de ter o terceiro melhor ataque da competição. 



Amanhã trago um preview da partida que promete fazer o Old Trafford balançar. O que estão achando?