United 0-2 PSG: Solskjaer aprendeu com Tuchel. E isso faz parte

Não foi apenas uma noite frustrante. Foi péssima. Se esperávamos a magia do Old Trafford abrilhantando um grande triunfo do United, vimos o Paris Saint-Germain tomando conta de cada centímetro do campo e praticamente nos eliminando da Uefa Champions League. Marquinhos anulou Pogba (expulso no fim), Dani Alves foi Dani Alves, Di Maria (...) foi decisivo e, sobretudo, Thomas Tuchel deu uma aula para Ole Gunnar Solskjaer. A tarefa no Parc de Princes é próxima do impossível.


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No primeiro tempo vimos um jogo tenso, com alguns atletas demorando para pegar confiança e consequentemente reduzindo o potencial. Martial, que vive uma ótima fase e em tese poderia ter facilidades, não demonstrou a firmeza esperada e perdeu algumas oportunidades de criar alguma coisa. Em contrapartida, começando inclusive por aquele lado, os visitantes cercavam o setor da bola e conseguiam nos seduzir antes de partir pra cima.


Isso era visto nas rotações constantes das peças, que não guardavam posição fixa - salvo casos específicos, como sempre alguém de olho nas costas dos nossos volantes e Bernat aberto na esquerda. Com entrosamento, articulavam com qualidade e davam o bote final com conduções até a frente da meia-lua. Mbappé e Di Maria perderam gols incríveis após triangulações construídas no setor, que apresentava sérios riscos para De Gea.


Sorte a nossa que Neymar estava assistindo pela televisão (sim, seria uma goleada). Nesse espaço o brasileiro triplicaria as chances e, claro, poderia concluir por si e efetivar a soberania dos franceses antes do intervalo. Não que fosse uma atuação exemplar até ali, claro. Cediam o contragolpe com certa frequência, mas não conseguimos aproveitar por detalhes individuais e coletivos. Se pegarmos um por um, deixamos a desejar; o conjunto, porém, poderia ter encontrado mais saídas.



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Parecia que estavam com medo de agredir pelo meio, já pensando na ameaça dos contra-ataques rivais. Natural quando você tem um especialista nesse tipo de jogada do outro lado, mas é justamente a agressividade e ousadia que marca a equipe de Solskjaer. Não vimos tanto dela hoje, infelizmente. E tivemos uma dose de azar com as lesões de Martial e Lingard, substituídos por Mata e Sánchez. E não tem como esperar um desempenho acima da média, que precisávamos, com esses dois.


Ambos caminham para um fim de trajetória no clube e hoje deram até mais opções para o adversário. Ao dedicarem menos esforço nas recomposições, abriram lacunas para as subidas pelos flancos. Di Maria cresceu, se motivou com as vaias nas arquibancadas e deu duas assistências pra selar o resultado. De Gea ainda operou milagre para nos manter relativamente vivos no confronto, pois a verdade é que fomos bem superados. Em vários aspectos e em um cenário a princípio favorável.


Pesou experiência e concentração, mas principalmente a inteligência de um treinador que vem fazendo um ótimo trabalho em Paris. Tuchel transformou o espírito que cercava o grupo, ganhou a confiança - e amizade - de seus comandados e vai mostrando um conhecimento tático de outro nível. Falei no preview sobre como a formação não se repetia há semanas e, em um ambiente em tese complicado, o alemão deu as condições ideais para uma performance extremamente satisfatória. E colocou nos pés de cada um a responsabilidade da execução, que, se feita com precisão, traria como consequência a partida que vimos.


Getty Images
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Patamares diferentes em ação


Controle da bola, do espaço e soberania psicológica. Imaginávamos que teríamos pelo menos duas dessas coisas, mas na hora H ficou evidente a diferença entre um projeto e algo mais próximo da realidade. O PSG ainda não tem o pacote completo e trazia dúvidas para Manchester, mas mostra nessa temporada uma maturidade que outrora não existia. Fica a lição para Solskjaer, o staff e um plantel que precisa adquirir aprendizado. Dá tempo até o dia 06/3? Difícil.