United 3-2 Southampton: Lukaku - e Solskjaer - ao resgate

Queriam um Manchester United sendo 'mais' Manchester United? Aí está. A bonita e emocionante vitória sobre o Southampton é outro ponto compatível com as grandes épocas que buscamos replicar - pelo menos em princípios - e, a partir disso, evoluir. Evolução que não para e pode ser vista através de mexidas cruciais em cenários adversos, recuperação quase total do plantel e um espírito positivo capaz de contagiar todo o ambiente envolvendo o clube. "Ole’s at the wheel. Tell me how good does it feel"?


ESPN.com.br | Manchester United vence Southampton e passa o Arsenal com brilho de Andreas Pereira e Lukaku


Criamos algumas chances em 5 minutos e a impressão era de que seríamos soberanos na partida, com o gol sendo questão de tempo. Mas o Southampton tem um time que se encaixou sob o comando do ótimo Ralph Hassenhütl - que fez um trabalho muito bom no RB Lepzig e é uma figura bem respeitada na Alemanha - e estava pronto para surpreender em Old Trafford. A pressão alta causou certa quebra em nossa construção e a presença de dois alas (era um 5-3-2) limitou os contragolpes em velocidade pelos lados.



Essa é uma das principais armas de Solskjaer e, vale ressaltar, costumeiramente responsabilidade de Martial e Lingard. Hoje os dois estavam ausentes até do banco e a eficácia da tática é diferente, claro. Rashford e Lukaku revezaram pela direita e Sánchez na esquerda; nenhum conseguiu causar incômodo e até facilitaram o trabalho de Bertrand e Valery, inicialmente. O segundo subiu ao profissional faz pouco tempo e coroou sua ascensão com um golaço no canto próximo De Gea - o que caracteriza uma rara falha, inclusive.


Mas o problema estava no meio-campo. A qualidade individual cai com as trocas forçadas na escalação, mas também faltou posicionamento inteligente. Pogba fazia seu jogo habitual, caindo na sombra de Shaw sempre que possível, só que Andreas e McTominay não contribuiam pra articulação. O brasileiro se deslocava lateralmente e o escocês não é dos mais lúcidos ou capacitados com a posse. Gerava um buraco no centro e, além de reduzir consideravelmente as possibilidades ofensivas, prejudicava defensivamente falando.


As transições dos visitantes eram bem mais tranquilas dentro desse cenário e não conseguimos conquistar território. Era um desempenho fraco em diversos aspectos e as coisas precisariam mudar na etapa final. O intervalo fez bem. Voltamos mais proativos, dispostos a dominar e, fundamentalmente, com a plataforma para isso. A saída de Sánchez também ajudou - e como. Ole deu outra amostra de seu conhecimento tático e do nível dos treinamentos atuais.



O elenco se sente preparado para jogar em várias formas e sistemas, adaptando-se conforme a situação recomenda ou exige. Com tanto desfalque e a substituição de Alexis, passamos para um assimétrico 4-2-2-2, com McTominay e Pogba atrás de Pereira e Dalot. Lukaku e Rashford tinham liberdade de movimentação no comando do ataque. O português improvisado de ponta (não que seja uma função atípica pra ele) fez em instantes mais do que o chileno na partida inteira.


E Andreas pegou confiança com sua responsabilidade mais 'decisiva' em zonas próximas da área, assinando uma pintura para empatar e servindo Romelu na virada. Shaw participou do lance e fez uma ótima exibição, tomando conta do flanco esquerdo na maior parte do tempo - com a exceção, infelizmente, resultando no gol de Valery. Seu companheiro de posição, porém, foi naturalmente mal. Young destoou do nível positivo da linha de defesa, foi facilmente superado por Redmond e teve falhas infantis na marcação.



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Em uma delas, fez uma falta desnecessária e como consequência assistiu um golaço de Ward-Prowse. O camisa 16 é um dos melhores da liga na bola parada e isso é algo que deveríamos ter prestado atenção. Enfim, a partida já era uma das melhores que o Teatro dos Sonhos recebeu em 18/19 e as coisas ficariam ainda mais animadas. Partimos pra cima no final com agressividade e esforço redobrado, mas sem desespero. Prova disso é a terceira e também decisiva alteração de OGS.


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Pereira fez gol(aço), deu assistência e vê sua reputação definitivamente voltar


Fred entrou e imediatamente deu uma dose necessária de direção/consciência na criação, algo necessário em um dia menos inspirado de Pogba. E em um de seus passes encontrou Lukaku em território de finalização, culminando no giro rápido e a batida perfeita com a 'perna ruim'. O belga teve - e tem - muita questão a ser respondida e ainda não passa a confiança que imaginávamos, mas correspondeu no período que mais precisamos.


Foi essencial na contenção reforçada contra o Liverpool, marcou duas vezes contra o Palace e mais duas hoje. Três desses gols foram com a direita, nos lembrando do tremendo matador que ele é. Em uma temporada bastante abaixo da média (isso é inquestionável, o próprio reconhece), balançou a rede em 11 oportunidades na Premier League. Irrita, nos dá uma agonia pelas chances perdidas ou o controle torto da bola, mas ingressou no top 20 da artilharia na história da competição (desde 1992) por um motivo.


Recuperando pelo menos 80% do seu futebol, temos uma peça de grande valia para os próximos passos do plantel. A vaga de centroavante agora é de Rashford e assim vai continuar, mas para atingirmos o patamar de elite precisamos de opções condizentes com a elite. Um reserva - ou 12º jogador - que fez 185 gols com 25 anos se encaixa nesse panorama que buscamos criar. O belga pode representar um acerto gigantesco de Solskjaer.


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É por dias como esse que nos apaixonamos pelo Manchester United, certo?


E seria "só mais um". O que o novo treinador vem fazendo para o clube é espetacular e digno de todos os elogios e hype que está recebendo. Golaços, entrega, viradas e mudanças cativantes durante o jogo: entretenimento não faltou em Old Trafford e, como voltou a ser costume, os três pontos na bagagem. Lembram da dificuldade de emendar boas sequências até dezembro? Não foi pouca coisa que mudou e todos envolvidos com o Manchester United têm razão de sobra para celebrar.