Arsenal 2-0 United: hoje a sorte esteve do outro lado - e faz parte

No início do século, o clássico United x Arsenal era símbolo de uma rivalidade competitiva, emocionante e que atraia a atenção de qualquer fã de futebol. São vários os momentos marcantes, com batalhas que começavam fora e terminavam (ou não) dentro do campo. Com o tempo essa animosidade foi diminuindo, primeiro com a decadência dos gunners após os gastos com o Emirates e depois com nossa queda repentina pós-Ferguson (que se despediu tirando Robin van Persie de lá para ganhar um título aqui).


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De qualquer forma, segue sendo um confronto interessante de acompanhar e que sempre carrega narrativas diferentes. E hoje teve uma disputa de alto nível por território, ritmo e, no fim das contas, pelo resultado. Cada um em sua estratégia, com Emery confiando em suas peças mais consolidadas para povoarem o espaço entre nossos volantes e defensores. Solskjaer trouxe o esquema que surpreendeu o mundo em Paris, alternando entre o 4-3-3 e o 3-5-2.


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Fred fez mais uma ótima exibição hoje; a segunda seguida, talvez as 2 em sua estadia por aqui


Chave nesse cenário era o posicionamento de Dalot, iniciando como ponta direita para manter nossa ameaça nas costas da última linha (como fizemos com sucesso naquele triunfo pela FA Cup), mas recuando a partir do momento em que os anfitriões mostraram força para nos superar. Não éramos o melhor time, mas criamos oportunidades de 'qualidade' que por detalhe não resultaram em gol. A capacidade de causarmos perigo nos contragolpes é impressionante, mesmo com a equipe ainda desfalcada. O único que não conseguiu desabrochar nessas condições promovidas pelo novo staff é Alexis Sánchez.


Lukaku pode ter nos irritado - com razão - em grande parte da temporada, mas vem ressurgindo gradativamente e está cada vez mais em dia com sua movimentação. É importante ressaltar também que seu corpo claramente está mais leve e condizente com o estilo de jogo que gosta de executar. Mesmo sendo alto e forte, não é uma referência 'nos moldes antigos' como pode parecer. Tem inteligência para encontrar os espaços, participa da construção das jogadas e já provou isso em 18/19 - não podemos esquecer.


Se entendeu bem com Rashford, mas o inglês novamente esteve abaixo no aspecto técnico e físico, reduzindo nossa chance de transformar a articulação bem elaborada em bola na rede. Martial estava no banco e sua entrada poderia ser o diferencial nesse panorama. Mas veio tarde. Continuamos a agredir com uma tática bem vertical, buscando a intensidade a todo instante e atacando em números. Leno operou milagres, Lukaku errou na hora H e o Arsenal simplesmente encontrou mais um gol.


Não fazia por merecer uma vantagem dobrada, ainda mais se levarmos em conta que o pênalti 'cometido' por Fred… não foi. Lacazette se aproveitou do mínimo contato e desabou. Acontece. Não dá pra ficarmos quebrando a cabeça por decisões questionáveis da arbitragem. Outra coisa é a questão da 'injustiça'. O placar sem dúvida alguma não refletia a partida, mas também contamos com doses de sorte nessa sequência absurda com OGS. A fase é maravilhosa com méritos, mas tivemos a ajuda do 'incontrolável'.



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Fred foi mais um a sofrer com o azar. Foi um dos melhores em campo com o tipo de performance que fez dele um jogador de £52 milhões no Shakhtar Donetsk, participativo com e sem a bola, habitualmente nos tirando da pressão… menos no lance da penalidade. Vê sua moral crescer e pode garantir uma posição mais importante no elenco se continuar jogando assim nessa reta final. Matic, por sua vez, não deveria ter voltado hoje; é fácil falar agora - eu, inclusive, pensava diferente -, mas o sérvio estava sem ritmo e foi prejudicial ao sistema.


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Não era nosso dia


McTominay vinha adaptado e eficaz nessa versão 2.0 do United com Solskjaer e merecia continuidade, enquanto o titular se recuperava. Lindelof não foi o Lindelof que nos acostumamos e, consequentemente, o desempenho da linha de defesa que lidera caiu. Tivemos pontos negativos que nos custaram a invencibilidade, mas seria precipitado tratar essa boa exibição como preocupante. Por sorte Tottenham e Chelsea perderam pontos e já sabíamos que a disputa pelo top 4 seria acirrada.


Seguimos firmes nela e temos totais condições de recuperarmos a quarta colocação. Mudança de treinador: 19 de dezembro de 2018. Primeira derrota na Premier League: 10 de março de 2017. Sem motivo para desespero. O que acham?