Os nomes que o United deveria procurar nesta janela

Com o final da Uefa Champions League, a temporada europeia de clubes está oficialmente finalizada e podemos analisar friamente o que passou e o que possivelmente virá. Louis van Gaal fez o que pode e cumpriu, querendo ou não, a sua missão: levar o United à principal competição continental e, com os rabiscos deixados por David Moyes em mãos, criar um rascunho decente para a sua campanha decisiva - a de 2015/16. É em junho do ano que vem que seu trabalho poderá ser julgado com o embasamento necessário, se levarmos em conta todos os altos e baixos vivenciados em Old Trafford nos últimos meses.


Obviamente existem outros aspectos a serem discutidos no que tange à estabilização de uma equipe (considerando que o período de formação já se foi), mas vamos focar no casual e necessário: identificar áreas defasadas e procurar soluções para melhorá-las.


Os 'problemas' começam lá de baixo (ou lá de trás, como preferir). David De Gea, indiscutivelmente o nosso melhor jogador nas duas últimas temporadas, está prestes a fechar a esperada e habitual transferência de toda offseason; o destaque da Premier League indo para um dos grandes da Espanha (vide Gareth Bale e Luis Suárez) - ou, mais específico, um talento world-class moldado em Manchester partindo para o Real Madrid (vide David Beckham e Cristiano Ronaldo). Seu substituto, ao contrário do que o senso comum nos conta, pode não ser o melhor disponível, mas sim o que se mais se encaixa na famosa filosofia do treinador holandês.


Franz Hoek, principal preparador de goleiros do United e autoridade mundial no assunto, em recente entrevista revelou que divide os jogadores da posição em dois grupos. No tipo A se encaixam os mais modernos, proativos, com inteligência de jogo e boa técnica com a bola nos pés. O tipo R, por outro lado, agrupa aqueles com mais comando de área, força (tanto física quanto mental) e liderança, mas pouca qualidade com a bola. A julgar tanto pela última temporada quanto pelas diretrizes seguidas por van Gaal, membro da escola do futebol total, é natural que o tipo A seja o procurado por ele e os olheiros do clube.


O que isso significa, se considerarmos os possíveis alvos para assumir a camisa 1? Primeiro, que Petr Cech provavelmente não é o que estamos procurando. Deixando suas consagradas habilidades de lado, seus pontos mais fracos - leitura do jogo, dinâmica, performance com a bola e excentricidade - devem tirar o tcheco dessa disputa. Quem entra na briga? Bernd Leno, do Leverkusen, joga em uma equipe totalmente 'moderna' e seria relativamente barato, então é bom manter o olho nele. Hugo Lloris, porém, segue sendo o favorito para a vaga. Com 28 anos, o francês está alcançando o seu auge, já participou de três edições do Campeonato Inglês (foi bem em todas) e se encaixa perfeitamente em todos os requisitos supracitados. Conhecido por ser um dos melhores líberos do mundo, atrás de Manuel Neuer e talvez Marc Andre ter-Stegen, passa longe de ser uma aposta e chegaria com autoridade.


Chegamos na defesa. Mais precisamente, duas lacunas a serem preenchidas: um zagueiro e um lateral-direito. Jonny Evans e Phil Jones estão totalmente fora da briga pela titularidade, e Marcos Rojo é um bom backup. Chris Smalling, por sua vez, mostrou uma evolução impressionante de janeiro a maio e, junto com uma pré-temporada completa (ano passado esteve na Copa do Mundo) e sob a batuta de um treinador que é conhecido por melhorar jogadores outrora encostados (Fellaini, Young…), não seria surpresa vê-lo ocupando uma das vagas na zaga. A outra, por enquanto, é uma incógnita. Dos nomes que são especulados, o que mais chama a minha atenção é Nicolás Otamendi, do Valencia. Um dos melhores defensores da Europa em 2014/15 e um xerife por natureza, sua liderança e jeito mais sério de jogar seriam de grande valia para uma linha de 4 que foi bem inconsistente nos últimos anos. Dono de um bom desarme, ótimo nos duelos aéreos e alvo de elogios por seu senso posicional dentro de campo (algo que precisamos urgentemente), o argentino, que até mesmo teria feito um pedido de transferência no Mestalla, seria a minha escolha. Dos que correm por fora, Miranda vem dando sinais de declínio, Dante não traria um upgrade tão grande e Varane provavelmente não passa de um sonho. Ah, e por enquanto vamos esquecer Mats Hummels, que reiterou seu desejo de permanecer em Dortmund e é candidato a ser o novo Wesley Sneijder no sentido de ser vinculado ao United a cada três meses e o rumor nunca se concretizar. Caso venham dois para a posição, acredito na contratação de um atleta de menor calibre mas bom potencial, e o que mais me agrada dentro desse grupo é Toby Alderweireld, que tem futuro incerto no Atlético de Madrid após um excelente período de empréstimo no Southampton.


Manuel Queimadelos Alonso/Getty Images
Manuel Queimadelos Alonso/Getty Images

Otamendi tem todos os atributos para ser o novo 'chefe' da defesa red devil, algo que sentimos muita falta nas últimas temporadas


Para a lateral-direita, apesar de não sentirmos tanto tal necessidade durante a temporada, precisamos de um novo titular. A qualidade de Rafael é inegável e Antonio Valencia segurou bem a barra quando precisamos, mas um não passa mais de dois meses longe do departamento médico e o outro não é natural da posição. Com outra competição no calendário - "só" a Champions -, tal lacuna deve ser preenchida o mais rápido possível e eu apostaria todas as minhas fichas em Nathaniel Clyne, outro jogador dos Saints. Na última pré-temporada, quando o inglês havia conquistado os holofotes apenas por suas qualidades ofensivas, o negócio já era especulado e bem visto pelo torcedor. Hoje, então, seria um tiro certeiro: o camisa 2 desenvolveu de forma impressionante seus atributos defensivos e foi parte integral da segunda melhor defesa da Premier League, atrás apenas do campeão Chelsea. Considerando ainda que se encaixaria na cota de britânicos exigidas por todos os campeonatos e que tem apenas 24 anos (passou de ser promessa mas também não atingiu o seu auge), seria bem lógico vê-lo vestindo as cores do United em 2015/16. No lado oposto, também acredito que um melhor período de preparação daria a Luke Shaw a base para assumir um posto importante e ter maior consistência do que em sua campanha de estreia - em que teve boas, mas esporádicas (devido a lesão e uma série de fatores extra-campo) atuações. Como demonstrado na sequência de triunfos diante de Tottenham/Liverpool/City em março/abril, Daley Blind também pode dar conta do recado.


A posição de meia defensivo da equipe entra e sai de discussão a cada três meses, aproximadamente - ou, de forma mais precisa, a cada lesão de Michael Carrick após uma sequência de ótimas performances do próprio. Sem o inglês, nosso rendimento cai de forma impressionante, como podemos observar dentro de campo durante as partidas e também nos números: em 2015/16, com ele, são 18 jogos e 13 vitórias; sem ele, 20 jogos e 7 vitórias. Isso nos mostra que somos mais dependentes de um jogador de 33 anos do que devíamos. A solução pode não estar tão longe. Na realidade, 360 quilômetros ao sul, também em Southampton - atende pelo nome de Morgan Schneiderlin. Assim como Clyne, já era visto como um alvo nas últimas duas janelas e melhorou consideravelmente o seu jogo. Senso posicional digno das referências no setor, desarme invejável (média de 3.7 por partida) e tendo a concentração como ponto forte, é difícil encontrar um nome melhor, ainda mais se considerarmos que os clubes e o atleta devem ter facilidade para fechar o negócio. Nigel de Jong estará sem contrato em três semanas e também aparece como possível alvo, mas seria mais um tapa-buraco do que parte integral do sistema - a idade avançada e pouca versatilidade (ao contrário do francês, que pode jogar em qualquer parte central do campo) devem pesar. E não, Paul Pogba não é a peça que estamos procurando.


Por fim, o ataque. Levando em conta a posição assegurada de Ander Herrera, a provável permanência de Angel Di Maria (que teve sua melhor temporada jogando centralizado, no Real Madrid de 2013/14) e a chegada precoce de Memphis Depay para uma das pontas, é plausível considerar que o problema que nos resta é o do centroavante. Sim, um time que teve Wayne Rooney, Robin van Persie e Radamel Falcao em seu elenco conseguiu terminar a temporada plantando dúvidas na cabeça do torcedor. Quem merece ficar? E se ficar, dá pra confiar em um retorno ofensivo melhor?


Um já se foi, restam dois (deixando James Wilson e Chicharito Hernández de lado, ambos com futuro incerto - um deve ser emprestado e o outro ninguém sabe). Van Persie é o mais velho (31 anos) e vem de duas temporadas bem abaixo da média para seus altos padrões - se ficar, dificilmente será o matador e peça imprescindível que foi na campanha vitoriosa de 2012/13. Rooney foi nosso maior goleador com míseros 14 gols, o menor número para um artilheiro da equipe desde os 13 anotados por Frank Stapleton em 1981/82. Um dado bem preocupante, vejamos o porquê: todos os times do top 6 da Premier League tem um artilheiro confiável (Diego Costa, Sergio Agüero, Alexis Sánchez - que divide a responsabilidade com Giroud -, Harry Kane e Sturridge, que mostrou dar conta do recado quando bem fisicamente). E todos sabemos que van Gaal gosta de um jogador nesses moldes e o próprio reiterou o desejo recentemente. Vamos lá, Rafa Benítez chegou em Madrid cercado de incertezas e criou uma a mais: o futuro de Karim Benzema. O treinador indicou que abdicará do francês para ter Cristiano Ronaldo isolado como um 9 e essa pode ter sido a melhor notícia do ano para o United. Alguém aí não aceitaria um dos atacantes mais produtivos do mundo - com e sem a bola -, fazedor de gols e que está prestes a chegar em seu auge (27 anos)?


Respondam nos comentários e até a próxima.