MK Dons e a reformulação de Van Gaal no United

Uma das coisas mais desprezíveis do futebol é o imediatismo, o foco no curto prazo e o extremismo que ambas as coisas carregam consigo. No Manchester United, porém, podemos afirmar com precisão que (bem) raramente tais atitudes são colocadas em prática. Caso contrário, Sir Alex Ferguson provavelmente seria apenas mais um nome na nossa história: assumindo o comando em novembro de 1986, o escocês só foi conquistar o título da liga nacional seis anos depois, em 92/93 - a campanha de estreia da Premier League, já que anteriormente o formato da competição era diferente e o nome era Football League First Division. Cinco temporadas sem o principal troféu doméstico? Se hoje querem a cabeça de um treinador quando o mesmo sai derrotado de um derby, imaginem a reação da torcida na supracitada época.


De qualquer forma, não podemos negar a existência de pontos-chave na tomada de alguma decisão futebolística. O fato é que estas não podem ser efetuadas somente devido à determinado ocorrido, mas sim depois de uma análise com maior embasamento e a eventual culminação em uma hora H. Nos dias de hoje, é possível traçar tal cenário sendo implementado em Old Trafford. Dos 11 titulares no vexame passado em Milton Keynes, quando o MK Dons enfiou 4 a 0 no United e nos eliminou precocemente da Capital One Cup, 7 já foram transferidos de forma definitiva pelo clube. Como esperado, Van Gaal teve a autoridade suficiente e deixou qualquer receio de lado para fazer uma completa reformulação no plantel recebido das mãos de David Moyes.


O time que formou o XI inicial no confronto: De Gea; Vermijl, Evans, Michael Keane, Reece James; Janko, Anderson, Kagawa, Powell; Welbeck e Javier Hernández.


Em negrito, aqueles que já se apresentaram ao RH para selar seus respectivos termos de saída. Os outros são os que permaneceram - de forma temporária -, mas têm futuro incerto e podem dar adeus ainda nessa janela. Resumindo: todas as peças que protagonizaram um dos maiores vexames da história recente do United podem estar bem longe de Manchester em apenas 12 meses depois do acontecimento. Uma maneira dura, mas precisa (tanto no significado de exata quanto na necessidade de tal ato), de lidar com rendimento abaixo do esperado para um conjunto que deseja ser classificado como world-class.


Ok, sejamos justos: vamos tirar De Gea da equação. Apesar de tudo que vem sendo veiculado na mídia em relação à sua novela com o Real Madrid, o arqueiro foi o melhor jogador do elenco em 14/15 e estaríamos muito bem servidos com ele debaixo das traves por mais uma temporada.


Dos atletas de linha, por outro lado, nenhum deixou - ou deixará - saudades. Marnick Vermijl, Michael Keane e Reece James podem ter demonstrado algum potencial enquanto estiveram nas categorias de base de Carrington, mas nenhum fez por merecer uma vaga entre os principais. O único que poderia render alguma coisa com o first team é Saidy Janko, que chegou em 13/14 e conquistou o prêmio de jogador do ano dos Reserves logo em sua campanha de estreia. O suiço recebeu elogios por sua tenacidade quando indo pra cima dos defensores partindo da posição de lateral-direito, mas seu desempenho defensivo deixava a desejar e não tinha muito a ser lapidado para o futuro. Hoje, os quatro vestem as camisas de Sheffield Wednesday, Burnley, Wigan e Celtic, respectivamente.

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Diante do MK Dons, Anderson jogou uma de suas últimas partidas pelo United: não deixou saudades


Vamos aos mais rodados e discutidos: Anderson, Kagawa e Welbeck. O brasileiro, sinceramente, passava longe de um atleta com o nível necessário para jogar pelo United. Seus defensores citam que Ferguson “o utilizou da forma errada”, mas a declaração de Wes Brown de que o meio-campista é um dos jogadores 'menos inteligentes' que já encontrou e o fato de que o próprio teve 7 anos na terra da rainha e não aprendeu inglês falam por si só. E a situação física do agora meia do Internacional não era das melhores - pegando leve com ele.


Shinji Kagawa é outro que, segundo alguns, jogava fora de posição e foi mal aproveitado pelos treinadores - primeiro SAF, quem o contratou, e mais tarde David Moyes. A realidade, porém, é a de que o japonês raramente aproveitava as oportunidades que lhe eram cedidas (e não foram poucas). A não ser se o adversário fosse o então futuro rebaixado Norwich em Old Trafford, né?


Poucas negociações dividiram tanto a opinião da torcida quanto a de Danny Welbeck com o Arsenal. Nascido em Manchester e formado na base do clube, tinha dia que o inglês animava todo mundo com atuações completas (diante do Real Madrid no Santiago Bernabéu, por exemplo) e outros em que não cumpria nem a sua famosa "função tática’" e também não se mostrava prolífico na frente do gol, algo que um atacante deveria dominar de forma razoável. Ou seja: foi inconsistente. E precisamos de jogadores regulares (e qualificados, obviamente) no elenco. Fosse o agora camisa 23 dos gunners um jovem a ser desenvolvido, tais altos e baixos eram justificáveis - o fato, porém, é que o mesmo completa 25 anos em 2015 e não deve evoluir da forma que muitos esperavam. É um atleta mediano e não podemos nos contentar com pouco.


Dos outros três que ficaram, Jonny Evans está cada vez mais próximo de ser transferido (por algo em torno de £10M, bom valor considerando o futebol que vem apresentando) e a situação de Nick Powell e Chicharito Hernández é semelhante: Van Gaal está disposto a dar mais uma oportunidade para ambos, mas se vier alguma proposta é plausível que o mesmo aceite-a.


Por fim, o que tudo isso significa? Que temos um comandante com a mentalidade que vinha nos faltando recentemente: só fica no elenco quem tem a qualidade suficiente. Simples assim.