Como o United chega para a temporada de 2015/16?

O início da Premier League, marcado para daqui a 3 dias, muitas vezes pode ser mentiroso e dar falsas expectativas ao torcedor. Isso pelo fato de que a partir do opening day da competição ainda teremos 3 semanas completas de (muita) movimentação na janela de transferências e esse período, em diversas oportunidades, se mostrou crucial para determinar os objetivos e as realizações de certa equipe durante a campanha posterior.


De qualquer forma, a temporada de 2015/16 se avizinha e é hora de traçar um panorama geral analisando a posição do United perante esses 10 meses que prometem definir o destino de Louis van Gaal. O holandês chegou e encontrou um plantel em total retrocesso, peças que já não rendiam mais e a motivação em Old Trafford era a menor das últimas duas décadas. Felizmente, o comandante não hesitou e aos poucos foi limpando o que era desnecessário e remontando o time à sua maneira - este que deve, finamente, lutar pelo título mais uma vez.


Vamos por partes.


A principal incógnita que vivemos é a mesma dos últimos dois ou três meses: o futuro de David De Gea. É complicado que essa situação tenha permanecido até a semana de estreia, mas algo precisa ser feito e não há certezas de que o fim da novela será animador. Existem dois lados da moeda: se o espanhol de uma vez por todas concretizar sua ida ao Real Madrid, quem o substituiria? Sergio Romero nem de longe é a opção certeira e recentemente os rumores com Cillessens, Lenos e Lloris da vida esfriaram.


E se a negociação realmente não avançar e o arqueiro permanecer? Aí entra o aspecto emocional; o jogador, os pais e a namorada do jogador esperavam pela transferência e sua condição psicológica pode, naturalmente, ser afetada. Pelo menos nas primeiras semanas. Como Arsenal (do jeito errado) e United (do jeito certo) provaram nas últimas temporadas, a peça debaixo das traves é talvez a mais importante da equipe e precisamos de alguém de confiança vestindo a camisa 1. Se o espirito for o mesmo de 14/15, Dave seria praticamente uma nova contratação.


Teremos uma linha de defesa renovada para 15/16. A princípio, três dos nomes do back-four já estavam na equipe antes desta janela, mas uma também pode ser tratada como reforço: Luke Shaw. O lateral-esquerdo foi um dos melhores da Premier League quando defendia o Southampton e agora, com férias (ano passado esteve na Copa do Mundo) e uma pre-season decente, devemos vê-lo retornar àquele nível. Superar, aliás. A qualidade está ali, basta ser bem utilizada. Do lado oposto, quem chegou convencendo os fãs é Matteo Darmian. Estando na seleção do Italiano e sendo figurinha carimbada na Azzurra, o jogador deve nos fazer esquecer rapidamente de Rafael - pelo menos em nível de rendimento. O miolo de zaga ainda depende de uns retoques (Jones deve ser titular e Blind disputa com Rojo a outra vaga), mas deve ser mais convincente pelo simples fato de ter mais proteção. Dos lados, como expliquei, e à frente.


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Após um ano de estreia abaixo do esperado, Shaw é praticamente um novo reforço para a equipe


Sir Alex Ferguson foi uma lenda e ninguém ousa questionar o escocês, mas é fato que em seus últimos anos nosso meio de campo deixou a desejar. Precisávamos de maior combatividade no setor há tempo, e Moyes também não soube reparar tal problema. Van Gaal, porém, trouxe logo duas (três, considerando 14/15) peças: Morgan Schneiderlin e Bastian Schweinsteiger. O primeiro promete formar a base da equipe por muitos anos e o segundo, de qualidade indiscutível, é um upgrade e tanto em Marouane Fellaini - este que deve ser figura esporádica. Ander Herrera, por sua vez, foi um dos melhores na última temporada e provavelmente continuará dominante como um box-to-box - e com mais liberdade na armação. Michael Carrick é o mais inteligente de todos os supracitados, mas já com as pernas não respondendo como o esperado e a disputa mais acirrada, deve ser utilizado com cautela.


Na parte ofensiva, o United garantiu um negócio com o potencial de barganha enorme; Memphis Depay, de apenas 21 anos, chegou do PSV por £ 20M e já deu sinais de que sua explosividade e qualidade se transferirá para o mais exigente Campeonato Inglês. Seja como um segundo atacante, a exemplo de suas atuações na tour dos Estados Unidos, ou na ponta esquerda - sua posição original -, o holandês deve adicionar habilidade, incisividade e poder de decisão a uma equipe que as vezes se mostrava muito previsível.


Pedro ou Angel Di Maria? Ao que tudo indica, é o espanhol quem vestirá a camisa vermelha nesta temporada. É uma pena que a trajetória do argentino por aqui não tenha corrido da forma desejada - e tanto o jogador quanto o treinador tem culpa nisso - mas ambos seguirão em frente. Como Fergie costumava dizer, ninguém é maior que o clube. E o espanhol, que deve chegar do Barcelona por algo em torno de £ 20M, deve saber disso. Dentro de campo, Rodríguez pode não estar no mesmo escalão do famigerado trio Messi-Suárez-Neymar (ninguém está, né?), mas conta com muitos pontos a seu favor. Movimentação, inteligência - tanto para criar quanto para explorar espaços - e velocidade são armas muito bem vindas em um time de Louis van Gaal. Com 28 anos, em tese garantiríamos um atleta exatamente no auge de sua carreira.


Juan Mata mostrou enorme evolução ao ganhar sequência como um ‘falso winger’ de janeiro deste ano em diante e deve ser peça importante para a equipe. Sua visão de jogo, criatividade e a conexão quase que telepática com Herrera são pontos que não podem ser desperdiçados. Nos amistosos - mesmo que estes possam enganar com facilidade -, o espanhol também mostrou um bom entrosamento com o recém-chegado Darmian. A dobradinha de ambos pela direita pode ser um dos trunfos do United.


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O poder criativo de Mata não pode ser desperdiçado e a combinação com Darmian tem tudo para render bons frutos


Chegamos à última - ou primeira, se desejar - posição: a de centroavante. Confiar em Wayne Rooney, que marcou apenas 14 vezes em 14/15 enquanto os adversários diretos contaram com jogadores no top-5 da artilharia? É fato que muitas vezes, até mesmo no decorrer das partidas, o inglês foi recuado ao meio ou preso à ponta, mas agora não podem existir justificativas. Ou vai ou… só Deus sabe. Ed Woodward, chairman, vem prometendo uma contratação surpresa e tablóides britânicos reportam que um nome de peso ainda deve chegar - e tudo leva a crer que este seja um atacante. Receberemos de braços abertos. Se não vier, porém, o conjunto está mais encorpado e o Shrek deve render bem mais.


Por fim, vale dizer que a temporada que se aproxima não exige o título por parte do United, mas sim a disputa do mesmo. Desculpas, algumas embasadas e outras não, foram jogadas por todos os lados desde que SAF nos deixou, e chegou a hora H. Van Gaal precisa fazer o clube se alinhar com o Chelsea (e com os famintos pela taça City e Arsenal) e mostrar que o maior campeão inglês pode brigar pelo topo novamente.