Smalling, Darmian e a estreia do United no Inglês

Estreias são enganosas. Muito time vai bem e empolga o torcedor para depois mudar de panorama e decepcionar. Do outro lado, tem equipe que começa mal e aos poucos vai ganhando ritmo. Ainda mais se considerarmos que a maioria dos elencos ainda está em montagem - temos mais três semanas de janela de transferências -, o ideal em um opening day só pode ser um: vencer. E o United atingiu tal objetivo, independente da maneira e da performance do coletivo - que será dissecada a seguir.


ESPN.com: Tottenham dá presente a van Gaal, e United estreia com vitória no Inglês


A vitória pelo placar mínimo sobre o Tottenham certamente não foi conquistada através de um jogo brilhante, mas alguns pontos agradaram bastante - outros, nem tanto. Mas serão citados apenas pelo registro, levando em conta que nenhum conclusão será tirada na primeira rodada.


O primeiro fator a se destacar é Matteo Darmian. Como é bom ter um lateral-direito que sabe exatamente o que tem de fazer e como executar bem a sua função. Com a bola no campo de ataque sua exibição não chegou a ser um espetáculo, mas algo bem acima da média estipulada por Rafael/Valencia nos últimos anos. Ok, isso naõ é tão difícil. De qualquer forma, o italiano debutou com frieza e qualidade, baseando suas jogadas na inteligência e no senso posicional e não na intuição - algo que era raro em Old Trafford desde a saída de Gary Neville.


Outro trunfo foi 'descoberto' hoje pela torcida: o jogador é ambidestro (e pode atuar em qualquer lado do campo, a exemplo do que ocorria no Torino, seu antigo clube). Com isso, é um algo a mais para combater uma safra cada vez maior de wingers 'invertidos' - se outrora estes jogavam no flanco que a melhor perna indicava, hoje partem da ponta para o centro. Adaptando tudo isso para o jogo desta manhã, dá para se dizer que Nacer Chadli, que batia de frente com Darmian, foi anulado muito pela insistência em cortar e se deparar com a canhota afinada do nosso camisa 36.


Partimos para uma segunda área, totalmente relacionada com os dois parágrafos acima: a maior solidez da dupla de zaga e a ótima atuação de Chris Smalling. Ele e Daley Blind são jogadores world-class e dispensam qualquer necessidade de reforços? Não. Mas é natural que tenham melhor performance em 2015/16. Isso tanto pelo entrosamento entre si quanto pela organização mais definida e solidificada da equipe. Destacando a parte do inglês, foi uma exibição de supremacia em todos os aspectos: na jogada aérea e nas disputas por baixo. Muito de suas ações aconteceram nos minutos finais, também, o que dá a entender que a determinação e a concentração subiram conforme a exigência da partida.


Getty Images
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Smalling continuou a boa fase demonstrada na temporada passada e anulou o ataque adversário, que contava com a revelação Harry Kane


Schneiderlin era o meia defensivo do Southampton e, em duas temporadas, não faltaram elogios pra José Fonte, Dejan Lovren (hoje no Liverpool) e Toby Alderweireld (hoje no próprio Tottenham). Na época já apontavam o francês como uma peça que melhora aqueles ao seu redor - principalmente quem está atrás. Sendo uma base extremamente qualificada para o restante do time, o jogador se responsabiliza por desarmes e interceptações, mas também pelo trabalho sem a bola: a marcação do espaço, negando campo ao adversário. Nisso, foi completamente eficiente hoje. E só tende a melhorar.


Sergio Romero. Chamá-lo de inconstante, propício a falhas e até mesmo mediano (de certa forma) não soa ruim: considerando toda a sua carreira, essas foram características atribuídas ao seu jogo. Sua estreia pelo United, porém, foi boa. O início foi bem normal, mesclando uma ótima distribuição com as mãos e um desempenho não tão convincente com os pés. No segundo tempo, por outro lado, seu shot-stopping entrou em cena e foram umas duas ou três defesas cruciais para garantir a vitória. Como comentei em outros posts, o argentino provavelmente não é o nome para suprir uma eventual saída de De Gea, mas quebra bem o galho quando necessário. 


*De Gea ficou de fora justamente por não ter um futuro definido. Van Gaal justificou com a análise de que a cabeça do jogador pode estar em outro lugar e é melhor não arriscar até que algo se concretize - sua permanência, espero.


Fora isso, pouca coisa a se destacar. Vale dizer uma coisa óbvia, mas que muita gente (incluindo o treinador) ainda não percebeu: jogamos muito melhor com Herrera em campo. Começamos sem ele e as transições ofensivas eram lentas e desorientadas. O espanhol foi introduzido na etapa final e, imediatamente, o jogo fluiu. Ao contrário do double-pivot Morgan-Carrick, que vinha forçando inversões pelo alto e lançamentos mais profundos, Ander verticalizava por baixo e, consequentemente, tinha maior eficiência.


Ah, e sobre Memphis Depay: boa estreia do garoto. Para quem tem 21 anos e joga pela primeira vez sob a perspectiva de 75 mil torcedores, a pressão sentida foi praticamente nula. Em algumas oportunidades faltou conscientização - era melhor tocar do que chutar - mas é compreensível a ansiedade por um gol. Quando este sair, a liberdade e o pouco peso nas costas somados aos atributos conhecidos do jogador - habilidade, força, finalização - com certeza será uma combinação fatal. Vamos com calma. 


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Depay estreou com personalidade, mas a combinação com Rooney pode não render como esperado


Fico com dúvidas em relação a sua função, porém. Como aconteceu na pre-season, o holandês hoje foi uma espécie de 'segundo atacante', atrás de Wayne Rooney. Creio que tal papel possa, sim, tirar o melhor de seu potencial (sem prendê-lo à ponta), mas o inglês não me parece seu parceiro ideal. Se é pra continuar assim, que tragam alguém com um domínio decente, qualidade em tabelas 1-2 e distribuição mais veloz que do Shrek. Este que passa longe de ser uma peça dispensável, mas claramente não se encaixa nesse suposto propósito de van Gaal. 


Não foi o melhor dos jogos, mas por enquanto a missão é conquistar o triunfo e desenvolver o entrosamento da equipe. Com os três pontos na bagagem, o United agora viaja à Birmingham para enfrentar o Aston Villa, na sexta-feira, em confronto válido pela segunda rodada da Premier League. Fiquem ligados, comentem e até mais!