O jogo foi fraco, mas o United venceu o Villa e a Fox

Antes de comentar o jogo - o que realmente importa -, faço questão de abrir uma exceção para registrar o total desrespeito da Fox Sports para com a torcida do United (e qualquer fã de Premier League ou todo tipo de assinante do canal). Como a maioria pode perceber, a emissora vem fazendo um grande investimento nas transmissões de eventos ao vivo e promete muita coisa (variedade) ao consumidor. Na tarde desta sexta-feira, porém, isso ficou de lado.


A Bundesliga entrou para a grade da empresa em referência e, normalmente, ganhou atenção. Só que tal foco no primeiro jogo da competição e a estreia do Bayern de Munique excedeu todos os limites e acabou fazendo com que alguém tocasse nossa partida diante do Aston Villa para escanteio. O confronto entre os bávaros e o Hamburgo foi ao ar nos QUATRO canais da emissora - Fox Sports 1, Fox Sports 2, Fox e FX.


Eles, que escolheram o jogo do United como uma das picks na divisão dos direitos com a ESPN, fizeram o impensável: apenas gravaram os 90 minutos para retransmitir em VT. Aí você me pergunta, esperando uma resposta que deveria ser óbvia: logo depois do apito final lá na Allianz Arena, né? Não. A reprise foi marcada para as 21h45, horário de Brasília. Para não me prolongar no assunto, dá pra resumir em poucas palavras: desrespeito e falta de consideração.


Getty Images
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Januzaj ganhou a vaga de Young e deu conta do recado: merece permanecer como titular?


Bom, também teve um jogo dentro das quatro linhas - mesmo que alguns tenham o ignorado. A data é peculiar: nesta rodada, a partida foi agendada para a sexta-feira por dois motivos: a greve que ocorrerá por toda a cidade de Birmingham no final de semana e a impossibilidade do United em atuar na segunda, já que entramos em campo no dia posterior - pela fase eliminatória da Champions, frente ao Club Brugge. Mas podemos ir nos acostumando, levando em conta que embates nas sextas fazem parte do novo acordo televisivo para o triênio 2016-2019. Ok, vamos lá. Os comandados de Van Gaal derrotaram os Villans por 1 a 0, com gol de Adnan Januzaj. A boa performance ainda não veio, mas como expliquei aqui, a essa altura do campeonato o que importa é o resultado positivo.


Algo que falo há tempos: é óbvio que nossos zagueiros não são craques, mas também passam longe de ruins (Jonny Evans é quem chega mais perto disso). Assim que tivessem uma proteção mais sólida e suficiente para estruturar o formato defensivo do time, teriam desempenhos bem melhores. E é exatamente isso o que vem acontecendo atualmente. Cada um merece um capítulo à parte, mas foi outra uma bela performance de Luke Shaw, Morgan Schneiderlin e Matteo Darmian - tanto no aspecto ofensivo quanto na proteção da meta de Romero. De tal forma, a dupla de zaga fica menos exposta e as responsabilidades são mais centralizadas em algumas áreas do jogo. Assim, Chris Smalling e Daley Blind foram dois dos melhores em campo.


Um adendo sobre a atuação de Darmian: o lateral foi, mais uma vez, excelente. As estatísticas de 6 desarmes certos em 7 tentados e 5 interceptações limpas falam por si. Tais números demonstram dois lados: o QI futebolístico do italiano - supracitado neste blog -, que sabe ler o jogo como poucos da posição e também a sua capacidade em sair por cima em duelos individuais com o oponente direto. Volto a dizer: perto de Antonio Valencia e Rafael, é um upgrade e tanto.


Fora a solidez defensiva demonstrada pelo conjunto, poucas coisas de destaque. Algo válido de ressalva - novamente - é o efeito que a ausência de Ander Herrera do XI inicial causa ao nosso jogo. Sem ele, que completou 26 anos nesta sexta, parece que a coisa não flui. Schneiderlin e Carrick formam uma das melhores bases de meio que tivemos nos últimos anos, mas o espanhol é quem tem mais qualidade para atuar entrelinhas, espaçar defesas e avançar nossas investidas ofensivas de forma ágil e eficiente - com e sem a bola, mas sobretudo com ela. Ainda aguardo o retorno do camisa 21 à equipe, que precisa, urgentemente, de alguém com suas características.


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Outra vez, Ander Herrera só participou vindo do banco de reservas


Outros problemas precisam ser trabalhados pela comissão técnica. Um dos principais é o desaparecimento de Wayne Rooney. O inglês, que marcou apenas 14 gols na Premier League 14/15, teve seu segundo jogo fraco nesta edição da competição e vem acumulando participações praticamente nulas. É claro que o coletivo precisa evoluir para o natural desenvolvimento da performance do centroavante, mas suas capacidades parecem estar sumindo a cada dia.


Por fim, é sempre válido ressaltar aquela máxima: nas rodadas iniciais do campeonato, o que importa são os três pontos. Para o Manchester United, foram 6/6 e, de quebra, duas clean sheets - mesmo com o contestado Sergio Romero debaixo das traves por 180 minutos. O entrosamento completo é algo inexistente em 90% das equipes no momento (o Chelsea é a maior exceção, por manter o mesmo elenco até agora) e, com 15 dias de transfer window restando, mudanças vão ocorrer e as perspectivas podem ser diferentes de agosto para frente. Os objetivos parciais estão sendo conquistados jogo a jogo, mas que o ritmo melhore no decorrer do ano e o principal seja alcançado. 


E que até lá, quem sabe, transmitam dignamente os compromissos de um dos clubes de maior importância do mundo e enorme fonte de audiência no Brasil.