United 0 x 0 Newcastle: bons sinais, resultado ruim

O futebol nos permite diversas interpretações de qualquer ocorrido e as ferramentas para análise são maiores do que nunca. Certas coisas, porém, são da natureza do esporte: o United fez dois jogos nada além de razoáveis e venceu ambos; hoje, teve uma boa atuação (ótima, em determinados períodos da partida) mas ficou no empate sem gols diante do sempre instável Newcastle, em Old Trafford.


Para não fazermos tempestade em copo d’água, alguns parâmetros: o Chelsea, que tem a missão de defender o título, também empatou dentro de casa (2x2 vs. Swansea) e sofreu uma lavada do City (3x0). O Arsenal estreou perdendo pro West Ham em pleno Emirates (0x2). Tirando nosso rival de Manchester, ninguém vem fazendo uma campanha perfeita e ainda temos tempo para reparos serem feitos (tanto no padrão do time quanto na montagem do elenco, dado que restam 10 dias de transfer window). Não é preciso mencionar o Liverpool, né?


ESPN.com.br: Schweinsteiger faz estreia tímida e United tropeça


O primeiro aspecto de destaque não pode ser outro: o pressing (e counter-pressing) que o time do United emplacou com tanta eficiência, principalmente nos primeiros 30 minutos; naturalmente, a energia foi diminuindo conforme o relógio corria e a marcação foi afrouxando. Pra deixar claro, o pressing nesta situação é a pressão feita na saída de bola do adversário e o counter-pressing, por sua vez, consiste na pressão realizada imediatamente após a perda da posse. Tais artifícios foram utilizados com tanta coordenação e intensidade que até Wayne Rooney acordou dos últimos jogos para contribuir - esta parte mais no primeiro tempo; o Shrek voltou a ser pouco participativo na etapa final.


A estratégia, porém, foi facilitada pela desorganizada disposição posicional do Newcastle, que não alargava o campo e nem contava com jogadores quebrando linhas, dando aos comandados de Van Gaal a oportunidade de se compactar e atacar o homem - e o setor - da bola sem que buracos fossem abertos em outras partes do campo. Mas isso não tira os méritos de Schneiderlin, Schweinsteiger (que formaram o double-pivot) & companhia, dominantes em grande parte da partida. O francês teve o desempenho habitual desde sua passagem pelo Southampton - cobertura, marcação, desarme e interceptação: tudo efetuado com maestria. Como citei quando foi contratado, o negócio de 25 milhões de libras tem tudo para se tornar uma barganha.


Getty Images
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Quatro jogos, quatro vezes um dos melhores em campo: Schneiderlin já é fundamental para o United


Pecamos, no entanto, no poder de decisão questionável das peças ofensivas. Principalmente Memphis Depay. O holandês fez um jogo espetacular na terça-feira (quando marcou pela primeira vez), mas deu a impressão de ter carregado a empolgação para além dos limites cabíveis e em muitas jogadas se deixava levar pelo individualismo, tocando o coletivo para escanteio. Mais uma vez: o winger tem apenas 21 anos e paciência é essencial. Nada que uma temporada sob a batuta de LVG não resolva. Se no meio da semana o chefe declarou querer beijar o camisa 7, neste sábado o feedback deve ser bem diferente. 


Pra finalizar, chegamos no tópico que já cansou de ser comentado por este que vos escreve. Em muitas oportunidades, o time contava com a posse de bola em abundância mas não avançava verticalmente E pelo chão na parte central do gramado; Schweinsteiger é um controlador de jogo e estruturador de movimentações ofensivas de primeira linha, enquanto Schneiderlin é um dos meias mais combativos e energéticos da liga. Por outro lado, nenhum conta com as características necessárias para o supracitado problema ser resolvido.


Quem seria esse jogador? Ander Herrera. Devo ter mencionado o espanhol em todos os textos publicados aqui no blog, mas é que a importância do camisa 21 em nosso jogo é tão grande que sempre teremos que destacar. De preferência, quando suas habilidades forem aproveitadas - o que não é o caso atual. Mais uma vez o meio-campista foi reserva e, para piorar, não entrou no decorrer dos 90 minutos. Pra que ter alguém que quebra linhas, avança o ritmo das jogadas e ainda conta com um combo de poder de decisão/faro de gol melhor do que certos centroavantes por aí, né?


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Imprescindível em 2014/15 e uma arma necessária para a equipe, Herrera vem sendo deixado de lado


Como o pessoal do Old Trafford Brasil citou, parem para refletir: 3 jogos sem tomar gol, 3 jogos sem gol de atacante. A prioridade deve ser a zaga, como muitos vem dizendo?


Por fim, os sete pontos contabilizados de nove disputados não podem ser menosprezados e nosso início de temporada não é ruim. Agora é confirmar a vaga na Champions diante do Brugge e, aos poucos, desenvolver essa que parece ser a base da equipe para o resto de 2015-16. E que Herrera faça parte dela.


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