Ótima atuação e sorteio generoso: um panorama do United

Finalmente! Vitória e um ótimo futebol. O United vinha bem mas deixava bastante a desejar no aspecto ofensivo e a movimentação dos jogadores de frente decepcionava. Diante do Club Brugge, porém, tudo isso foi esquecido e os comandados de Van Gaal apresentaram a melhor atuação do time na temporada. Os motivos são dos mais variados, mas uma tecla não pode deixar de ser batida: a influência de Ander Herrera em nosso jogo.


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Aí você pensa: mas de novo esse blogueiro tratando do mesmo tema? Infelizmente, temos que concordar que o treinador holandês é louco para não dar mais oportunidades a um de nossos melhores jogadores na inconsistente campanha de 2014-15. Para deixar claro, dessa vez o boss ouviu as preces da torcida (todos temos a mesma opinião nisso, certo?) e escalou o espanhol no XI inicial, ao lado de Michael Carrick. E o impacto que tal mudança teve foi visível logo nos primeiros momentos da etapa inicial, apesar de sua finalização ter sido abaixo do nível que esperamos.


Foram vários ataques (e contra-ataques) puxados pelo camisa 21, que ditou completamente o ritmo das transições da partida - tanto as ofensivas quanto as defensivas, mesmo que sua contribuição de maior destaque tenha ocorrido no final third. Herrera deu a tenacidade e a incisividade vertical que precisávamos (e não diagonal/longa/direta, como ocorria com o double-pivot de Carrick-Schneiderlin). As jogadas evoluíam gradativamente, quebrando linhas adversárias e não com aquelas bolas forçadas para a área no 'seja o que Deus quiser'. Dessa forma, até mesmo Rooney foi (bem) mais participativo e contou com um apoio que não teve nas rodadas iniciais da Premier League. Acabou marcando um hat-trick e dando um fim na seca de gols, que o perseguia por 10 jogos - ou 878 minutos.


Ander deu um toque de movimentação inteligente à criação e a performance do melhor jogador da partida tem muito a ver com isso. Que sua conexão com Juan Mata acontece quase que telepaticamente todo mundo sabe, mas a sintonia vista no Estádio Jan Breydel foi diferente - e mais efetiva. Outrora víamos ambos combinando jogadas e aterrorizando marcadores mais pela ponta direita, setor onde o camisa 8 se posiciona originalmente, mas ontem a importância dessa dupla foi maior pela insistência em jogar pelo centro - a principal área do campo. Por lá, o trabalho foi bom tanto com a bola quanto sem ela. A circulação de Herrera e o poder criativo de Mata deu uma nova dinâmica ao futebol da equipe e os frutos apareceram com naturalidade.


Um jogador entra e imediatamente duas peças se tornam mais eficazes (e o funcionamento do conjunto se eleva). Coincidência?


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A introdução de Herrera elevou o nível daqueles ao seu redor e Rooney desencantou. Alguma surpresa?


No mais, quem continua a impressionar depois de fazer uma boa pré-temporada é Matteo Darmian. Como venho dizendo neste blog, o italiano é o melhor lateral direito que tivemos desde a aposentadoria de Gary Neville e sua inteligência para desempenhar a função chama a atenção. Diante dos belgas, o jogador foi utilizado em uma função levemente distinta da que vinha desempenhando e abriu ainda mais o seu leque de capacidades para o torcedor.


Se até então seus números nos desarmes e interceptações eram impecáveis, agora as credenciais ofensivas e posicionais estão aí para todo mundo ver. Contando com a cobertura de Carrick, o camisa 36 dominou o flanco direito em grande parte da partida e deu a liberdade necessária para Mata fazer seu jogo nas entrelinhas. Suas apresentações pelo Torino e pela Azzurra, como Caíque Toledo faz questão de lembrar, nos certificam de que tudo isso não é só uma fase.


O sorteio da Uefa Champions League


Se, depois de uma temporada longe da competição, você esperava o United voltando a enfrentar grandes clubes logo de cara, se decepcionou. Por outro lado, caso o desejo seja não dar sopa para o azar (e a incompetência, né?) e passar de vez pela desgastante fase de grupos, estará realizado.


PSV Eindhoven, CSKA Moscou, Wolfsburg. Vamos por partes.


Os dois primeiros são equipes bem medianas e a expectativa é que consigamos um record próximo da perfeição diante dos mesmos. Nesta off-season, o PSV viveu o drama de todo recente campeão da Eredivisie: a taça na mão significa a chegada dos holofotes para seu elenco e clubes de maior poderio financeiro foram rápidos para se aproveitar disso. Sem Georginio Wijnaldum e Memphis Depay, a esperança dos holandeses em beliscar algo nas competições internacionais caiu de maneira considerável e, apesar de ainda contar com bons valores e prospects, os comandados de Phillip Cocu não devem assustar.


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O CSKA, por sua vez, chega com um plantel pouco destacável e algumas das peças são mais conhecidas do fã de esporte que jogou FIFA ou Football Manager nos recentes anos: Alan Dzagoev, a eterna promessa russa; Zoran Tosic, antiga esperança do próprio United (passou por aqui na temporada de 2009/10 e fez apenas dois jogos); Ahmed Musa e Seydou Doumbia, uma das duplas de ataque mais infernais dos videogames - na vida real, porém, ambos ainda precisam provar suas capacidades frente a boas equipes. Vale lembrar que o time de Leonid Slutsky manda seus compromissos em Moscou e o horário padrão da Uefa por lá é o das 14h (de Brasília).


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Juliano Belletti, algoz dos nossos rivais londrinos, foi generoso e sorteou o United em um grupo simples


Advindo do pote 4, o adversário mais difícil que teremos pela frente: o Wolfsburg. Dieter Hecking, técnico de contrato renovado após ser cotado em grandes clubes, montou um dos times mais bacanas de se ver jogar na temporada passada e promete reafirmar os alemães no cenário internacional. O futuro de dois dos principais jogadores desse conjunto - Kevin De Bruyne e Ivan Perisic - é incerto, mas de qualquer forma alguma reposição deve chegar e o elenco pode muito bem dar trabalho na Champions. Contando com os pilares Diego Benaglio (goleiro), Naldo (zagueiro), Ricardo Rodriguez (lateral-esquerdo) e Luiz Gustavo (volante/meia), o aspecto defensivo também é de se ressaltar. Se Bas Dost tiver um desempenho ao menos semelhante de 2014/15 e nomes como Maximilian Arnold (21 anos) arcarem com a responsabilidade dobrada, o panorama para os lobos é promissor.


Sejamos sensatos: é bom tomar cuidado com eventuais obstáculos e não entrar de salto alto nos confrontos, mas os United deve se classificar sem muita dificuldade. A tabela poderia ser bem mais dura. O City (que pega Juventus, Sevilla e Borussia Monchengladbach) que o diga.