United 0-0 West Ham: mais do mesmo em outro empate

Desde que Van Gaal desembarcou na Inglaterra, um de seus objetivos sempre foi claro: manipular o ritmo caótico da Premier League a seu favor e formar um time minimamente coeso em todas as fases do jogo. Essas que, se me permitem resumir, são as da transição defensiva, defesa consolidada, transição ofensiva e ataque consolidado. Ou seja, os momentos em que as equipes supostamente estão em formações mais estruturadas e também quando o cenário é o oposto.


É inegável que tal meta foi - e está sendo - atingida com sucesso. Para termos noção disso, basta tirar um fim de semana para acompanhar todas as partidas da rodada. Fica mais do que visível a diferença nos estilos de fazer futebol do United e do restante dos conjuntos. Enquanto nós somos meros espectadores de uma passividade absurda em Old Trafford, as torcidas dos demais são agraciadas com um elemento chave no esporte moderno: intensidade.


Aquela coisa de agir com um ímpeto mais elevado, pensar rápido, impor energia nos embates, sabe? Se a resposta é sim, provavelmente você acompanha outros clubes e/ou outras ligas. Por que vamos lá, isso é algo inexistente em terras mancunianas. Até no sempre cadenciado Campeonato Italiano - isso não é um estereótipo sem embasamento, mas sim fator histórico que é preservado té os dias atuais - podemos observar encontros mais fluidos e movimentados. Grandes como o Napoli e medianos como o Sassuolo conseguem implementar um senso de high-tempo que é mais do que fundamental.


ESPN.com.br: Melhores momentos de Manchester United 0x0 West Ham


O engraçado - ou trágico, dependendo do ponto de vista - é que abri o editor de textos para escrever sobre nosso mais recente resultado, o empate sem gols diante do West Ham, e parece que desvirtuei do assunto central. Mas a realidade é que todos os jogos são iguais ou semelhantes demais para notarmos algo diferente, que fuja dessa supracitada rigidez e ao menos se aproxime de um padrão mais eficiente no lado ofensivo.


Na tarde deste sábado, o Teatro dos Sonhos foi palco do nosso QUINTO zero a zero nos últimos 9 compromissos. Sim, você leu certo; não há erro de digitação. Temos mais partidas sem o balanço da rede - nas duas metas - (6) nessa sequência que iniciou no final de outubro do que na temporada passada inteira. Esse é o ponto chave. O boss anda levando muito a sério o seu plausível desejo de acalmar os ânimos da veloz - e consequentemente muito errática - EPL. É preciso mais do que isso para conquistar o título, algo que certamente deve ser a nossa meta em 15/16.


Getty Images
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O ritmo imposto pelos jogadores é semelhante ao que podemos observar na imagem: sonolento


Aí podem dizer: ah, mas esse time do Slaven Bilic não é o mesmo que derrotou Arsenal, City Liverpool e Chelsea? Parcialmente. Hoje foi uma equipe escalada sem Dimitri Payet, Manuel Lanzini, Diafra Sakho e com o zaguero James Tomkins na lateral-direita. São cinco jogos seguidos sem vitória para os londrinos, que agora jogam abaixo daquele nível avassalador do início da competição e mais próximo do que esperávamos na pre-season. Aproveitar-se desse cenário para sair com os três pontos era praticamente obrigação, mesmo que pareça um extremismo desnecessário.


Para não deixar de falar do XI inicial de LVG, o que foi esse back-four? Tá certo que Smalling-Blind vem formando uma dupla de confiança e o entrosamento, tirando lances esporádicos como o que impulsionou a chance desperdiçada por Moses, é dos melhores possíveis; por outro lado, quando não temos outro lateral-esquerdo e McNair é titular, por que não utilizá-los em suas posições de origem? O mais compreensível seria deslocar o holandês para o flanco e centralizar o garoto da base (que faz pouco para me convencer que é melhor em relação a Tom Thorpe, dispensado na transfer window e dono de boas atuações pelo u-21).



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O resultado foi um Darmian completamente inefetivo no lado contrário ao de sua preferência, posse perdida desnecessariamente com cruzamentos forçados com o pé mais fraco e o flanco direito completamente nulo. Dali pra frente, um jogo ainda lento, mas bem menos travado com a ausência de Wayne Rooney. Os jogos que participa - ou tenta - e os que o capitão não é relacionado são provas de que atacamos melhor sem ele. Concordemos que é impossível discordar disso.


O problema é que, quando poderíamos explorar esse "desfalque" para alinhar Andreas ou Memphis ao lado dos elétricos e habilidosos Lingard e Martial, Fellaini esteve lá para atrapalhar. O belga até que ganhou seus rotineiros duelos pelo alto, mas fora isso pouco produziu. Em jogada sensacional do francês, bateu em cima do goleiro em plena pequena área. Jesse, a grata surpresa dos últimos meses, foi bem novamente; um footwork malemolente acompanhado de muita vontade, atributos sempre bem-vindos.


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Independente da posição que joga, Mata vem deixando a desejar nos últimos jogos; bom momento para utilizar Andreas Pereira


Juan Mata foi, mais uma vez, uma das decepções. A maioria sabe que o espanhol é um dos jogadores favoritos deste que vos escreve, mas não dá pra passar a mão na cabeça de quem vem rendendo abaixo do esperado em todas as posições que é escalado. Seja partindo da direita como "falso winger" ou centralizado, como gosta de atuar, o camisa 8 foi frustrante em praticamente todos os aspectos, excetuando seu first touch pornográfico.


E me questiono: por que Pereira não ganha mais oportunidades? É óbvio que o time não tem um bom desempenho no último terço do campo e algo precisa ser feito. Um antiquado atleta de 2 metros joga, um ícone da agremiação que ganha £300 mil/semana para marcar dois gols na temporada joga… e o brasileiro permanece mofando no banco. Ter calma com youth prospects é importante? Sim. Mas dá-los minutos de futebol profissional é essencial. Ninguém evolui e corresponde ao potencial sem calçar as chuteiras e atuar.


Portanto, podemos concluir que foi mais do mesmo e as críticas em relação ao estranho trabalho de Van Gaal ainda não foram levadas em conta pelo chefe. Em uma época que José Mourinho balança e nada menos que Pep Guardiola pode estar sem clube daqui um semestre, é bom se mexer. Faz bem à torcida e ao próprio treinador. Mas principalmente pro time, que necessita de mudanças.