Shrewsbury 0-3 United: o grande teste está por vir

Em meio ao caos dos rumores e informações envolvendo José Mourinho, o United cumpriu com a obrigação e derrotou o Shrewsbury Town por 3 a 0 em partida válida pelas oitavas de final da FA Cup. Jogando no Centro-Oeste da Inglaterra, a equipe não foi mal, mas também deixou a desejar em certos aspectos.


Colocando tudo sob perspectiva e considerando o fato de que estamos numa sequência cansativa, não dá pra reclamar. Foi um alívio para Van Gaal (que poderia cair em caso de revés) e algo aceitável para a torcida, nada mais do que isso.


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O ponto alto que podemos tirar do triunfo é que a confiança do plantel volta a crescer diante do crucial embate de quinta-feira (25). Pela Liga Europa, enfrentaremos o FC Midtjylland em Old Trafford e, tendo perdido por 2 a 1 na ida, a vitória é fundamental para o decorrer da temporada.


Me arrisco a dizer que, se formos eliminados, a demissão vem mais cedo e talvez Ryan Giggs assuma interinamente até maio. Sem ter o que almejar na Premier League e com as copas tendo pequena importância, seria melhor usar os próximos meses para experimentos e não dar uma continuidade desnecessária ao trabalho pífio atual.


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Os holofotes mais uma vez estavam virados para Van Gaal, que por enquanto respira aliviado; o teste chave, porém, ainda está por vir


A escalação agradou e provavelmente era o melhor que o chefe tinha à disposição. Após a notícia da lesão de Rooney, que pode ficar até dois meses fora, a utilização de Martial como centroavante era prevista e assim deve ser enquanto necessário. Isso, inclusive, vai ajudar para termos noção do que o francês é capaz de fazer quando centralizado e numa leading role. Caso não dê muito certo, é bem provável que Mou (ou quem quer que seja) traga alguém para a posição.


A dupla de laterais foi formada por dois nomes que, no momento, tapam buracos abertos pelos injury-prones titulares. Já que Luke Shaw e Matteo Darmian fazem hora extra no departamendo médico, quem joga é Cameron Borthwick-Jackson (esq.) e Guillermo Varela. Ambos não decepcionaram nas partidas que iniciaram e continuaram o bom rendimento em New Meadow.


A contusão do Shrek fez com que Depay recuperasse sua vaga no 11 inicial e, apesar de não faltar disposição, as atuações não são tão animadoras. Longe disso. Pra falar a verdade, nos primeiros momentos o holandês foi o mais ativo da equipe. Partindo da ponta esquerda, a energia de CBJ - que ultrapassava em direção à linha de fundo com muita frequência - atraía a marcação do ala oponente e abria certo espaço no meio; entretanto, a disposição de três zagueiros muito próximos limitava as ações do jogador a chutes de longa distância. E cada bola parecia que tinha saído dos pés do ilustre Bebé.


Como supracitado, os Blues jogaram com 3 defensores à frente da meta e todos tinham sucesso ao manter uma compactação inteligente entre eles e anular, pelo menos parcialmente, o futebol de Martial. O jeito pra se aproximar do gol, porém, também passava pela estratégia adotada pelo treinador Micky Mellon.


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Apesar de bons lances isolados, Martial fez um de seus jogos mais tímidos em 2016


Fruto de instrução ou do próprio instinto (na verdade deve ser uma mescla das duas coisas), os alas desempenhavam uma função de man-marking extremo. Junior Brown - aquele parecido com o Marcelo -, que geralmente batia de frente com Lingard e Varela, volta e meia aparecia lá no meio e abria uma avenida de onde saiu.


O United, porém, não explorou tal excentricidade - e tinha armas para tal. Ander Herrera é conhecido por ser um interior de qualidade e era esperado que dominasse o halfspace direito como sabe fazer. Entretanto, o fato é que o espanhol mais uma vez se mostrou bem abaixo do seu potencial e pouco influenciou na criação tirando sua bela assistência no último tento. Pra ser justo, sua agressividade off the ball foi importante para recuperarmos a posse no campo adversário.


Como já destaquei várias vezes aqui no blog, Lingard tem algo a contribuir com sua ingenuidade e movimentação aguda/direta, e hoje teve tempo e área para utilizar seus principais atributos. Acabamos vendo uma versão mais tímida dele até meados do segundo período, sem infiltrações e muitas tentativas falhas de participar na criação central das jogadas. Mais perto do final da partida, o winger foi se aproximando mais do gol - e deixou o dele. 


A certeza é que, fosse Darmian na vaga de Varela, provavelmente o panorama seria bem mais agradável. O italiano pode não ser um craque no quesito técnico, mas tem uma noção de posicionamento apurada e usa de sua boa comunicação para direcionar quem estiver ao seu redor. Sentimos falta disso. Apesar de todos esses defeitos - ou downgrades naturais do estilo de jogo pouco intenso -, no intervalo o placar era de 2 a 0 pros comandados de LVG.


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Lingard, ao contrário de Memphis, aproveita as oportunidades que recebe e merece créditos por isso


O marcador foi inaugurado nos segundos após um escanteio mal afastado, onde Schneiderlin aproveitou sua imponência física para ganhar duelo individual de Brown e encontrar Smalling; o capitão bateu como quem está acostumado com a mecânica de um cabeceio (bola no chão e etc) e contou com o timing errado do goleiro Jayson Leutwiler para balançar as redes.


Já nos acréscimos, Martial tabelou com Mata na meia-lua e sofreu falta perigosa. O próprio camisa 8 foi pra cobrança e marcou com a classe de sempre. Juan novamente foi bem e teve grande parcela na equação do desenvolvimento dos lances. 


Mesmo que as highlights não chamem tanto a atenção, sua atuação como o focal point do time merece os créditos que não o vejo recebendo. É ele quem liga nossos outrora desconectados setores e direciona a bola pra onde acha melhor no último terço do campo. Papel semelhante ao desempenhado por Blind, guardadas as devidas proporções e diferenças lógicas das posições.



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Quem ganhou os primeiros 45 minutos da carreira profissional foi Joe Riley, versátil garoto que está no clube desde a infância. No papel o jogador é listado como um meio-campista, mas entrou no lugar de Borthwick-Jackson e atuou como lateral. Destro e bem ofensivo, ele foi destaque na campanha do sub-18 em 2014/15 (quando contabilizou 10 assistências) e subiu de nível nesta temporada, sendo o LE de confiança de Warren Joyce no sub-21.


Andreas Pereira também recebeu oportunidade e dessa vez jogou por mais do que os habituais momentos derradeiros que o boss cede a ele. Entrando aos 15 da etapa final, o brasileiro conseguiu se envolver em boas jogadas e mostrar certa habilidade, apesar de ainda estar meio inseguro. Fica a torcida para que mais chances apareçam na Liga, já que não chegaremos em lugar algum na classificação.